quarta-feira, 22 de junho de 2016

84ª 24 Horas de Le Mans: A (inesperada) 18ª da Porsche

Até certo momento, para ser mais preciso até a última volta, era quase unânime que a Porsche teria que adiar a sua 18ª conquista em Sarthe por mais um ano. A Toyota estava formidável: não tinha aquela velocidade alucinante de dois anos atrás, mas a desse ano era suficientemente o bastante para confrontar a Porsche. E estava dando certo: Por mais que a fábrica alemã tivesse respondido bem durante a madrugada, a fábrica japonesa respondia a altura. Aliás, isso tinha sido a tônica por quase toda a prova e até aquele final, com mais de 1minuto e trinta de desvantagem, era compreensível que jogassem a toalha. Até que o imponderável apareceu e resolveu o assunto quando Nakajima, a bordo do TS050 #5, passou a gritar no rádio sobre a perda de potência no sistema elétrico de seu carro. E quando parou logo após a linha de chegada, restou apenas ao Porsche 919 Hybrid #2 arrancar para uma conquista histórica.
A Porsche foi impecável em todos os estágios, se contarmos a partir dos treinos livres: se a Audi aparecia como uma potência adversária, a Porsche tratou de confrontar essa possibilidade e com seus co-irmãos aparentemente de fora de uma batalha por causa dos problemas enfrentados desde a quarta, era de esperar que a Toyota fosse a grande rival. E como foi! Os japoneses esconderam bem o jogo desde os testes de quinze dias antes para jogar pesado no dia da corrida e entrar pra valer na disputa. A Porsche precisou mudar o jogo no meio da madrugada para não perder tanto terreno para os nipônicos ao fazerem stints continuos - entre três e quatro - com o mesmo jogo de pneus e apenas abastecendo e trocando os turnos dos pilotos. Isso foi essencial para que pudessem ficar próximos do duo da Toyota. E mesmo que não acreditassem mais numa possível vitória, a grande virada aconteceu quando não havia mais esperança para tal. O rosto dos integrantes da Porsche e a explosão de alegria de Romain Dumas e Marc Lieb mostram bem isso.
Temos de dizer que o Porsche #2 teve a benção de ser o único dos híbridos a não enfrentar nenhum problema crônico, coisa que o seu gêmeo #1 teve e os das Toyota e Audi também enfrentaram. Isso deu a grande chance para que pudessem fazer o grande trabalho que culminou nessa vitória pra lá de inesperada.
Foi a 18ª conquista da Porsche e apesar de seu favoritismo inicial, as coisas foram mudando de figura até chegar naquele desfecho cinematográfico. Mas o melhor de tudo foi vê-los reconhecer reconhecer a força e luta que a Toyota lhes deram nessa edição.
Foi um grande dia em Sarthe.

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