domingo, 21 de junho de 2015

Crash: Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, Red Bull Ring 2015

E neste vídeo amador, fica claro a perda de controle de Raikkonen praticamente em linha reta e o azar (mais um) de Alonso, ao tentar passar o finlandês no local onde acabou por ser acertado.
A imagem é impressionante e ainda bem que os danos foram apenas materiais para os dois decanos da categoria.

GP da Áustria: Fazendo apenas o básico

(Foto: Autosport)
Nico Rosberg é um cara subestimado. A sua pilotagem não é tão vistosa como de outros pilotos top, sempre deixa as pessoas a duvidar se ele é capaz, ou não, de conseguir o sucesso com mais freqüência. Talvez não se lembrem de suas ótimas provas, principalmente aquelas onde ele soube aproveitar-se bem dos problemas enfrentados por Lewis Hamilton, para cravar uma vitória e colecionar os pontos que eram importantes para o andamento do mundial. A temporada de 2014 ficou muito marcada mais pelos seus erros nas provas finais – e o incidente com Lewis na Bélgica – do que pela sua velocidade que é, talvez, o seu único trunfo e isso ficou claro principalmente nas classificações da temporada passada. Mas como vale é o resultado final, a última impressão é a que ficou.
Este ano tem sido crítico para Rosberg tentar algo nas classificações. Nas voltas em que ele tenta superar Hamilton, sempre acontece um erro para atrapalhá-lo. Descontando em Barcelona, onde ele foi soberano, cometeu erros em Monte Carlo, Montreal e agora no Red Bull Ring, quando passou reto na última curva quando estava prestes a tomar a pole de Lewis. O carro ficou parado na brita e o piloto alemão voltou a pé para os boxes.
Se beneficiando de uma largada bem melhor que Hamilton, Nico conseguiu repetir o que fizera brilhantemente em Barcelona: cravou voltas extremamente melhores que o seu companheiro e apenas passou a administrar a vantagem para Lewis, sem nunca receber ameaça. Relaxou um pouco na parte final da corrida ao deixá-lo chegar mais perto, mas com a punição de cinco segundos que seria acrescida ao tempo de Hamilton, devido a queima da faixa branca na saída do box, Rosberg estava mais relaxado do que nunca para se dar esse luxo. O reconhecimento do bom trabalho dele por Lewis, só mostra o quanto ele estava acima dos demais nesse fim de semana.
Nico Rosberg tem a estirpe de um Damon Hill: não é brilhante, mas é veloz. Faz o básico e isso acaba gerando um pouco a implicância dos que não vêem nele um piloto sem aquela aura de campeão do mundo. Mas assim como Hill, faz o “feijão com arroz” para manter-se vivo entre os demais e com o carro que tem, ainda pode guardar as suas reservas para tentar algo mais ousado.
Apesar de não ter apresentado uma pilotagem que arrancasse aplausos unânimes talvez um dia essa oportunidade chegue, mas por enquanto ele vai fazendo o básico para continuar na luta pelo seu primeiro título mundial. Se vai conquistar, é outra história, mas já é bastante para um cara que muitos acreditavam que nem iria fazer frente a Lewis neste ano. E tem conseguido.

Sobre a corrida


Foi uma boa corrida até. É claro que sempre se espera um pouco mais de ação, mas com toda a preocupação em torno da economia de combustível, as primeiras voltas sempre se tornam mais amarradas por conta disso. Mas não foi o que Rosberg fez parecer ao conseguir uma largada bem melhor que Hamilton e sumir na frente, cravando tempos de volta bem superiores que qualquer e se tomando uma boa distância de seu companheiro. Com poucas voltas, o duo da Mercedes possuía toda a reta dos boxes de vantagem sobre Sebastian Vettel. Impossível não dizer o tamanho da lavada que mais uma vez eles deram na concorrência, mas a impressão é que por mais que a Ferrari melhore seu carro e motor, os alemães têm uma (boa) reserva para tirar. Mas isso é apenas quando é preciso, como foi o caso de hoje: é como se tivessem deixado a Ferrari se divertir nos treinos livres, e tomando o brinquedo da mão deles no domingo.
Sebastian Vettel estava se encaminhando bem para mais um pódio, mas o erro no pit stop, quando um mecânico não conseguiu encaixar rapidamente o pneu traseiro direito, o fez perder a terceira colocação para Felipe Massa. A caça implacável de Vettel sobre o brasileiro nas voltas finais foi um dos melhores momentos do ano, mas Felipe estava num bom dia e conseguia tracionar melhor seu Williams nas saídas de curvas, principalmente naquelas onde davam acesso aos setores para o uso do DRS, e isso dificultava demais a vida de Sebastian que não teve uma chance real de ultrapassagem.
Por falar em duelos, Maldonado teve dois momentos bem tensos na prova onde poderia ter tido um daqueles acidentes cinematográficos, ao quase escapar com seu Lotus após a primeira curva e pouco tempo depois ter feito uma manobra assustadora que fez o seu carro balançar totalmente: estes dois lances foram em momentos que ele procurava ultrapassar Max Verstappen na luta pela sétima colocação. Ele conseguiu exatamente na segunda vez, onde precisou de uma habilidade acima da média para segurar o carro. Na sequência, com o Lotus devidamente alinhado, passou por Max que errara a freada. Apesar da tensão na manobra – e por saber que era Maldonado quem estava na jogada –, as coisas deram certo. Felipe Nasr também teve boa atuação, que tinha sido demonstrada desde os treinos, mas o Sauber não é melhor dos carros e piloto brasileiro acabou ficando em 11ª. Ao menos seus desempenhos têm sido muito bons, até.
Talvez muito inspirado na sua conquista em Le Mans, Hulkenberg fez a sua melhor corrida até aqui nesta temporada ao conseguir um ritmo satisfatório a ponto de andar entre os primeiros por toda a prova, perdendo a posição para Bottas. Apesar a comoção da maioria pós vitória em Le Mans, onde todos aclamavam – e aclamam – para que ele consiga uma equipe de ponta já para o ano que vem, basta lembrar que o trabalho que Hulkenberg precisa fazer para conquistar tal espaço, precisa ser feito dentro da F1. Lá fora ele demonstrou, sim, que é um dos melhores, mas a vitória não foi apenas dele.
Sobre Kimi Raikkonen e McLaren, as coisas chegam a dar pena, confesso: enquanto que o finlandês teve o seu segundo dissabor, ao ver o carro destracionar praticamente em linha reta e causar um acidente que poderia ter machucado ele e Alonso, a McLaren continua com a nuvem negra acompanhando ela a todo o momento: já não bastassem os problemas nos treinos que jogaram seus dois pilotos para a última fila, ainda teve o acidente que tirou Alonso da corrida logo na primeira volta e o abandono de Button após ele ter pagado o drive through ainda recorrente as posições restantes da punição que levou.
O único sinal que não aparenta ter fim para aqueles lados, é o término da draga que eles se meteram.

