quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Senna, The First - Parte Final



Ayrton assume a liderança e o milagre acontece em Monza

A F1 continuava a sua clássica sequência de pistas velozes e desta vez era Hockenheim que receberia a categoria para a relização do GP da Alemanha, que abria a segunda parte do campeonato. Após o inundado GP da Grã-Bretanha de quinze dias atrás esperava-se uma prova realizada no seco, mas as coisas se esvaíram quando o domingo amanheceu chuvoso. Se bem que mais brando do que em Silverstone, mas isso era uma boa notícia para Senna e os carros dotados de motor atmosférico que não teriam qualquer chance contra os turbos caso a corrida se realizasse no seco.
Ayrton voltou ao seu lugar de hábito e cravou a sétima pole no ano, com Alain a ficar 0’’277 décimos do tempo do seu rival. Berger, Alboreto, Piquet e Nannini fecharam os seis primeiros. Destaque para o bom trabalho de Capelli que levou o March para o sétimo lugar e Gugelmin, que marcou o décimo tempo.
Senna sumiu na frente após a largada e mais uma vez conseguiu uma vitória tranqüila, a quinta dele na
(Foto: Sutton Images)
temporada. Prost caiu para quarto na largada, mas já estava em segundo após dez voltas e de lá não saiu mais. A pista molhada ainda reservou uma ótima atuação de Nannini, que brigou com Berger pela terceira posição até sofrer um contratempo que o fez perder três voltas e o tirar de vez dessa batalha. O consolo foi a melhor volta que alcançara. Nelson Piquet teve a sua prova encerrada ainda na primeira volta após bater na chicane, quando corrida de pneus slick na pista molhada. Gugelmin não pôde repetir a performance de Silverstone e fechou em oitavo. Além da dobradinha da McLaren, as outras posições pontuáveis foram completadas por Berger, Alboreto, Capelli – em outra boa jornada do March – e Boutsen. Prost foi a 60 pontos, três a mais que Senna; Berger continuou em terceiro, agora com 25 pontos; Alboreto foi ao quarto lugar com 16 pontos; Piquet caiu para quinto com 15 e Boutsen em sexto com 12 pontos.
O travado Hungaroring recebia pela terceira vez na a F1 e vira uma batalha aberta entre turbos e aspirados. Senna cravou mais uma pole, mas foi o único dos turbos a ficar entre os seis primeiros: Mansell, Boutsen, Capelli, Nannini e Patrese apareciam logo em seguida no mesmo segundo do brasileiro. Outro carro com motor turbo ficou na sétima colocação e não era nada mais que o líder do mundial Alain Prost. Berger foi o terceiro carro turbo naquele top ten, saindo em nono ao lado de Caffi, que conseguira uma classificação sensacional para a novata Scuderia Itália. Gugelmin aproveitou do bom momento da March e fez o oitavo tempo e Piquet saiu em 13º.
Ayrton teve uma forte oposição oferecida por Mansell que por muito pouco não virou a primeira curva como líder. Até a 12ª volta Nigel perseguiu Senna de muito perto, mas acabaria por rodar após tentar uma manobra sobre o McLaren nº 12. O inglês, que contraíra Varicela dias antes e estava correndo no sacrifício, não baixou os braços até que a exaustão por causa da doença o venceu na 60º volta obrigando o seu abandono. Senna ainda teve certa pressão de Patrese que abandonara com problemas no motor. Mais atrás  
(Flickr)
Prost fazia a sua corrida de recuperação e após superar Boutsen, estava no encalço de Ayrton. Na 49ª volta quase houve um repeteco do que acontecera em Paul Ricard: Senna estava prestes a dobrar os carros de Dalmas e Tarquini quando Prost aproveitou o momento e atacou os três, conseguindo efetuar a ultrapassagem. Mas com a velocidade que veio para tal manobra, o forçou travar tudo e com isso Ayrton mergulhou por dentro ainda na primeira curva para reassumir a ponta. O brasileiro tratou de abrir boa vantagem – algo em torno de 10 segundos – que o deixou confortável na liderança e nem mesmo uma nova reação de Prost perto do fim do GP pôde incomodar Senna. Boutsen, Berger, Gugelmin – que enfrentara problemas de câmbio e depois com a garrafa de líquido, ficando sem se hidratar até o fim da corrida - e Patrese fecharam os seis primeiros. Piquet envolveu-se num enrosco com Martini e terminou em oitavo. Senna assumia liderança do mundial pela primeira vez, ainda sim que empatado com Prost em 66 pontos; Berger seguia em terceiro com 28; Boutsen saltou de sexto para quarto com os mesmos 16 pontos de Alboreto e Piquet caía para sexto com 15.
