sexta-feira, 20 de abril de 2012

Uma tempestade sobre algo que sabemos e conhecemos bem

O ser humano, em sua maioria, tem uma mania de se incomodar com algo que ele sabe que está errado, mas teima em fechar os olhos e tapar os ouvidos quando isso é proferido de alguém que vem de fora. E quando é falado por alguém importante, isso soa mais forte e acaba sendo como um soco no estômago. Mais ou menos assim é o que tem acontecido nas últimas horas com a declaração de Sebastian Vettel, que disse que “Quando vamos ao Brasil, não é o lugar onde queremos estar, dependendo da área. Mas não é um grande problema". Não tiro a razão dele, afinal de contas quem gostaria de estar no meio de uma manifestação não pacifica, ou numa guerra civil? A diferença é que por aqui, em especial São Paulo não está numa guerra civil, mas a violência acontece a todo o momento. Quantas pessoas param seus carros em um farol e não são assaltadas e/ou mortas? Em condomínios de luxo, quantas vezes este ano não aconteceram arrastões? Pedestres que são assaltados em plena luz do dia nas ruas, principalmente pelo lado do centro de SP? Acho que todos daqui desta cidade estão mais do que calejados de tanto saber os problemas que esta megalópole enfrenta e tem enfrentado.
A critica de Vettel é a mesma de outro tanto de turistas que vem ao Brasil para passar férias, festas, visitar familiares e afins. A diferença é que Sebastian é um cara conhecido, superstar da F1, bicampeão da categoria e então sua declaração soou forte demais. Mas como disse, não foge muito do que é ouvido pelos turistas que freqüentam este país todo santo ano. Porque acham que o Brasil perde milhões e milhões durante o ano com o turismo? Por causa da violência das grandes cidades. Sempre há alguma notícia sobre assaltos e até assassinatos de estrangeiros nos períodos de férias e o máximo que é falado pelas autoridades, é “uma fatalidade”. Fatalidade que entra ano e saí ano e ninguém faz nada para que este tipo de coisa não ocorra. E não digo apenas para fazer algo pela segurança dos que vem de fora, mas também para os que estão aqui. Um pai de família que recebe seu mísero salário e é assaltado assim que vira a esquina, não tem o respaldo da segurança pública para que isto não acontecesse. Isso quando não perde a vida, e a família é consolada por um “sinto muito”. Talvez se tivessem mais rigor com os bandidos, os crimes cairiam por mais pela metade. Mas como todos sabem, por aqui há uma máfia tanto dentro quanto fora polícia. E isso não é só em São Paulo. Enquanto isso não for erradicado, infelizmente será assim. E por muito tempo.
No autódromo de Interlagos, por exemplo, há sempre casos de assaltos por aquelas redondezas. Não é muito recomendável sair do autódromo após as sete, oito da noite em diante, porque corremos o risco de sermos assaltados. Confesso que quando saio de lá nestas horas, principalmente quando há algum evento noturno como provas de endurance (que não acontecesse faz tempo, diga-se), o cuidado é redobrado. Dificilmente você vê carros de polícia no perímetro daquele local, e olha que um pouco acima do portão sete do autódromo, que é o principal, tem uma base da polícia militar. Nos dias de GP até que a polícia é ativa, mas já houve casos de roubos assim que saíram de raio de ação dos homens da lei. Foi numa dessas que Button, em 2010, foi assaltado. Portanto Interlagos, não importando qual que seja o evento, não é uma lugar recomendado para sair muito tarde de lá.
Vettel gosta do Brasil, como ele já disse no passado, mas como um bom cidadão, ele sabe dos problemas que este país enfrenta. E certamente eu não gostaria de estar numa guerra civil e nem ficar por horas e horas com uma arma apontada pela cabeça vagueando pela cidade, como acontece sempre. Temos nossos problemas e precisamos cobrar sempre das nossas autoridades para que as coisas melhorem, para que os de lá fora falem bem não apenas das nossas belezas naturais, mas também do cuidado dos órgãos públicos com saúde, educação e segurança. E isso é o que nós todos queremos.

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