  

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Vídeo: Testes de pré-temporada, 1982

Provavelmente este documentário tenha sido algum especial para a TV francesa sobre os preparativos para o Mundial de Fórmula-1 de 1982, que contava com a volta de Niki Lauda pela Mclaren e a possibilidade de uma conquista francesa naquele ano.
Acredito que este vídeo seja mais extenso, mas ao menos é um bom registro de uma época em que a F1 se importava pouco com o luxo e mais com as corridas.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Vídeo: Sobre a 17ª da Porsche em Le Mans

E a Porsche mandando bem mais uma vez. Agora neste vídeo tributo, onde o passado glorioso é lembrado e o presente exaltado.
E que venham mais vitórias. Sempre!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Foto 526: 45 anos depois...


Duas fotos separadas por 45 anos: na primeira foto, os festejos da conquista de Hans Hermann e Richard Attwood na edição de 1970 das 24 Horas de Le Mans onde a Porsche alcançou pela primeira vez a vitória na geral com o Porsche 917K.
Passados 45 anos, Nico Hulkenberg, Earl Bamber e Nick Tandy, repetiram o feito com o 919 Hybrid após um ano do retorno da Porsche ao endurance na classe principal e 16 anos depois da última conquista da marca em Sarthe.
Coincidentemente estas duas conquistas emblemáticas da Porsche se deram exatamente neste 14 de junho. Comemorações em dobro para a fábrica de Stuttgart. 

83ª 24 Horas de Le Mans: E os donos da casa voltaram

Me recordo de uma frase dita por Tony Kanaan durante uma matéria que foi exibida antes das 500 Milhas de Indianápolis deste ano, onde ele dizia que “que aquela pista tinha vida própria. Ela escolhia quem deveria vencer naquele ano”. De certa forma ele tem razão: quantas foram as vezes que vimos um piloto estar com a vitória garantida no Brickyard e simplesmente por um problema mecânico ou acidente, perdê-la? Foram muitas até. Acho que essas pistas míticas, como é o caso de Indianápolis, costumam pregar essas peças tendo a participação ativa dos “deuses do automobilismo” na escolha de quem deve receber todas às glórias da conquista. A pista de Sarthe, a exemplo de sua “irmã mais velha”, tem esse dom de nos surpreender.
Olhando friamente esta edição, quem poderia apostar algo num trio em que dois deles visitavam a pista francesa pela primeira vez? Certamente as apostas repousavam sobre os mais velhos: o Porsche #18, com aquela fabulosa pole feita por Neel Jani, nos deixava com a dúvida se aquele desempenho ultra veloz poderia repetir-se em algum estágio de um certamente tão longo e cheio de armadilhas que é esta prova; o outro Porsche #17, o vermelho que remete ao legendário 917K de 1970, o primeiro Porsche a vencer na geral em Le Mans, carregava a experiência do ano anterior e um vencedor da prova (Timo Bernhard). Por outro lado, o favoritismo da Audi era forte, principalmente por conta do carro #7 com a trinca atual vencedora (Marcel Fässler/ André Lotterer/ Benoit Tréluyer). Toyota, a atual campeã do mundo apresentava-se abaixo da média e a Nissan... bem, as condições do seu novo protótipo são bem criticas descartando qualquer chance de lutar por algo melhor. Ou seja, a luta dar-se-ia entre as duas fábricas alemãs.
A classificação tinha sido um show a parte por conta da Porsche: simplesmente três carros tomando conta das três primeiras posições, dando a entender que criariam uma “barreira” a qual a Audi e os demais pretendentes deveriam transpor caso quisessem assumir a liderança. A volta de Neel Jani tinha sido mágica: cravando um tempo absurdamente veloz (3’16’’8), a melhor para esta era dos LMP1 em Sarthe e uma das melhores de todos os tempos do traçado, entrando para o top 10 deste quesito. Os outros dois Porsches acompanharam o ritmo e fizeram bons tempos, a ponto de apenas administrarem essas marcas na quinta-feira. Isso deu a Porsche a tranquilidade de trabalhar no ritmo de prova, testando alguns stints para a corrida. A Audi pouco se aproximara, mas a carta na manga para os dois de corrida já estava guardada, que era puramente estratégia baseada nos pneus, cujo trunfo deste R18 e-ttron Quattro é na economia dos
pneus frente a sua co-irmã. E tinha sido isso, aliado a erros de estratégia da Porsche e pilotagem de seus pilotos, que garantiram os dois sucessos para fábrica das quatro argolas nas duas corridas iniciais. Se para uma sobrava a manha de Sarthe, para a outra restava apenas a fabulosa história que tinha sido construída sobre as suas 16 vitórias anteriores. A Porsche tinha que dar uma resposta a si própria: recuperar-se de erros que tinham roubado deles vitórias em Silverstone e Spa, era uma questão de honra e Le Mans é um palco perfeito para este tipo de situação.
A corrida estava a ser um clássico do endurance: enquanto que a Porsche dominava as ações com o #17 e #18, a Audi subia com seu ataque em “bloco”, com o #7, #8 e #9 a atacar o #19 e superá-lo rapidamente. Conforme as horas foram passando, ficava claro que o #17 da Porsche parecia ser o mais tarimbado para guiar a equipe ao triunfo, e essa idéia se reforçou quando a Audi começou a enfrentar seus primeiros problemas: enquanto que o #7 voltava aos boxes alguns giros depois de seu pit-stop para trocar um pneu furado, num momento que estava prestes a assumir a liderança, o #8 acabou acidentando-se na parte de Indianápolis num trecho que deveria estar em bandeira amarela (slow zone) e que os comissários se atrapalharam ao sinalizar com a verde. Com os carros – em boa parte os GTs – desacelerando, Duval passou por uma Ferrari por fora e bateu de frente, danificando totalmente a dianteira. O carro foi levado aos boxes e alguns minutos depois, devolvido à pista, mas com a prova totalmente comprometida.
O período de Safety Car foi importante para que os carros se juntassem e ao dar a relargada, o duelo entre o Porsche #17 e o Audi #9 levantou a torcida nas arquibancadas com uma disputa visceral entre estes dois carros. Para Filipe Albuquerque, no comando do Audi #9, foi um momento brilhante: aproveitando-se bem do vácuo do #17, conseguiu quebrar naquele momento o recorde de melhor volta para aquela pista que já durava 44 anos, e que pertencia à Jackie Oliver. Mais tarde esse recorde voltaria a ser quebrado pelo Audi
#7 com Lotterer ao volante, ao descer dos 3’17”6 de Albuquerque para 3’17”4. Infelizmente problemas mecânicos e outros contratempos tirariam qualquer chance destes dois Audis de vencer: o #9 teve problemas com seu sistema híbrido e viu suas chances caírem por terra; para o #7, a carenagem solta também atrasou bastante o passo deste trio que tentava o seu quarto triunfo em Sarthe. De se elogiar sempre a pilotagem de André Lotterer, que desde um bom tempo tem se mostrado o melhor piloto de endurance do momento. A tocada limpa e precisa, entremeada com velocidade pura e cadenciamento – quando é preciso – tem sido a alma desse trio, sinceramente. O trabalho do trio do Audi #9 também precisa ser elogiado ao máximo, ainda mais Filipe Albuquerque com uma pilotagem muito precisa. Não foi de se estranhar a alta expectativa que foi criada em torno deles neste terceiro carro, especialmente montado para Le Mans, pois o ritmo estava excelente e tinham boas chances de disputar e sair com a vitória.
A Porsche também teve lá os seus problemas: o #17 parecia intocável e num passo firme para abrir caminho em meio aos retardatários e isso foi o que acabou matando as chances deste trio, quando Webber fez uma ultrapassagem em bandeira amarela e teve que pagar um penalty que o jogou um pouco para trás na classificação. Enquanto isso, o #18 enfrentava problemas – aparentemente de freios – que fez o carro escapar duas vezes para fora da pista e deixar as coisas complicadas para aquele trio. A surpresa para a Porsche foi o #19 ter um ritmo excepcional em todas as fases da prova: enquanto que o gêmeo #17 e #18 travava duelos contra os três Audis, este ficava apenas acompanhando de perto sem nunca perder contato com os ponteiros, esperando exatamente a sua vez na corrida. Quando assumiu a liderança ainda na nona hora, eles não largaram mais e entrando numa zona mais fria que é a noite e madrugada, igualaram a batalha com a Audi em consumo de pneus e isso deixou seus pilotos mais à vontade para ditar o ritmo. O trio mandou a bota – especialmente Earl Bamber no meio da madrugada – que deixou o #19 em boa condição de administrar a vantagem e apenas responder quando fosse preciso. Os problemas na carenagem do Audi #7 os deixou ainda mais perto da vitória, principalmente por estarem
levando uma volta de vantagem sobre o #17 e três sobre o #7. Apenas um desastre tiraria essa conquista. Restou apenas a Nico Hulkenberg assumir o comando e guiar o carro de forma imaculada a uma vitória inédita para os três.
Em relação aos japoneses, coube apenas a decepção: a Toyota nem foi sombra do desempenho que fez ano passado ao fechar em sexto e oitavo (#2 e #1) com oito e nove voltas, respectivamente, de desvantagem para o vencedor. Vencer neste ano, somente com um golpe de muita sorte. A Nissan largou com seus três carros e nenhum completou, nesta que foi um dos maiores papelões da história recente da prova. Despejar altas doses de dinheiro e não desenvolver um protótipo de forma decente para ao menos andar com dignidade próxima as outras fábricas, foi de jogar o nome da Nissan na lama e pisotear.
Para a Rebellion, que estreou seu R-One nesta corrida, foi uma prova mais que tranqüila, pois a ByKolles não ofereceu nenhuma resistência a equipe suíça que venceu entre as particulares na LMP1.