Após uma corrida onde os turbos tiveram pela primeira vez uma ameaça real dos aspirados, as coisas voltaram ao normal em Spa-Francorchamps durante a disputa para o GP da Bélgica. Essa foi, também, a primeira vez que – até onde se sabe – Prost tentou mudar o jogo contra Senna e o que se revelou num grande erro do “Professor”.
Ayrton fez a pole com quatro décimos de avanço sobre Prost, com as Ferraris a “escoltá-los” tendo Berger e Alboreto na segunda fila e Patrese e Boutsen na terceira. Piquet marcou o nono tempo e Gugelmin o 13º lugar. A baixa nessa corrida foi a ausência de Mansell no grid, devido a sua varicela ele teve o veto médica para guiar nesse GP. O seu substituto acabou sendo Martin Brundle, que estava a serviço da Jaguar TWR no Mundial de Esporte Protótipos – que viria a sagrar-se campeão naquele ano.
Antes do inicio da prova, ainda no Warm-Up, Prost decidiu trocar o acerto do seu carro a fim de
diferenciá-lo do de Ayrton. O francês sabia que o brasileiro, desde a corrida de abertura, vinha copiando o acerto do seu carro e naquela corrida da Bélgica não fora diferente. Por isso a mudança que acabou não surtindo efeito.
Alain ainda conseguiu partir melhor que Ayrton, mas este conseguiu a ultrapassagem no final da Kemmel para desaparecer na frente e vencer a prova com uma larga vantagem de 30 segundos sobre o francês. Esta corrida não foi também uma boa para Ferrari, que viu os dois carros abandonarem por problemas mecânicos e assim, com dobradinha feita pela McLaren, a pífia chance de tentar algo contra o time de Woking no Mundial de Construtores fora para o limbo – a McLaren, com esse resultado, chegara aos 147 pontos contra 44 da Ferrari e encerrava ali a disputa pelo título nos Construtores. Outra que não teve uma boa jornada foi a Benetton: apesar dos seus dois pilotos (Boutsen e Nannini, respectivamente) chegarem logo atrás do duo mclariano, os carros foram desclassificados após a vistoria técnica onde foi descoberto o uso de gasolina ilegal. Desse modo, Ivan Capelli herdou o terceiro lugar – a sua melhor posição de chegada até então na F1 – com Piquet em quarto, Warwick em quinto e Cheever em sexto. Agora Senna assumia a liderança isolada do mundial com três pontos sobre Prost (75x72); Berger em terceiro com 28; Piquet subiu novamente para quarto com 18 pontos e Boutsen seguia empatado com Alboreto em 16 pontos, na quinta posição.
No intervalo da prova belga para a italiana, a comunidade automobilística italiana – e porque não, a mundial também – perdeu o seu expoente maior: Enzo Ferrari falecera em 14 de agosto por insuficiência renal. O ano da Ferrari, que já vinha sendo complicado no campo político e técnico, sofreu um grande golpe naquela temporada. No final de semana seguinte o GP da Itália seria disputado e nada mais válido do que um bom resultado para honrar a memória de Enzo. Uma vitória? Difícil, ainda mais tendo dois espetaculares pilotos no comando dos MP4/4 Honda Turbo que não haviam falhado em nenhum momento. Mas...
