quinta-feira, 4 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 18ª A grande vitória dos Rosier em Le Mans

O Talbot Lago de Louis e Jean Louis Rosier marcando aquela que seria a única vitória de pai e filho em Le Mans e também a última pelas próximas duas décadas de um carro francês em Sarthe

Os Cadillacs em ação: na frente, o exótico Spider apelidado de "Le Monstre" e atrás o Sedan De Ville
Um ano após a retomada das 24 Horas de Le Mans, a lista de inscritos – contando com um recorde de 60 carros – já contava com carros mais novos e alguns especialmente feitos para a corrida. Foi o caso da Cadillac que, além de ter inscrito um “61 Sedan De Ville”, colocou na pista um protótipo Cadillac Spider baseado na construção de aviões – que teve a participação dos engenheiros da Gruman Aircraft no desenvolvimento deste – que rapidamente recebeu o nome de “Le Monstre”. A Cadillac também estava presente no Allard #4, fornecendo motor e este carro foi conduzido por Sidney Allard/ Tom Coley Jr. Ainda sobre a Cadillac, esta foi a primeira equipe a utilizar de modo oficial, a transmissão de rádio/ boxes durante a prova. Os testes já haviam sido feitos em 1949.
Além do Delletrez, que já havia participado da edição de 1949, outro carro movido a diesel tomava parte da corrida: o MAP (Manufacture D’Armes de Paris), pilotado por François Lacour/ Pierre Veyron, também contava com um motor a diesel. Mas os dois carros não foi muito longe: o MAP abandonou na volta 39 por vazamento d’água e o Delletrez, sempre conduzido por Jacques e Jean Delletrez, abandonou com problemas no motor quando estavam na 120ª volta.
Outra estréia importante em Le Mans foi o da Jaguar: três carros XK 120S foram inscritos e todos eles em equipes particulares. Descontando o #17 que abandonou com problemas de embreagem, o #15 terminou em 12º e o #16 em 15º. A Skoda também se fez presente com o seu modelo “1101 Sport”, que abandonou com problemas no motor. 
Apesar de termos carros novos para aquela edição alguns veteranos de Sarthe ainda tinham fôlego, como era o caso dos Bentley TT Corniche (1934) e Corniche (1939). A Ferrari, vencedora do ano passado, contava com dois novos modelos 195 SC que ficaram a cargo de Luigi Chinetti/ Pierre Louis Dreyfus (#24) e Raymond Sommer/ Dorino Serafini (#25). Outros três 166M estavam com equipes particulares. Pelo lado dos franceses, um punhado de nomes que fariam história pelos anos seguintes na novata Fórmula-1 estavam à serviço da Simca Gordini: Maurice Trintignant, Jose Froilan Gonzales, Juan Manuel Fangio e Jean Behra. Mas nenhum deles chegou ao final.
A força apresentada pela Ferrari #25 de Sommer/ Serafini durante a primeira metade da prova, fez que crer que mais ninguém teria chances contra aquele carro vermelho. O ritmo imposto, principalmente por Raymond, deixava claro que os concorrentes talvez o vissem apenas nas voltas que iriam tomar durante o certamente ou apenas quando o encontrassem comemorando a vitória. Mas um problema elétrico na 12ª hora de prova ceifou a chance de Sommer vencer pela quarta vez em Sarthe. A outra Ferrari, conduzida por Chinetti/ Dreyfus, abandonou sete horas depois com problemas de transmissão.
Sem a Ferrari por perto, apareceu o Talbot Lago T 26C GS #5 de Louis e Jean-Louis Rosier que recuperava-se bravamente de problemas enfrentados ainda na quinta hora de prova, que o fizeram ficar parados por 45 minutos. O esguio carro de F1 abriu caminho por meio dos demais que estavam em pista para chegar à liderança e vencer de forma incontestável. Tinha sido uma vitória marcante e tornou-se conhecidíssima pelo fato de Louis Rosier (pai de Jean) ter pilotado por quase toda a prova, deixando que o filho tomasse o volante por apenas duas voltas...
A segunda posição foi de outro Talbot Lago derivado dos carros de F1, com Pierre Meyrant/ Guy Mairesse ao volante. O Allard-Cadillac de Allard/ Cole Jr. Terminaram num belo terceiro lugar.
Ainda sobre a vitória dos Rosier, Jean, passado um bom tempo, declarou que o folclore criado em torno do seu pai tinha sido um engano por conta do locutor da prova que frequentemente anunciava o nome de Louis a todo o momento nos alto falantes espalhados pelo circuito. Isso levou a ACO a creditar todo aquele tempo para Louis pai no resultado final da prova.    

Foi a primeira e única vitória de pai e filho em Le Mans. Para o automobilismo francês, eles demorariam 22 anos até verem outro carro local vencer as 24 horas. 

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