As outras categorias

LMP2

A KCMG dominou amplamente aquela classe, sendo que desde a segunda hora eles assumiram a liderança e não largaram mais. Nicolas Lapierre/ Richard Bradley/ Matthew Howson deram à KCMG a primeira vitória em Le Mans nesta classe e particularmente, para Lapierre, foi a desforra após ter sido dispensado pela Toyota ano passado, tirando dele a chance de ganhar o campeonato junto de Davidson/ Buemi. Ainda tendo visto que o desempenho da Toyota foi bem pífio, o prazer desta sua conquista deve ter sido ainda maior.
A segunda colocação foi da Jota Sport, que enfrentou problemas de câmbio no inicio do certame, conseguiu uma bela recuperação devido, especialmente, a pilotagem de Mitch Evans e Oliver Turvey para abrir caminho na parte final e conseguir o pódio frente ao #26 da G-Drive e o #48 da Murphy Motorsport.
A única equipe que parecia ainda com ritmo para dar combate ao carro da KCMG era o #46 da Thiriet, mas este acabou sendo acertado pelo Aston Martin #99 (com Fernando Rees ao volante) e ficando de fora.

LMGTE-PRO

As disputas nessa classe são sempre o grande atrativo, e neste ano não foi diferente: Ferrari, Corvette e Aston Martin estiveram numa luta brutal pelas primeiras posições e que foram decididas através dos problemas e acidentes que iam tirando os carros de linha.
Para a Corvette acabou sendo uma prova recompensadora após a perca do #63 nos treinos, após o acidente de Jan Magnussen que impossibilitou os reparos no carro. Apesar de um início bem tímido, o trio formado por Oliver Gavin/ Tommy Milner/ Jordan Taylor, foram subindo na classificação aos poucos e os problemas com os rivais mais diretos ajudaram bastante a conseguir uma importante e gratificante vitória para eles e Corvette, que não vencia desde 2011.
A Ferrari perdeu uma corrida que poderia ter sido dela, não fosse os inúmeros problemas que rondaram os #51 e #71 da AF Corse. Enquanto que o #51 se viu envolvido no enrosco do Audi #8 fazendo com que ele fosse ao boxe reparar os danos, voltando bem trás dos seus rivais, o #71 estava em grande forma ao disputar diretamente com a Aston e Corvette a dianteira da prova, mas problemas no motor de arranque atrasaram suas pretensões. Mas a Ferrari tinha ganho um fôlego com o retorno do #51 à disputa e com chances de ameaçar a Corvette, mas problemas com o câmbio forçaram a saída momentânea de Gianmaria Bruni/ Toni Villander/ Giancarlo Fisichella da prova, conseguindo voltar para terminar em terceiro. A segunda posição acabou para a outra Ferrari #71 de Davide Rigon/ James Calado/ Olivier Beretta, numa boa recuperação do trio.
Para a Aston Martin, que estava com ótimas chances de vencer nessa classe, restou apenas a desilusão de ver seus três ficarem de fora por problemas mecânicos - #95 e #97 – e o #99, que estava na disputa direta, ter se acidentado quando Rees estava para ser dobrado pelo #46 da LMP2.
Os Porsches do Team Manthey foram verdadeiros coadjuvantes nesta edição, sem ter lutado pela liderança em momento algum. Enquanto que o #92 foi limado da prova logo no início por uma quebra de motor, o #91 ainda tinha esperanças de beliscar um pódio, mas um vazamento de óleo tirou essa chance deles.

LMGTE-AM

Apesar da forte oposição vindo da Ferrari #72 da SMP Racing, não era de duvidar muito que a vitória não escaparia das mãos do trio Pedro Lamy/ Paul Dalla Lana/ Mathias Lauda. Porém, quando faltavam menos de 50 minutos para o fim, Dalla Lana acabou escapando e batendo forte na curva chicane Ford e tirando a chance de vez de vitória. Coube ao trio do Ferrari #72 – Victor Shaytar/ Andrea Bertolini/ Aleksey Basov vencer a prova.
A segunda colocação ficou com a Dempsey-Proton Racing com seu Porsche #77, guiado por Patrick Dempsey/ Patrick Long/ Marco Seefried, nesta que foi a melhor colocação da equipe em Le Mans.
E a terceira foi da Ferrari #83 da AF Corse com François Perrodo/ Emmanuel Collard/ Rui Águas.