A verdade é que se havia alguma esperança para os “Tiffosi”esta começou a se esvair nos treinos quando Senna cravou outra pole para a sua coleção, com Prost logo em seguida. Berger apareceu em segundo com Alboreto em terceiro, seguido pelos Arrows de Cheever e Warwick. Piquet foi o sétimo e Gugelmin mais uma vez em 13º.
Prost fez uma bela saída, mas perdera a liderança para Senna ainda na primeira volta e após isso o francês viu o Mclaren nº12 desaparecer aos poucos do seu campo de visão. Mas o problema maior é o que veio
nas voltas seguintes para o bi-campeão do mundo: o motor Honda começou a apresentar falhas exatamente após a largada e isso foi aumentando até que Alain foi obrigado a ir para os boxes na volta 34 e lá constatar que a sua prova já havia terminado por causa destas falhas. Pela primeira vez no ano a McLaren perdia um carro por falha mecânica.
Senna continuava forte na liderança da prova, mas agora com Berger 26 segundos atrás. A falha do motor Honda no Lotus de Satoru Nakajima na volta 15 e depois a de Prost na 34, fez com que a luz amarela ascendesse na McLaren que imediatamente pediu a Ayrton para que ele baixasse a pressão do turbo e procurasse enriquecer a mistura de combustível. Faltando em torno de 18 voltas, era viável tomar essa cautela para preservar o motor e tentar sair de Monza com uma diferença confortável para Prost – em caso de vitória, Senna iria a 84 pontos contra 72 de Prost.
Ayrton já havia acatado a idéia e nem mesmo a aproximação de Berger naquelas voltas finais, não assombrava o piloto brasileiro. Mas na penúltima volta, quando ele levava quatro segundos sobre Berger, o inesperado aconteceu: Senna enroscara a rodas com o Williams de Jean Louis-Schllesser – que substituía o convalescente Nigel Mansell – na primeira chicane de Monza ficando impossibilitado de voltar para a prova. A torcida veio abaixo e Gerhard só precisou conduzir o Ferrari F187 para uma vitória improvável e para deleite da torcida enlouquecida, Alboreto fechou em segundo. Enzo Ferrari havia sido homenageado da melhor forma possível: com uma vitória e dobradinha em Monza, a casa da Ferrari. Completando os seis primeiros, a duas Arrows de Cheever e Warwick, com Capelli em quinto e Boutsen em sexto. O mundial continuou com Senna na frente de Prost (75x72); Berger em terceiro, mas subindo para 37 pontos; Alboreto indo para quarto com 22 pontos; Piquet quinto com 18 e Boutsen o sexto com 17.

Prost ameaça e Senna vence o mundial em Suzuka

Estoril presenciou o ápice do duelo entre Prost e Senna naquela temporada. Se nas etapas anteriores, principalmente onde eles se confrontaram diretamente pela vitória, houve certa lealdade por ambas as partes, em Portugal a aparente calmaria na casa da McLaren começou a ruir após duas manobras onde os dois astros estiveram presentes. E na reta final que o mundial ingressava, todo cuidado e panos quentes por parte de Ron Dennis seriam bem vindos.
Aquele não foi um fim de semana bom para Ayrton: ele perdera a pole para Prost e a sua corrida fora sofrível devido o consumo de combustível, que o relegou para a sexta posição e que por muito pouco não foi tomada por Mansell.
