terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rudolf Caracciola 1901-1959


Há 50 anos morria em Monchenberg, Suiça, o piloto alemão Rudolf Caracciola. Considerado como um dos maiores de sua época, ele foi o piloto oficial da Mercedes nos periodos entre as duas guerras e foi campeão europeu de pilotos nos anos de 1935, 37 e e 38. Nascido em Remagen, Alemanha, em 30 de janeiro de 1901, iniciou sua carreira automobilística em 1922 correndo com um carro particular. Em 1925 juntou-se à Mercedes e ganhou sua primeira corrida importante no mesmo ano, o GP da Alemanha disputado em AVUS. Sua carreira prolongou-se por trinta anos até abandonar as pistas após se acidentar numa corrida em Berna, 1952, quando ele estava voltando as competições após outro acidente que sofrera em Indianápolis quando um passáro lhe acertou o rosto nos treinos das 500 Milhas. Algumas fases importantes da carreira Caracciola:




MILLE MIGLIA 1931- Na famosa prova italiana eram os pilotos da casa quem mandavam. Caracciola se apresentou para essa prova, ao lado do seu co-piloto Wilhelm Sebastian, com uma Mercedes SSKL de 7.000cc e 1,5 toneladas. Os italianos deram de ombros, afinal não colocavam fé de que os alemães fossem páreo para os Alfa- Romeo de 2.300cc de Nuvolari, Borzacchini e Arcangeli. Caracciola ignorou a lógica e pilotou como nunca, andando acima do limite de sua Mercedes para garantir uma vitória histórica para os alemães na Mille Miglia, no se configurou a primeira derrota dos italianos nesta prova. Ele tinha calado o público.







RELAÇÃO DE PAI E FILHO- Alfred Neubauer, diretor esportivo da Mercedes, tinha uma relação fortissíma com Caracciola de longa data, mais precisamente de 1929, quando a Mercedes estava para sair das competições devido a crise. Caracciola prometeu voltar à equipe assim que está regressasse aos grandes prêmios que aconteceu em 1934. Mas Caracciola só estreou no GP da França, em Montlhery, pois ainda se recuperava do acidente sofrido em Mônaco um ano antes durante os treinos em que quebrara a perna direita. Essa relação era tão forte que acarretou alguns problemas na Mercedes. Alguns pilotos tinham que fazer jogo de equipe para favorecer Rudolf, tanto que Fagioli, um dos melhores pilotos italianos na época, foi vítima algumas vezes disso. Ele não aguentou e no ano seguinte partiu para a rival Auto Union.






A CORRIDA DE CARACCIOLA- Vencer uma corrida em casa é sempre fantástica e a sensação é indescritível, mas naquela época vencer o GP da Alemanha era obrigação. Rudolf venceu essa prova por seis vezes: em 1925 em AVUS e as outras cinco nos anos 30 (em 1931 ele venceu com Alfa) sendo todas, inclusive a de 1925, com a Mercedes. (A foto é de Nurburgring 1939 vencida por Caracciola)





REGENMEISTER- O mestre da chuva, assim era conhecido Caracciola por sua perícia em pista molhada. A mais famosa de sua exibições aconteceu em Mônaco 1936 quando disputou roda a roda com Nuvolari, outro gênio em piso molhado, a vitória no GP monegasco daquele ano. Por mais que estivesse com uma Mercedes, ele não teve sossego com os ataques de Nuvolari e sua Alfa-Romeo até que este abandonasse a prova com problemas deixando assim caminho livre para a vitória de Caracciola. A chuva era tanta que os pilotos da Auto Union estavam usando a segunda marcha para percorrer o traçado todo. (A foto é do GP de Mônaco de 1936)




OS RIVAIS- Qualquer piloto que tenha um certo destaque acaba por ter seus rivais. Caracciola não era diferente. Nos anos trinta os mais próximos eram Nuvolari, Fagioli e Rosemeyer. Com Nuvolari ele dividiu os carros da Alfa Romeo no ano de 1932 e acabou tendo que entregar, por várias vezes, vitórias para o piloto italiano. Vendo que não tinha condições, acabou comprando uma Alfa P3 e dividindo o volante com seu amigo e piloto Louis Chiron em 1933. Dai, na estréia dos dois no carro, Caracciola sofreu seu grave acidente e ficou de fora da temporada até o ano de 34. Nessa época ele voltou à Mercedes e tinha como um dos seus companheiros, o italiano Luigi Fagioli e ambos não nutriam nehuma simpatia um com o outro. E as coisas pioraram quando Neubaure começou a fazer jogo de equipe favorável à Caracciola, assim Fagioli também saiu da equipe. A outra rivalidade foi curta, mas mecheu com a nação alemã. Rosemeyer se deestacava mais e mais ao volante de sua Auto Union e ele tinha uma pilotagem muito mais atirada do que a de Caracciola o que acabou conquistando os alemães e isso se prolongou até 1938 quando numa tentativa de quebra de velocidade no trecho Frankfurt-Darmstadt, Rosemeyer morreu quando seu carro foi apanhado por ventos laterais e jogado para fora da pista. Ele tentava bater o recorde que Caracciola tinha estabelecido horas antes que era de 432Km/h. ( Da esquerda para a direita as fotos: Nuvolari, Fagioli e Rosemeyer)


OS ACIDENTES- Na sua carreira Caracciola teve 3 graves acidentes. O primeiro, como já tinha dito, aconeteceu em 1933 em Mônaco quando seu carro perdeu o freio e ele bateu de frente quebrando a perna direita, fazendo com que ficasse de fora do resto do campeonato. A segunda foi em 1946 quando tentou correr as 500 Milhas de Indianápolis. Durante os treinos um pássaro bateu em seu rosto. Ele ficou em coma por 10 dias correndo o risco de morrer, mas acabou escapando para voltar 6 anos depois quando a Mercedes também voltava as competições. Durante um treino em Berna, pilotando o modelo 300SL da Mercedes, ele escapou e bateu de frente numa árvore que acabou por quebrar a sua perna esquerda. Depois disso ele nunca mais voltou a pilotar.

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