Mais um grande dia para a história de Le Mans

Sem dúvida foi outro grande dia para os inúmeros acontecimentos que já entraram para história dessa grande prova. Um ano após o seu retorno a classe principal, a Porsche nos brindou com uma vitória irretocável de um trio que nem estava entre os favoritos para a conquista dessa corrida. Foi o primeiro carro não diesel a vencer em Sarthe em dez anos.
Por outro lado, ter convivido com a desconfiança da maioria em torno da sua confiabilidade, foi um verdadeiro cala a boca com toda força e competência que é normal de uma equipe alemã. As lágrimas do diretor da Porsche e dos outros integrantes, assim como de Nico Hulkenberg, traduzem e muito todo o trabalho que foi feito até aquele momento. Para a Porsche, um desafio e tanto com este projeto do 919 Hybrid e para os pilotos, uma conquista histórica, particularmente falando.
Enquanto que Nick Tandy era o mais experiente dos três com duas participações em Le Mans, Earl Bamber era um bicampeão da Porsche Super Cup Ásia e assim como Nico Hulkenberg, fazia o seu debut na maior prova de endurance do mundo. As prestações que estes três tiveram a bordo do 919 Hybrid #19 foi de um primor altíssimo: seguraram bem o ritmo no início da prova, ganharam posições conforme os da frente iam tendo problemas e assumiram a liderança no meio da noite para não largar mais, sempre com velocidade pura por parte dos três. Foi um trabalho recompensado com uma inédita conquista para os três: Bamber e Hulkenberg tornaram-se os primeiros pilotos a vencerem as 24 Horas de Le Mans logo na sua estréia – o último tinha sido Aurent Aiello em 1998 com a... Porsche, exatamente na última conquista da marca. E Nico foi o primeiro piloto da F1 em atividade a vencer a prova desde a conquista de Johnny Herbert e Bertrand Gachot na vitória pela Mazda em 1992. Para a Porsche foi a 17ª conquista em Sarthe e no mesmo dia que completa outra data importante para o time de Stuttgart: há 45 anos eles chegavam a primeira vitória no geral em Sarthe, com o 917K de Hans Hermann/ Richard Attwood. Melhor dia para esta conquista, não existe.
A Porsche retoma as chaves de casa e agora é uma forte ameaça ao império conquistado pela Audi nos últimos anos.

Habemus duelo!  

sábado, 13 de junho de 2015

Foto 525: Doze horas depois

E já passamos da metade da prova - faz um tempo já - e a Porsche continua com o seu #19 na liderança da prova, agora conduzido por Earl Bamber. A diferença deles para o segundo, o Audi #9, é de 41 segundos. Mas o carro da Audi deve parar em breve nos boxes e o #7 deve subir, e a sua desvantagem neste momento para o líder é de mais 1 minuto.
Ainda temos um pouco mais de onze horas de corrida, mas aos poucos as coisas começam a se desenhar para um final eletrizante.

Foto 524: Iluminado

E a parte noturna sempre reservando belas imagens, como esta do Ferrari #72 da SMP Racing (Victor Shaytar/ Andrea Bertolini/ Aleksey Basov) que está em segundo na classe LMGTE-AM neste momento, com 22 segundos de atraso para o Aston Martin #98.

Foto 523: Um picolé em forma de Audi R18

(Foto: Twitter/@TobyMoody)
Emanuele Pirro prestes a sorver um picolé de Audi R18...
Sinceramente, bem que poderiam vender dessas forminhas. Ia fazer um sucesso!

Foto 522: E o primeiro Nissan sai

Toda desgraça para uma equipe de fábrica que apostou alto numa tecnologia diferente dos demais, é pouca: o Nissan abandonou as 24 Horas de Le Mans alguns minutos atrás pós a perda da roda dianteira direita. Agora só resta os #22 e #23 na prova e quem a anos luz do restante dos LMP1.
A liderança na LMP1 neste momento pertence ao Porsche #19, que está sendo guiado por Nick Tandy.

83ª 24 Horas de Le Mans: 7ª Hora

E começa anoitecer em Le Mans...
Do mesmo modo que a última hora, esta também foi de poucas movimentações. É um momento em que começa anoitecer em Sarthe e os pilotos começam a brandar o ritmo.
A Porsche continua no comando com o seu #17, seguido pelo #9 da Audi que herdou a posição do gêmeo #7.
Na LMP2, a KCGM continua intocável na liderança da prova com o seu #47 e sempre seguida pelo Oreca #46 da Thiriet, agora com uma boa vantagem. Em terceiro aparece o Alpine #36 da Signatech.
Na LMGTE-PRO, as coisas cessaram também e a liderança é do Corvette #64. Com onze segundos de atraso, aparece o #97 da Aston Martin e em terceiro o outro Aston de #99.
Na LMGTE-AM, o Aston Martin #98 lidera seguido pelo Ferrari #83 da AF Corse e em terceiro o Ferrari #72 da SMP Racing. 

Foto 521: Ricardo Paletti, Detroit 1982

(Foto: Richard Kelley)
Ricardo Paletti durante o fim de semana do GP dos EUA, disputado em Detroit. A foto foi tirada logo após a quebra da suspensão do seu Osella, durante o warm-up e um fiscal de prova lhe oferece um cigarro.
Paletti deveria correr nesta prova, já que o carro reserva estava para ele naquela corrida. Mas um uma quebra de suspensão de Jean Pierre Jarier acabou com a chance do jovem italiano, que viu o carro reserva ir para o francês.
Hoje completa 33 anos da morte de Paletti, em Montreal. 

83ª 24 Horas de Le Mans: 6ª Hora

Não tem sido uma boa jornada para a Toyota em Le Mans, este ano: além de seus dois carros não darem conta de acompanhar o ritmo de Porsche e Audi, eles ainda enfrentaram problemas com o #1 que escapou em uma das curvas e danificou a suspensão dianteira, fazendo com que recolhessem o carro. Ao sair para a pista novamente, agora com Nakajima ao volante, quase pega um desatento mecânico da Corvette no pit. O #1 ocupa a nona posição e o #2 a sétima. 
Foi uma hora bem tranquila, bem diferente das demais onde sempre teve algum contratempo.
A Audi, com o #9 e com Albuquerque ao volante, liderou boa parte dessa hora, mas desceu para terceiro após a sua parada no box. A liderança voltou para o Porsche #17 e a segunda colocação é do Audi #7.
Na LMP2, liderança cada vez mais absoluta para o #47 da KCMG que já leva quase uma volta sobre o #46 da Thiriet. Em terceiro aparece o #48 da Murphy Motorsport.
As batalhas na LMGTE-PRO cessaram, por enquanto, e a liderança é do Aston Martin #99, seguido pelo Corvete #64 e Aston Martin #97.
Na LMGTE-AM, liderança também para a Aston Martin com o #98. Em segundo aparece o Ferrari #72 da SMP Racing e em terceiro o Ferrari #83 da AF Corse.