A prova teve duas largadas, sendo que a primeira foi anulada após um acidente entre Warwick, De Cesaris, Nakajima e Sala. Depois que todo procedimento foi refeito, os carros foram para a segunda largada, que passou sem nenhum acidente. Lá na frente, descendo o retão, Prost acaba espremendo um pouco Ayrton para a grama a fim de defender a sua posição. Mas conscientemente, Alain recua e dá o espaço para Ayrton, que assume a liderança. Os dois Mclarens na frente já era um sinal de um possível passeio, mas isso 
foi esquecido por todos quando os dois carros chegaram juntos na reta dos boxes para completar a primeira volta e Prost tentou a ultrapassagem por dentro, que foi logo rechaçada de um modo bem bruto por Senna, que o espremeu no muro interno dos boxes fazendo com que os mecânicos recolhessem as placas imediatamente. Foi um lance de arrepiar, afinal um movimento brusco de um dos dois e o acidente seria catastrófico naquela velocidade. Mais tarde Ayrton diria aos jornalistas que esta manobra fora uma “chamada de atenção a Prost pelo que ele havia feito na primeira volta”. De fato, Senna havia exagerado na dose...
Após este lance, Ayrton já aparecia atrás de Prost e daí em diante o piloto francês abriu boa vantagem para chegar a sua sexta vitória no ano. Capelli foi mais uma vez brilhante ao volante do seu March e conseguiu chegar ao segundo lugar, com Boutsen em terceiro. A quarta posição foi de Warwick, seguido por Alboreto e Senna que se safou dos ataques de Mansell no fim da prova. Piquet abandonou na volta 34 com problemas na embreagem e Gugelmin teve o motor Judd estourado na 59ª passagem. Alain retomou a liderança do campeonato, agora somando 81 pontos e Senna caiu para segundo com 76; Berger era o terceiro com 37; Alboreto foi para 24 pontos na quarta posição; Boutsen subiu para quinto com 21 e Piquet ficava em sexto com 18.
A F1 atravessou a fronteira e foi para Jerez onde se realizou o GP da Espanha, antepenúltima etapa do mundial. E aquela corrida foi nada mais que uma continuação dos percalços que Senna havia tido no Estoril na semana anterior.
Desta vez, ao contrário de Portugal, Ayrton havia voltado ao seu lugar habitual, a pole-position, com Prost em segundo e tendo Mansell – que já voltara da sua doença em Portugal – fazendo um belo trabalho com a sua Williams e a levando ao terceiro posto. Boutsen foi quarto, Nannini quinto e Capelli o sexto. O primeiro turbo, depois dos Mclarens, era a Ferrari de Berger na oitava posição. Piquet ficou em nono e Gugelmin em 11º.
Senna teve uma péssima largada e perdera posições para Prost e Mansell e agora se encontrava em terceiro, mas sempre no encalço do inglês que se defendeu bem dos ataques do McLaren nº12. Enquanto que Alain abria grande vantagem para Mansell, Ayrton caía de rendimento devido o consumo de combustível e também por problemas no câmbio. A pressão exercida por Capelli e Patrese resultou na perda da terceira posição para o italiano da March, que repetira o bom desempenho de Estoril, mas que
desta vez não trouxe nenhum lucro a ele quando o motor pifou na 45º volta. Prost venceu a corrida com 26 segundos de diferença sobre Mansell e Nannini completou o pódio. Senna salvou um quarto lugar após ter caído para sétimo na sua troca de pneus; Patrese e Berger fecharam os seis pontuáveis. Gugelmin terminou em sétimo e Piquet em oitavo, todos na mesma volta do vencedor. No mundial Alain foi a 90 pontos e Senna a 79; Berger foi para 38 pontos, Alboreto permaneceu com 24; Boutsen também manteve os seus 21 a exemplo de Piquet com os 18.
Devido o regulamento, onde os cinco piores resultados eram descartados, Prost aparecia na segunda posição da tabela de pontos com 72 contra 75 de Ayrton. A vantagem do piloto brasileiro era que ele havia contado com dois abandonos (Brasil – onde foi desclassificado – e Mônaco), uma não pontuação em Monza e um sexto e um quarto lugares (Portugal e Espanha). Prost teve dois abandonos (Grã-Bretanha e Monza) e os outros descartes provinham de três segundas posições. Portanto para Prost a vitória era vital para que ele continuasse com chances de título, caso contrário bye, bye um terceiro título. E para Ayrton o caso era igual: vencer ou vencer e se não acontecesse isso, a decisão iria para Adelaide.
