segunda-feira, 8 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 20ª O heroísmo de Levegh e a primeira vitória da Mercedes em Sarthe

A Mercedes vencendo pela primeira vez em Sarthe com o velho Hermann Lang e Fritz Riess ao volante do 300SL

Apesar do grande azar que teve quando estava prestes à vencer, o nome de Pierre Levegh será sempre lembrado quando alguém quiser exemplificar algum ato de coragem e persistência no automobilismo

As fábricas continuavam a encarar Le Mans como a grande prova para, além de mostrar a eficiência de seus veículos ao público, ainda testar novas peças que iriam parar nos seus carros de série. Mas a vitória naquele certamente passava a ser, claramente, o objeto de grande desejo das construtoras e os esforços não seriam medidos.
A Jaguar, detentora da última vitória, colocou três novos C-Type a disposição das duplas Stirling Moss/ Peter Walker (#17), Tony Rolt/ Duncan Hamilton (#18) e Peter Whitehead/ Ian Stewart (#19). A Ferrari teve quatro modelos 340 America divididos em quatro equipes particulares, destacando-se Luigi Chinetti/ Jean Lucas (#12) e Louis Rosier/ Maurice Trintignant (#15). A Aston Martin levou cinco carros: três DB3 – dois Spider e um Coupe – que foram destinados a Lance Macklin/ Peter Collins (#25), Dennis Poore/ Pat Griffith (#26) e Reg Parnell/ Eric Thompson no Coupe (#27) e outros dois DB2 Coupe. Para os franceses, as esperanças repousavam sobre os Talbot T26 GS que agora levavam uma carroceria que cobria os pneus, mas apenas três estavam correndo legalmente: Pierre Levegh inscreveu um dos Talbot para ele e René Marchand (#8) e o outro Talbot - aparentemente convidado para a prova, já que terminaria a prova em nono, mas não contaria a sua classificação no final –, com um motor de oito litros, foi comandado por André Chambas/ André Morel (#6); Pierre Meyrat/ Guy Mairesse, duplamente vice-campeões das duas últimas edições, alinharam o Talbot #9. Eugene Chaboud/ Charles Pozzi estavam no outro Talbot de #65.
Mas desta vez a grande atração para a 20ª edição da grande prova não repousava sobre os competidores mais assíduos: a presença da Mercedes Benz, que havia retornado há pouco tempo às competições, já causava alguns arrepios em seus concorrentes mais diretos. O duelo com a Ferrari durante as Mille Miglia daquele ano tinha sido um bom aviso do que aquelas novas 300SL “Asa de Gaivota” podiam fazer. Três 300SL foram pilotadas por Theo Helfrich/ Helmut Nierdermayer (#20), Hermann Lang/ Fritz Riess (#21) e Karl Kling/ Hans Klenk (#22).
A corrida acabou sendo uma verdadeira prova de resistência, já que dos 57 carros que partiram no sábado à tarde, apenas 17 chegaram ao final. Nem mesmo os favoritos agüentaram o ritmo: a Jaguar decepcionou ao ficar de fora logo na primeira hora de prova quando seus três carros abandonaram por problemas de refrigeração. Com uma Ferrari 250S Coupe da equipe oficial, Alberto Ascari, que dividira o volante com Luigi Villoresi, cravaria a melhor volta da prova (quebrando o recorde, por sinal), mas também abandonaria com problemas na embreagem. A liderança da prova ficou com o Gordini de Jean Behra/ Robert Manzon, mas este abandonaria em seguida também. Pierre Levegh assumia a liderança e ali começava uma epopéia que quase terminou num dos feitos da história do esporte a motor: pilotando de forma incansável, o piloto francês tomou posse do seu Talbot #8 por quase toda a prova e não deu chance alguma para que Marchand pudesse, ao menos, dar uma volta pela pista francesa. Inicialmente a sua diferença para os Mercedes era de uma volta e essa distância aumentou para quatro voltas sobre os carros alemães. Na nona hora, o Mercedes pilotado por Kling/ Klenk teve problemas elétricos e abandonou.
Quando a prova aproximava-se do final, com menos de duas horas para o fim, Levegh baixou o ritmo e deixou que uma volta fosse descontada pelos Mercedes, mas o piloto francês já não estava em boas condições físicas naquele momento. Quando a vitória parecia certa, o cansaço acabou vencendo Levegh: um erro na troca de marcha acabou danificando as engrenagens e forçando o abandono dele. O sonho de vencer em Le Mans e de forma heróica, tinha se esvaído. A Mercedes, com seus dois carros restantes, apenas descontou aquela desvantagem e cruzou a linha de chegada com Lang/ Riess em primeiro e Helfrich/ Nierdermayer em segundo, com uma volta de desvantagem. O Nash-Healey #10 de Leslie Johnson/ Tommy Wisdom fechou o pódio. De se destacar também o desempenho de Briggs Cunningham que também pilotou por mais de 20 horas o seu Cunningham C-4R Chrysler. Mas ao contrário de Levegh, o seu companheiro William Spear teve a chance de pilotar. Pouco, mas pilotou!
A Porsche continuava a angariar os louros da vitória em Sarthe: pelo segundo ano consecutivo os alemães conquistavam a vitória na classe S.1 (751/1100) com o modelo 356/4, dando aos franceses Auguste Veuillet/ Edmond Mouche o bi-campeonato desta classe. Além do carro vencedor, outros dois foram inscritos pelos alemães, mas estes não chegaram ao final. 

Um comentário:

  1. It’s refreshing to read a good quality article for a change. You’ve made many interesting points and I agree. This has made me think and for that I thank you.
    Bruno Meyrat

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