83ª 24 Horas de Le Mans: Melhores momentos (3ª, 4ª e 5ª hora)


83ª 24 Horas de Le Mans: 5ª Hora

Se a quarta hora foi bem morna devido o SC, esta quinta hora de corrida foi de cortar o fôlego: os duelos na LMP1 e LMGTE-PRO, foram os grandes momentos dessa corrida e ainda tivemos um recorde para celebrar.
Na LMP1, o duelo entre o Porsche #17 e Audi #9 foi brutal, com ambos a trocarem de posições em algumas oportunidades e com o Porsche vermelho a ganhar a batalha. Mas o que chamou a atenção foi o que Filipe Albuquerque conseguiu durante este duelo: cravou a melhor volta da história da prova ao fazer 3'17''647, suplantando um recorde que pertencia a Jackie Oliver em 1971. No momento a liderança ainda segue com o #17, seguido pelo #9 e o #7.
Na LMP2, liderança intocável por parte do #47 da KCMG e em segundo o #41 da Greaves, que herdou esta posição após o pit-stop do #6 da Thiriet.
A LMGTE-PRO, continua a nos oferecer belos duelos e destaque para Fernando Rees que saiu de quarto, com seu Aston Martin #99, para primeiro. Mas depois a liderança foi recuperada pelo Corvette #64. Em terceiro aparece o Aston Martin #97.
Na LMGTE-AM, liderança para o Aston Martin #98 com o #72 da SMP Racing em segundo e o Viper #53 em terceiro. 

83ª 24 Horas de Le Mans: O novo recorde de Le Mans, 44 anos depois

Na batalha que se deu entre o Porsche #17 e o Audi #9, a história foi feita e o recorde quebrado até aqui: Filipe Albuquerque, em posse do Audi #9, cravou a melhor volta em 3'17''647 derrubando, assim, uma marca que pertencia a Jackie Oliver feita em 1971 com o Porsche 917LH, com o tempo de 3'18''4 (numa média de 244.3km/h). Filipe alcançou 248.2!
E só para lembrar, em 1971 a Hanaudiéres era livre das chicanes...

83ª 24 Horas de Le Mans 2015: 4ª Hora

Apenas um susto para o Porsche #19...
Devido o longo período que a prova ficou sob a intervenção do SC, para os reparos do guard rail na parte da Indianápolis, proveniente do acidente de Duval, a corrida retomou seu passo normal faltando 17 minutos para o vencimento da quarta hora.
Apesar de uma ataque fortíssimo dos Audis #9 e #7 no reinício, a liderança mante-se sob o controle da Porsche com o #17. A segunda e terceira colocações está por conta da Audi com os #9 e #7, respectivamente.
Na LMP2, a liderança segue para o #47 da KCMG e a segunda para o #46 da Thiriet. A terceira posição no momento é da OAK Racing com seu Ligier #32.
Na LMGTE-PRO, o pau come a solta com disputa direta entre o Corvette, Ferrari e Aston Martin pela liderança. O Corvette #64 agora é o líder, com sete décimos de vantagem sobre o Aston Martin #99 e seis segundos sobre o Ferrari #71.
Na LMGTE-AM, o Ferrari #72 da SMP Racing voltou a liderança com o #98 da Aston Martin em segundo e o Viper #53 da Riley em terceiro.   

83ª 24 Horas de Le Mans 2015: A arte do acidente de Löic Duval

Jason Fong reproduziu no papel o Audi #8 de Löic Duval se arrastando em meio de um Aston Martin e o Ferrari #51, após o seu acidente. 

83ª 24 Horas de Le Mans: O acidente de Duval

Bom, as imagens dizem por si própria. Tremenda barbeiragem do Duval na Indianápolis.
E apesar de não ter tido culpa, sempre uma Ferrari no meio da bagunça...

83ª 24 Horas de Le Mans: 3ª Hora

Não foi uma boa hora para Audi: os carros #7 e #8 tiveram problemas. Enquanto que o #7 teve que voltar aos boxes, após um pit-stop, para trocar um pneu furado - quando estava prestes a ressumir a liderança, o #8 teve uma acidente na aproximação da Indianápolis quando estava a passar pelo Ferrari #51. Duval era quem estava ao volante e nisso acabou rodando e batendo frente, danificando bem a dianteira. O carro foi levado aos boxes para os reparos e já está de volta na oitava posição. O #7 está em quinto. A Porsche segue líder neste momento - que está sob o regime de SC para retirar os destroços do Audi #8 e limpeza do traçado e também conserto do guard-rail. Em segundo aparece o Audi #9.
Na LMP2, liderança para o #47 da KCMG com o #46 da Thiriet em segundo e o Alpine #36 da Signatech em terceiro.
Na LMGTE-PRO, o #97 da Aston Martin segue líder, com o Ferrari #71 da AF Corse em segundo e escalando aos poucos as posições, o Corvette #64 em terceiro.
Na LMGTE-AM, o Viper #53 da Riley é quem comanda a classe, seguido pela Ferrari #72 da SMP e o Porsche #88 da Abu Dhabi Proton Racing em terceiro.  

83ª 24 Horas de Le Mans 2015: Melhores momentos (1ª e 2ª horas)


83ª 24 Horas de Le Mans 2015: 2ª Hora

Pra lá de excitante este duelo entre Porsche e Audi pelo comando da prova em Le Mans, pautado por estudo total entre as duas equipes. Lotterer, que está no comando do Audi #7 neste momento, conseguiu se intrometer entre os dois Porsches que iam na liderança (#17 e #18), chegando até assumir a liderança por algum momento. Neste instante ele acaba de voltar a liderança.
Na LMP2, liderança para o #47 da KCMG que leva sete segundos de vantagem sobre o #46 da Thiriet. Em terceiro aparece o #41 da Greaves, com mais de um minuto de atraso.
Na LMGTE-PRO, batalha sensacional entre o Ferrari #71, Corvette #64 e o Aston Martin #99 pela quarta posição (foto). O Ferrari #71, pilotado por James Calado, conseguiu uma bela manobra ao conseguir suplantar os dois carros ao mesmo tempo. A liderança é da Aston Martin, com o #95 e o Ferrari #51 em segundo.
Na LMGTE-AM, as posições estão embaralhadas devido as paradas de box, mas liderança segue com o #72 da SMP Racing. 

