terça-feira, 9 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 21ª A retomada das 24 Horas pela Jaguar

A segunda vitória da Jaguar após uma batalha épica com a Ferrari por mais de 17 horas
Após uma pífia apresentação em 1952, onde seus três carros ficaram pelo caminho ainda na primeira hora de prova, o que se podia esperar da Jaguar para esta edição de 1953? A grande exibição de dois anos antes dominando amplamente a prova, ainda estava bem viva na memória daqueles que já acompanhavam as 24 Horas anualmente e toda aquela decepção seria varrida para debaixo do tapete? Quem sabe... A julgar pela Mille Miglia daquele ano, poucos achavam que a fábrica britânica teria ritmo suficiente para ameaçar a força da Ferrari e Alfa Romeo, que haviam apresentado uma bela performance. Mas, cada corrida é uma corrida... A Mercedes não estava presente nesta edição para defender a sua vitória do ano anterior.
A Itália vinha bem representada: Ferrari, Alfa Romeo e Lancia, juntas, somavam dez carros em pista. A Ferrari era a que tinham mais carros inscritos entre as três fábricas, sendo que três novas 375MM foram para Alberto Ascari/ Lugi Villoresi (#12), Giuseppe Farina/ Mike Hawthorn (#14) e Paolo Marzotto/ Gianino Marzotto (#15). A outra Ferrari, uma 340MM, estava sob o nome de Luigi Chinetti em parceria com Tom Cole Jr. Na Alfa Romeo, três modelos 6C/30, que ficaram para Consalvo Sanesi/ Piero Carini (#21), Juan Manuel Fangio (#22) e Karl Kling/ Fritz Riess (#23). A Lancia também aparecia com três carros, todos D20 Compressor, destinadas a Piero Taruffi/ Umberto Maglioli (#30), Robert Manzon/ Louis Chiron (#31) e Felice Bonetto/ Luigi Valenzano.
Os britânicos repousavam as suas esperanças na Jaguar e Aston Martin, que tinham feito boas apresentações nas últimas edições da prova, mas também contavam com a presença do Allard, Austin Healey e Bristol. A Jaguar, agora mais bem pronta que no ano anterior, apresentava a novidade nos freios dos revisado C-Type (XK 120C) que deixavam de ser a tambores para ser a disco. Quatro modelos deste foram inscritos para a prova, sendo três de fábrica e um particular. Os de fábrica contavam com os mesmos trios do último ano: Stirling Moss/ Peter Walker (#17), Tony Rolt/ Duncan Hamilton (#18) e Peter Whitehead/ Ian Stewart (#19). O Jaguar semi-oficial, inscrito pela Ecurie Francorchamps, foi pilotado pelos belgas Roger Laurent/ Charles de Tornaco levando o #20. A Aston Martin inscreveu três DB 3S que ficou para Reg Parnell/ Peter Collins (#25), Roy Salvadori/ George Abecassis (#26) e Dennis Poore/ Eric Thompson (#27).
Já a França, que sempre contou com um bom número de equipes e carros na disputa pela vitória, teve que se contentar com apenas quatro Talbot T26 GS inscritos (três pela fábrica e um particular). O Talbot particular, inscrito por André Chambas, era o mesmo com motor de oito litros que competira em 1952 e André dividiu o volante do #6 com Charles de Cortanze. Os outros três Talbot, como motores de quatro litros, estavam sob os comandos do valente Pierre Levegh/ Charles Pozzi (#7), Louis Rosier/ Elie Bayol (#8) e Guy Mairesse/ Georges Grignard (#9).
A corrida revelou-se ser uma das melhores: a batalha ferrenha entre Jaguar e Ferrari, especialmente entre os carros de Rolt/ Hamilton (#18) e a Ferrari de Ascari/ Villoresi (#12), monopolizaram as atenções do público e imprensa por quase todo o certame da prova. Sendo “comboiados” pelos outros Jaguares, Ferraris e Alfa Romeos, estes últimos bem de perto, mas sem ameçá-los, os dois primeiros travaram uma disputa de gato e rato e sempre com o #12 a fazer voltas mais rápidas e o #18 a responder a altura. A liderança foi trocada várias vezes, sendo que isso aconteceu mais durantes as paradas de box do que por disputa direta. Os Alfas foram sendo eliminados pouco a pouco e a briga ficava polarizada entre os Jaguar #18, Ferrari #12 e o Jaguar #17, mas a fadiga mecânica começava a impregnar no carro de Ascari e Villoresi: problemas de embreagem desde as 9 da manhã fizeram com que eles despencassem para quinto e as 11 horas acabaram por abandonar. Antes disso, a tragédia abatera sobre Le Mans: o Ferrari de Cole Jr., companheiro de Chinetti, passara reto na Maison Blanche e batera. O piloto americano teve morte imediata.
Sem os Ferraris por perto, restou a Jaguar brandar o ritmo de seus dois carros e encaminhá-los a segunda vitória da marca em Le Mans e desta vez com a dobradinha feita com o #18 de Rolt/ Hamilton e o #17 de Moss/ Walker. A terceira posição foi do Cunningham #2 de Phil Walters/ John Fitch.

Destaque mais uma vez para a Porsche que vencia novamente: correndo numa classe acima, a S 1.5 (1101/1500), os alemães inscreveram três carros nesta classe e conseguiram uma dobradinha: pilotando as novas 550 Coupe, Richard von Frankenberg/ Paul Frère venceram e a segunda colocação ficou para Hans Hermann/ Helmut Glöckner. 

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