A batalha entre os dois contendores se iniciou nos bastidores, quando Balestre mandou um comunicado à Honda pedindo igualdade nos equipamentos para os dois pilotos. Claro a Honda respondeu ao Senhor Balestre, mas de um modo não muito amigável...
Ayrton fez a sua 12ª pole no ano e mais uma vez com Alain ao seu lado. Berger, que chegou a incomodar as Mclarens na sexta com uma segunda posição, ficou em terceiro com o sempre surpreendente Capelli ao seu lado. Piquet e Nakajima, dando o ar da graça para o seu público, fecharam os seis primeiros. Gugelmin marcou o 13º tempo.
A largada foi o momento que o campeonato poderia ter ido pelo ralo para Ayrton: devido ao nervosismo ele não conseguira engatar a marcha e seu McLaren ficou parado no grid, enquanto que os carros que vinham atrás escapavam como podiam. Senna conseguiu fazer o carro pegar aproveitando o embalo da descida da reta de Suzuka, e quando virou a primeira curva estava no meio do pelotão. Ele ainda conseguira se recuperar bem e aparecer em oitavo na primeira volta.
Apesar de já estar entre os dez primeiros, não seria tão fácil chegar em Prost. A diferença subia progressivamente entre os dois, mesmo com Ayrton ganhando posições. Na 10ª volta Senna já estava em quarto, onze segundos atrás de Prost e no caminho entre os dois, o Ferrari de Berger (3º) e Capelli (2º). Aliás, Ivan foi era grande nome da prova junto de Ayrton: ele estava em segundo e se aproximava perigosamente de Prost, tanto que na 14ª volta Capelli tenta a manobra e por muito pouco não consegue assumir a liderança de vez, já que ele conseguira ficar a frente de Alain por alguns metros. Infelizmente problemas elétricos na 20ª volta privaram-no de um bom resultado no Japão.
Senna já estava na segunda posição quando uma leve garoa começou a cair na pista. Foi o momento que ele precisava para se aproximar de Alain e preparar o momento certo para o ataque, e mesmo com uma breve secagem do asfalto, que possibilitou o francês abrir uma pequena vantagem de dois segundos.
Mas foi na 27ª volta que aconteceu o lance da corrida: Prost teve um pequeno contratempo com Andrea De Cesaris na chicane e mais um erro na troca de marchas – que já vinha afligindo a sua pilotagem – permitiu a chegada de Senna que não perdeu tempo e preparou a manobra, colocando o McLaren do lado direito e com Alain forçando um pouco a barra. Mas nada disso adiantou e Ayrton estava na ponta do GP.
O piloto brasileiro aumentou gradativamente a diferença até bater na casa dos 5,2 segundos, momento que Prost ignorou os problemas de câmbio e foi para cima reduzindo para 1,2 segundos. Mas a velha aliada de Ayrton, a chuva, voltou a cair em Suzuka e todo trabalho que Alain teve para conseguir chegar próximo de seu rival não valeu de nada e o novo campeão do mundo cruzava a linha de chegada 13 segundos à frente de Prost. Boutsen terminou em terceiro, seguido por Berger, Nannini e Patrese. Piquet desistiu da corrida na 34ª volta por indisposição e Gugelmin mais uma vez, a exemplo do que acontecera na prova da Hungria, ficou sem se hidratar a prova toda e terminando em décimo. Já com os descartes contados, Senna foi aos 84 pontos e Prost aos 78. Berger continuou em terceiro, agora com 41 pontos; Boutsen foi aos 25, subindo para quarto; Alboreto ficou em quinto com 24 pontos e Piquet com 18 em sexto.
O GP da Austrália foi mais de festa do que de disputa em si. Com os dois mundiais decididos e os pilotos mais relaxados, a prova tinha tudo para ser a melhor da temporada. Senna havia machucado a mão durante um jogo de futebol, mas isso não o privara de alcançar a 13ª pole no ano. Prost ficou em segundo, Mansell terceiro – aproveitando-se bem do rendimento dos motores aspirados naquele tipo de pista – Berger quarto; Piquet o quinto e Patrese o sexto. Gugelmin não teve uma boa classificação e marcou apenas a 19ª posição.