83ª 24 Horas de Le Mans 2015: 1ª Hora

Após uma largada que sucedeu a várias disputas bem acirradas nas quatro categorias, as coisas parecem mais calmas em Sarthe.
Depois da primeira rodada de pit-stops, a prova continua sob o comando do Porsche #17 seguido de perto pelo #18. A Audi, que fez um ataque maciço no início com seus três carros, ocupa a terceira, quarta e quinta colocações - #8, #7 e #9 respectivamente.
Na LMP2, batalha interessante no início entre os ponteiros e neste momento o comando está com o Oreca #46 da Thiriet, seguido pelo #47 da KCMG.
Na LMGTE-PRO, a disputa ficou polarizada entre o Aston Martin #99 e o Ferrari #51 no inicio e após algumas inversões de posições, o Aston Martin #95 é quem assumiu a liderança e o Ferrari #51 continua na cola, em segundo.
Na LMGTE-AM, a liderança é da Ferrari #72 da SMP Racing seguida pelo Aston Martin #98 e Ferrari #55.
Neste momento a prova está sob regime de Safety Car, devido o estouro do motor - seguido de incêndio, que foi logo controlado - no Porsche #92 na Mulsanne. O Rebellion #13, que vinha logo atrás, acabou pegando o oléo e rodou ficando encalhado na brita da primeira chicane. Já está de volta à prova. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans: Pole para a Porsche na 83ª edição

Após aquele tempo espetacular de Neel Jani ontem, na primeira classificação, a única coisa que esperávamos mesmo é se este tempo ficaria intactato ou baixado. A perspectiva de chuva não confirmou-se, portanto havia uma possibilidade, mas a própria Porsche, horas antes de começar os trabalhos, tinha dito que estes dois treinos serviriam para eles treinarem o ritmo de prova. E foi o que aconteceu: poucos melhoraram as suas marcas no LMP1 e a Porsche acabou confirmando a sua pole e a trinca da equipe em Sarthe. A Audi manteve a três posições seguintes, assim como a Toyota e a Rebellion. A Nissan continuou com o seu passo de tartaruga e o melhor carro da marca, o #22, ficou a mais de vinte segundos do pole.
Na LMP2, o Oreca #47 da KCMG manteve o melhor tempo da divisão. O Ligier #26 da G-Drive Racing é quem melhorou consideravelmente a sua colocação e subiu para segundo, 0''208 pior que o #47. Em terceiro aparece o Gibson #41 da Greaves Motorsports.
Na LMGTE-PRO, uma trinca da Aston Martin era a mais provável, mas as Ferraris da AF Corse conseguiram desfragmentar essa possível formação ao posicionarem em segundo e quarto (#51 e #71). A pole ficou para o Aston Martin #99, com o tempo de 3'54''928.
Na LMGTE-AM, nenhuma mudança em relação a ontem: a primeira colocação foi do Aston Martin #98, seguido pela Ferrari #83 da AF Corse e a outra Ferrari #72 da SMP Racing.

Atualizando: Devido o acidente de hoje a tarde com Jan Magnussen, a Corvette acabou por retirar o #63 da prova devido os sérios danos que o chassi teve por causa da batida lateral, que danificou a dianteira e traseira. Magnussen passou pelo posto médico e foi logo liberado. Foi uma pena, pois essa era a chance dele, Antonio Garcia e Ryan Briscoe de fazer a trinca das grandes provas de Endurance, após o trio ter vencido em as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring.
Abaixo as colocações e tempos:

LMP1


LMP2


LMGTE-PRO


LMGTE-AM

Foto 520: Imagina sem as chicanes...

(Foto: fiawec.com)
Olhando a marca alcançada por Neel Jani com a Porsche durante a primeira classificação, você já fica impressionado. Ao olhar para o tempo feito pela Sauber Mercedes em 1989, último ano em que as 24 Horas de Le Mans foi realizada sem as chicanes, você fica ainda mais assustado: com o #62, Jean Louis Schlesser cravou a pole com o tempo de 3'15''04, enquanto que Jani fez 3'16''887. E ambos com a média de 249Km/h (249.8 para Schelesser e 249.2 para Jani). O recorde absoluto para Le Mans, independente dos layouts usados no circuito, pertence à Pedro Rodriguez com o Porsche 917 LH em 1971 com o tempo de 3'13''09. A segunda melhor marca é de Joachim Hans Stuck, em 1985 com o Porsche 962C, com o tempo de 3'14''80.
Se a chuva realmente atrapalhar as duas classificações, talvez não vejamos este tempo de Neel cair ainda mais.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans: Pole provisória para a Porsche e quebra de recorde

(Foto: fiawec.com)
Se a Porsche, com o #17, já havia feito um bom tempo no treino livre, esqueçam: a marca feita pelo #18 da Porsche, com Neel Jani ainda no início das atividades, simplesmente quebrou o recorde para os LMP1 em Sarthe que resistia desde 2008: naquele ano Stéphane Sarrazin, com o Peugeot 908 HDi FAP, cravou 3'18''513 para a obtenção da pole. Neel Jani reduziu a pó essa marca ao fazer 3'16''887. Uma monstruosidade de tempo numa altura em que a FIA e a ACO estudam seriamente reduzir as velocidades dos LMP1 para 2016.
Além desse tempo espetacular de Jani, a Porsche ainda posicionou seus outros dois carros em terceiro e quarto, com o #17 ficando oito décimos e o #19 a dois segundos e quatro atrás. Nem mesmo os outros dois "irmãos gêmeos" foram páreo para o #18.
O resto ficou para trinca da Audi que posicionou o #8 em quarto, seguido pelo #7 e #9. A melhor marca do #8 foi 2.9 segundos pior que o pole provisório.
Quem terá que remar bastante é a Toyota, que teve seus carros ficando em sétimo e oitavo com o #2 e #1. Ambos ficaram mais de seis segundos atrás do melhor tempo.
A Rebellion ficou com a nona e décima posições (#12 e #13), enquanto que a Nissan teve um carro na 12ª colocação (#23), outro em 21º (#22) e o #21 em 31º.
Na LMP2, melhor tempo para o #47 da KCMG com a marca de 3'38''032, seguido pelo #41 da Greaves Motorsport e o #38 da Jota Sport.
Na LMGTE-PRO, o Aston Martin #99 ficou em primeiro ao marcar 3'54'928, seguido pela Ferrari #51 da AF Corse e do Aston Martin #97.
Na LMGTE-AM, a Aston Martin também deu as cartas ao fazer o melhor tempo com o #98: 4'14''297. A Ferrari #83 da AF Corse ficou em segundo e o terceiro lugar para a Ferrari #72 da SMP Racing.
Os treinos continuam amanhã, com as duas sessões de classificação sendo realizadas às 14 horas (19 h em Le Mans) e 17 horas (22 horas em Le Mans). E o tempo deve ser bem instável.

