quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Foto 542: A última dobradinha

Sabe-se que a vida destes dois senhores da foto que encabeça a postagem, não foram das mais fáceis até certo ponto de suas carreiras: enquanto que Roberto Pupo Moreno teve um título histórico na F3000 em 1988 e uma passagem sofrível pela Coloni em 89 - que repetiria em 1990, agora pela EuroBrun -, Nelson Piquet também passara por momentos complicados na Lotus nas duas temporadas anteriores - e com com direito a não classificar-se para o GP da Bélgica de 89. Um martirio.
Apesar de as coisas terem melhorado para Piquet, que agora era piloto da Benetton, o ano de 1990 não estava a ser fácil para Moreno que teria, mais uma vez que desdobrar-se para passar nas pré-qualificações com um carro que ia caindo aos poucos de rendimento, devido devido a má vontade - ou picaretagem - do time em não repassar a verba dos patrocinadores para o desenvolvimento do carro. Até a Coloni, qu começara o ano com um sofrível motor Subaru de 12 cilindros, agora passava à frente deles - mesmo que não escapasse da degola das prés -, deixando a equipe à frente apenas da Life que era a pior equipe do grid. Tanto que as duas equipes não participariam das duas últimas provas.
Com o acidente de Nannini, que ficara impossibilitado de pilotar por um bom período devido perda de parte do braço - que foi brilhantemente reimplantado, possibilitando a volta do piloto italiano na DTM -, Moreno foi chamado para substituí-lo na Benetton. Uma boa oportunidade e num carro decente para ao menos realizar um fim de semana completo e de problemas quase a zero.
As circunstâncias daquela prova do Japão deu à F1 e todos que assistiram aquele GP, a oportunidade de ver um dos melhores pódios da década: o acidente de Senna e Prost na largada; a saída de Berger logo a segunda volta e a quebra de Mansell após um pit stop, deu a Piquet e Moreno a chance de levar a Benetton a primeira dobradinha deles na F1 e automaticamente a última de pilotos brasileiros na categoria.
"Dedico o meu segundo lugar ao Alessandro pois apenas estou a dar continuidade ao trabalho que ele realizou este ano e também ao Nelson, pelo tanto que ele me ajudou no início da minha carreira. Foi ele quem me mostrou o caminho do automobilismo internacional, e agora posso dizer que já o achei. Tudo se passou tão depressa que nem realizei ainda o que se passou. Fiquei surpreendido até comigo próprio." Essa foi a fala de Moreno ao final daquele GP. Foi um pódio especial, tendo dois caras que se conheciam desde os tempos de garoto, onde passavam horas fuçando carros em busca de conhecimentos que seriam muito bem usados por eles nos anos seguintes. O pódio foi uma recompensa por todo esforço que ambos passaram, principalmente nos anos anteriores. Para Nelson, foi o regresso à linha de frente após três anos de jejum. E aquele dia ficou marcado, também, pela presença de Aguri Suzuki na terceira posição, sendo o primeiro japonês a subir num pódio na F1. E logo no GP de casa.
Foi um grande dia, diga-se.

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