segunda-feira, 25 de novembro de 2013

GP do Brasil: Interlagos não decepciona

(Foto: Reuters)
Que belo palco o circuito de Interlagos se revelou para  Fórmula-1 neste últimos anos, principalmente nestes últimos nove anos quando a pista paulistana passou do início para a rabeira do calendário do mundial em 2004. De lá para cá foram dez GPs disputados e seis decisões de títulos (2005, 06, 07, 08, 09 e 2012) e as mais variadas emoções no "Templo" do automobilismo nacional. Independente do tempo que sempre altera em determinados anos, as corridas foram ótimas. É claro que por excelência 2007, 08 e 2012 foram as grandes corridas em que a decisão do mundial esteve em jogo e a chuva - especialmente 2008 e 2012 - fez-se presente e nos brindou com doses cavalares de emoção e suspense. Ontem a chuva, que caiu a cântaros no sábado, resolveu tirar uma "folga" no domingo e nos privou de uma prova, no mínimo, caótica. Mas nem precisou para esta fosse sensacional em todos os sentidos.
Foi muito bom ver todos os pilotos empenhados neste último GP da era dos V8 2.4 que foram introduzidos a partir da temporada de 2006. Boas brigas no fundo do pelotão, assim como no meio e na dianteira, em especial pela segunda posição para baixo já que Sebastian Vettel teve apenas um pouco de trabalho com Rosberg durante a primeira volta, onde o seu conterrâneo conseguiu uma melhor partida e liderou quase toda a volta. Sebastian ainda conseguiu recuperá-la antes de passar pela linha de chegada, o que lhe deu a oportunidade de disparar e vencer a corrida tendo liderado todas as voltas. Foi a sua 13ª no ano (igualando a marca de Schumacher em 2004) e a sua nona consecutiva (que iguala também a marca feita por Ascari nos anos de 1952-53). Neste ritmo é provável que ele alcance as marcas de Michael Schumacher até o final da década. Merecido.
Não posso deixar de destacar o empenho de Mark Webber e Felipe Massa cujas carreiras  se encerraram, mas de modo distinto: enquanto que o australiano mudará para ares bem mais tranquilos, onde ele estará a
(Foto: Reuters)
serviço da Porsche no Mundial de Endurance a partir de 2014, Massa terminou a sua relação de onze anos com a Ferrari, sendo que oito delas como piloto da Scuderia (2003 foi piloto de testes e desde 2006 como piloto titular). As homenagens rendidas pelas suas respectivas equipes foram emocionantes, assim como as reações dos pilotos após a corrida: Webber fez tirou o capacete na volta de desaceleração para saudar o público e mostrar a eles o lado humano da competição e Felipe fez alguns donuts em frente a arquibancada da reta dos boxes para agradecer a torcida. Mas a corrida dos dois foram aguerridas, talvez empurrados pelo sentimento de dever cumprido em seus trabalhos. Mark foi combativo e duelou com Hamilton - a quem ele aplicou uma bela ultrapassagem por fora no Laranjinha - e depois com o seu amigo Fernando Alonso em duas ocasiões, todas pela segunda posição. Massa não teve uma boa classificação ao sair apenas em nono, mas fez uma boa largada e estava brigando com Lewis pela quarta colocação quando um Drive Through, por ter passado por sobre a linha branca que separa a entrada dos boxes da pista, o fez cair na classificação. Recuperou-se bem e terminou em sétimo. Merecia mais... Fernando Alonso também foi combativo e até conseguiu seguir o ritmo do Red Bull de Webber em alguma oportunidade, mas o seu Ferrari não tinha tanto folego para andar no mesmo passo dos "foguetes" de Milton Keynes. Ele esperava pela chuva, assim como os dois Mercedes de Rosberg e Hamilton, que estavam, nitidamente, acertados para o possível aguaceiro que não veio, e o que se viu foram os carros prateados despencarem na classificação. Menção para os "Mclarens Boys" Button e Perez que fizeram uma prova
(Foto: Getty Images)
honesta em Interlagos ao terminarem em quarto e sexto respectivamente, numa das piores temporadas da Mclaren desde 1980. Espera-se dias melhores por lá.
Apesar da chuva não ter caído e apenas uma levíssima garoa ter dado as caras na pista de Interlagos, a prova foi ótima. Como disse, pilotos extremamente animados proporcionaram bons duelos e transformaram essa corrida numa das melhores do ano. Foi bom que a temporada tenha terminado assim num ano que Sebastian Vettel não parecia ter condições de dominá-la amplamente, mas que a melhora do RB09 ainda no final da primeira parte do campeonato tenha dado à ele as condições perfeitas para extrair o máximo e dizimar a concorrência a pó. Foram 13 vitórias no ano, sendo nove consecutivas, fora a velocidade e tenacidade com que ele esteve nestas provas da segunda parte do campeonato.
Um campeonato absolutamente merecido para Sebastian, que parece ter, ou estar, alcançando o ápice de sua pilotagem. E apenas com 26 anos...

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