24 Horas de Le Mans: A Porsche dita o ritmo

O Porsche #17 conduzido por Brendon Hartley/ Mark Webber/ Timo Bernhard foram os melhores na primeira sessão de treinos livres em Le Mans cravando o tempo de 3'21"362, cerca de quatro décimos melhor que o tempo feito por Nakajima na obtenção da pole ano passado. É uma idéia bem clara que os tempos podem cair durante a classificação.
A segunda posição foi do Audi #8 (Lucas Di Grassi, Loic Duval, Oliver Jarvis), com uma desvantagem de 0''588. Em terceiro e quarto fecharam os demais Porsches, #18 e #19, seguidos pelos Audis #7 e #9. Os Toyota ficaram longe cerca de três segundos e quatro décimos, no caso do #1. O #2 da fábrica japonesa ficou quatro segundos atrás e fechou em oitavo.
Os Nissans tiveram uma melhora bem tímida: o melhor deles, o #21, marcou um tempo dezoito segundos pior que o Porsche. Os outros Nissans, #23 e #22, terminaram com 19 segundos de atraso.
Entre os LMP2, a melhor marca foi do #47 da KCMG com o tempo de 3'39''897, 1.4 segundos melhor que o Ligier #34 da OAK Racing.
Na LMGTE-PRO, melhor marca para o Aston Martin #99 com 3'55''895. Foi seguido pelo Corvette #64 e o Aston Martin #97.
Na LMGTE-AM, o Aston Martin #98 é quem ficou com o melhor tempo ao fazer 3'58''783.
Daqui a pouco inicia o primeiro classificatório.  

terça-feira, 9 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 21ª A retomada das 24 Horas pela Jaguar

A segunda vitória da Jaguar após uma batalha épica com a Ferrari por mais de 17 horas
Após uma pífia apresentação em 1952, onde seus três carros ficaram pelo caminho ainda na primeira hora de prova, o que se podia esperar da Jaguar para esta edição de 1953? A grande exibição de dois anos antes dominando amplamente a prova, ainda estava bem viva na memória daqueles que já acompanhavam as 24 Horas anualmente e toda aquela decepção seria varrida para debaixo do tapete? Quem sabe... A julgar pela Mille Miglia daquele ano, poucos achavam que a fábrica britânica teria ritmo suficiente para ameaçar a força da Ferrari e Alfa Romeo, que haviam apresentado uma bela performance. Mas, cada corrida é uma corrida... A Mercedes não estava presente nesta edição para defender a sua vitória do ano anterior.
A Itália vinha bem representada: Ferrari, Alfa Romeo e Lancia, juntas, somavam dez carros em pista. A Ferrari era a que tinham mais carros inscritos entre as três fábricas, sendo que três novas 375MM foram para Alberto Ascari/ Lugi Villoresi (#12), Giuseppe Farina/ Mike Hawthorn (#14) e Paolo Marzotto/ Gianino Marzotto (#15). A outra Ferrari, uma 340MM, estava sob o nome de Luigi Chinetti em parceria com Tom Cole Jr. Na Alfa Romeo, três modelos 6C/30, que ficaram para Consalvo Sanesi/ Piero Carini (#21), Juan Manuel Fangio (#22) e Karl Kling/ Fritz Riess (#23). A Lancia também aparecia com três carros, todos D20 Compressor, destinadas a Piero Taruffi/ Umberto Maglioli (#30), Robert Manzon/ Louis Chiron (#31) e Felice Bonetto/ Luigi Valenzano.
Os britânicos repousavam as suas esperanças na Jaguar e Aston Martin, que tinham feito boas apresentações nas últimas edições da prova, mas também contavam com a presença do Allard, Austin Healey e Bristol. A Jaguar, agora mais bem pronta que no ano anterior, apresentava a novidade nos freios dos revisado C-Type (XK 120C) que deixavam de ser a tambores para ser a disco. Quatro modelos deste foram inscritos para a prova, sendo três de fábrica e um particular. Os de fábrica contavam com os mesmos trios do último ano: Stirling Moss/ Peter Walker (#17), Tony Rolt/ Duncan Hamilton (#18) e Peter Whitehead/ Ian Stewart (#19). O Jaguar semi-oficial, inscrito pela Ecurie Francorchamps, foi pilotado pelos belgas Roger Laurent/ Charles de Tornaco levando o #20. A Aston Martin inscreveu três DB 3S que ficou para Reg Parnell/ Peter Collins (#25), Roy Salvadori/ George Abecassis (#26) e Dennis Poore/ Eric Thompson (#27).
Já a França, que sempre contou com um bom número de equipes e carros na disputa pela vitória, teve que se contentar com apenas quatro Talbot T26 GS inscritos (três pela fábrica e um particular). O Talbot particular, inscrito por André Chambas, era o mesmo com motor de oito litros que competira em 1952 e André dividiu o volante do #6 com Charles de Cortanze. Os outros três Talbot, como motores de quatro litros, estavam sob os comandos do valente Pierre Levegh/ Charles Pozzi (#7), Louis Rosier/ Elie Bayol (#8) e Guy Mairesse/ Georges Grignard (#9).
A corrida revelou-se ser uma das melhores: a batalha ferrenha entre Jaguar e Ferrari, especialmente entre os carros de Rolt/ Hamilton (#18) e a Ferrari de Ascari/ Villoresi (#12), monopolizaram as atenções do público e imprensa por quase todo o certame da prova. Sendo “comboiados” pelos outros Jaguares, Ferraris e Alfa Romeos, estes últimos bem de perto, mas sem ameçá-los, os dois primeiros travaram uma disputa de gato e rato e sempre com o #12 a fazer voltas mais rápidas e o #18 a responder a altura. A liderança foi trocada várias vezes, sendo que isso aconteceu mais durantes as paradas de box do que por disputa direta. Os Alfas foram sendo eliminados pouco a pouco e a briga ficava polarizada entre os Jaguar #18, Ferrari #12 e o Jaguar #17, mas a fadiga mecânica começava a impregnar no carro de Ascari e Villoresi: problemas de embreagem desde as 9 da manhã fizeram com que eles despencassem para quinto e as 11 horas acabaram por abandonar. Antes disso, a tragédia abatera sobre Le Mans: o Ferrari de Cole Jr., companheiro de Chinetti, passara reto na Maison Blanche e batera. O piloto americano teve morte imediata.
Sem os Ferraris por perto, restou a Jaguar brandar o ritmo de seus dois carros e encaminhá-los a segunda vitória da marca em Le Mans e desta vez com a dobradinha feita com o #18 de Rolt/ Hamilton e o #17 de Moss/ Walker. A terceira posição foi do Cunningham #2 de Phil Walters/ John Fitch.

Destaque mais uma vez para a Porsche que vencia novamente: correndo numa classe acima, a S 1.5 (1101/1500), os alemães inscreveram três carros nesta classe e conseguiram uma dobradinha: pilotando as novas 550 Coupe, Richard von Frankenberg/ Paul Frère venceram e a segunda colocação ficou para Hans Hermann/ Helmut Glöckner. 