Alain pulou na liderança da corrida e Senna foi logo pressionado por Berger, que o superaria na terceira volta e iria ao ataque pra cima de Prost. Gerhard fez uma corrida espetacular com uma pilotagem acima do limite, extraindo o que podia – e não podia – até passar por Prost na 14ª volta e abrir uma boa vantagem. Parecia que McLaren perderia a sua segunda prova no ano, mas Berger, ao tentar dobrar Arnoux, acabou batendo com o francês que não olhara no retrovisor. Fim de prova para Berger e caminho aberto para Alain vencer o seu sétimo GP do ano, com Senna se arrastando com a sua McLaren, que enfrentava problemas de câmbio, e com Piquet que vencer o duelo com Patrese pelo terceiro lugar. Três campeões mundiais dividindo o pódio na última corrida do ano, para coroar uma temporada histórica para a equipe de Ron Dennis. As demais posições foram ocupadas por Patrese, Boutsen e Capelli. Mauricio Gugelmin encerrou a sua corrida na 46º passagem quando bateu com Nakajima. A pontuação final (contando com os descartes) apresentava Senna com 90 pontos; Prost em segundo com 87; Berger terceiro com 41; Boutsen quarto com 27; Alboreto quinto com 24 e Piquet sexto com 22.
 

O fim dos turbos e Senna chega ao topo



Após onze anos de presença nos grids da Fórmula-1, os motores Turbos saíram de cena como já havia previsto a FIA desde a temporada de 1987. Neste período a tecnologia introduzida pela Renault durante o GP da Grã-Bretanha de 1977 teve participação fundamental em dois episódios que mudaram os rumos da categoria: o turbo foi um dos pilares que deram sustentação para a famosa batalha entre FISA x FOCA iniciada ainda nos indos de 1979, onde a entidade representando a FIA defendia o uso desta nova tecnologia enquanto que a FOCA apoiava veemente a permanência do efeito-solo para as equipes privadas. Entre idas e vindas, onde a FISA foi limitando o uso do efeito-solo, os turbos venceram a briga e tomaram
de assalto o Campeonato Mundial já em 1983. Nessa chegada dos turbos outro fato importante aconteceu: o desenvolvimento em larga escala dos propulsores. A cada temporada a potência aumentava e passou a existir motores específicos para classificação que chegaram a debitar 1.200, 1.300 até beirar os 1.500cv no penúltimo ano dos turbos da F1. Para se ter uma idéia, os Ford Cosworth, que venceram quase tudo entre 1968 até 1983 - ano da sua última vitória na categoria - tinham ganhado cerca de 100cv de potência neste período de quinze anos. Os turbos haviam elevado a potência em cerca de 400, 450cv em onze anos (isso nos motores de corrida). Foi uma época de ouro para a F1 e para o automobilismo.
Para Ayrton Senna, o novato que havia vencido por onde passara nas categorias de base, o olimpo tinha sido conquistado, enfim. A sua gana em derrotar Prost, como certa vez disse Jo Ramirez, foi recompensada com um título vindo de forma dramática em Suzuka, mas o que se vira durante todo o ano foi a sua determinação em cumprir esse desejo de vencer o "Professor" em qualquer tipo de situação. Ele não apenas queria aniquilar Alain nas corridas, mas também psicologicamente. Foi neste período que Prost percebeu o quanto que Senna desejava este titulo e tudo se confirmou no GP de Portugal com a famosa espremida no muro que levara de Ayrton. Ali foi plantada a semente da discórdia que o francês usaria a seu favor em 1989.
Mas de toda forma, foi um ano de ouro para a F1. Para a Mclaren. Para Senna.
(Foto: Abril)

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