Vídeo: Os 30 anos da Toyota em Le Mans

Vídeo bem legal da Toyota onde é mostrado a evolução dos protótipos da marca desde a sua primeira participação em 1985, com o modelo 85C, até os dias atuais com o TS040 Hybrid.
A Toyota teve boas oportunidades de vencer em Le Mans, como em 1998, 1999 e 2014, onde problemas acabaram aparecendo e tirando a equipe de combate.
Este ano as coisas parecem bem complicadas para que a marca nipônica se torne a segunda fábrica japonesa a vencer as 24 Horas de Le Mans.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 20ª O heroísmo de Levegh e a primeira vitória da Mercedes em Sarthe

A Mercedes vencendo pela primeira vez em Sarthe com o velho Hermann Lang e Fritz Riess ao volante do 300SL

Apesar do grande azar que teve quando estava prestes à vencer, o nome de Pierre Levegh será sempre lembrado quando alguém quiser exemplificar algum ato de coragem e persistência no automobilismo

As fábricas continuavam a encarar Le Mans como a grande prova para, além de mostrar a eficiência de seus veículos ao público, ainda testar novas peças que iriam parar nos seus carros de série. Mas a vitória naquele certamente passava a ser, claramente, o objeto de grande desejo das construtoras e os esforços não seriam medidos.
A Jaguar, detentora da última vitória, colocou três novos C-Type a disposição das duplas Stirling Moss/ Peter Walker (#17), Tony Rolt/ Duncan Hamilton (#18) e Peter Whitehead/ Ian Stewart (#19). A Ferrari teve quatro modelos 340 America divididos em quatro equipes particulares, destacando-se Luigi Chinetti/ Jean Lucas (#12) e Louis Rosier/ Maurice Trintignant (#15). A Aston Martin levou cinco carros: três DB3 – dois Spider e um Coupe – que foram destinados a Lance Macklin/ Peter Collins (#25), Dennis Poore/ Pat Griffith (#26) e Reg Parnell/ Eric Thompson no Coupe (#27) e outros dois DB2 Coupe. Para os franceses, as esperanças repousavam sobre os Talbot T26 GS que agora levavam uma carroceria que cobria os pneus, mas apenas três estavam correndo legalmente: Pierre Levegh inscreveu um dos Talbot para ele e René Marchand (#8) e o outro Talbot - aparentemente convidado para a prova, já que terminaria a prova em nono, mas não contaria a sua classificação no final –, com um motor de oito litros, foi comandado por André Chambas/ André Morel (#6); Pierre Meyrat/ Guy Mairesse, duplamente vice-campeões das duas últimas edições, alinharam o Talbot #9. Eugene Chaboud/ Charles Pozzi estavam no outro Talbot de #65.
Mas desta vez a grande atração para a 20ª edição da grande prova não repousava sobre os competidores mais assíduos: a presença da Mercedes Benz, que havia retornado há pouco tempo às competições, já causava alguns arrepios em seus concorrentes mais diretos. O duelo com a Ferrari durante as Mille Miglia daquele ano tinha sido um bom aviso do que aquelas novas 300SL “Asa de Gaivota” podiam fazer. Três 300SL foram pilotadas por Theo Helfrich/ Helmut Nierdermayer (#20), Hermann Lang/ Fritz Riess (#21) e Karl Kling/ Hans Klenk (#22).
A corrida acabou sendo uma verdadeira prova de resistência, já que dos 57 carros que partiram no sábado à tarde, apenas 17 chegaram ao final. Nem mesmo os favoritos agüentaram o ritmo: a Jaguar decepcionou ao ficar de fora logo na primeira hora de prova quando seus três carros abandonaram por problemas de refrigeração. Com uma Ferrari 250S Coupe da equipe oficial, Alberto Ascari, que dividira o volante com Luigi Villoresi, cravaria a melhor volta da prova (quebrando o recorde, por sinal), mas também abandonaria com problemas na embreagem. A liderança da prova ficou com o Gordini de Jean Behra/ Robert Manzon, mas este abandonaria em seguida também. Pierre Levegh assumia a liderança e ali começava uma epopéia que quase terminou num dos feitos da história do esporte a motor: pilotando de forma incansável, o piloto francês tomou posse do seu Talbot #8 por quase toda a prova e não deu chance alguma para que Marchand pudesse, ao menos, dar uma volta pela pista francesa. Inicialmente a sua diferença para os Mercedes era de uma volta e essa distância aumentou para quatro voltas sobre os carros alemães. Na nona hora, o Mercedes pilotado por Kling/ Klenk teve problemas elétricos e abandonou.
Quando a prova aproximava-se do final, com menos de duas horas para o fim, Levegh baixou o ritmo e deixou que uma volta fosse descontada pelos Mercedes, mas o piloto francês já não estava em boas condições físicas naquele momento. Quando a vitória parecia certa, o cansaço acabou vencendo Levegh: um erro na troca de marcha acabou danificando as engrenagens e forçando o abandono dele. O sonho de vencer em Le Mans e de forma heróica, tinha se esvaído. A Mercedes, com seus dois carros restantes, apenas descontou aquela desvantagem e cruzou a linha de chegada com Lang/ Riess em primeiro e Helfrich/ Nierdermayer em segundo, com uma volta de desvantagem. O Nash-Healey #10 de Leslie Johnson/ Tommy Wisdom fechou o pódio. De se destacar também o desempenho de Briggs Cunningham que também pilotou por mais de 20 horas o seu Cunningham C-4R Chrysler. Mas ao contrário de Levegh, o seu companheiro William Spear teve a chance de pilotar. Pouco, mas pilotou!
A Porsche continuava a angariar os louros da vitória em Sarthe: pelo segundo ano consecutivo os alemães conquistavam a vitória na classe S.1 (751/1100) com o modelo 356/4, dando aos franceses Auguste Veuillet/ Edmond Mouche o bi-campeonato desta classe. Além do carro vencedor, outros dois foram inscritos pelos alemães, mas estes não chegaram ao final. 

Foto 519: Um GP anormal

Os senhores da prova: enquanto que Massa arrancava uma ultrapassagem na marra contra Ericsson...

... Sebastian Vettel travava um rápido, mas intenso duelo com Fernando Alonso.
Tem sido normal assistirmos as últimas corridas em Montreal e depararmos com provas totalmente caóticas e de resultados definidos quase que nas últimas voltas. Ora isso acontecia por uma estratégia bem feita pela equipe e piloto, deixando para atacar apenas na parte final, ou até por condições climáticas que mudavam a todo o momento. Os altos desgastes dos pneus também contribuíram bastante nos últimos anos para tivéssemos provas bem doidas, principalmente após a adoção dos Pirelli. Chegamos a ver alguns GPs do Canadá em que os pilotos começavam a parar para o pit-stop ainda nas primeiras voltas, coisa de três, cinco voltas após a largada. E sempre que isso acontecia, era sinal que teríamos uma prova bem imprevisível. A corrida de ontem foi “anormal” para os padrões de GPs canadianos que acostumamos a ver, mas ainda sim foi uma boa prova.
Sebastian Vettel e Felipe Massa salvaram a corrida exatamente por terem largado lá de trás e consequentemente, com dois carros bem superiores aos que iam à frente, a esperança é que fizessem o que era de se esperar. E conseguiram: Sebastian e Felipe terminaram respectivamente em quinto e sexto depois de travarem boas disputas para conseguir chegar a essas colocações. Enquanto que Vettel teve trabalho para ultrapassar Alonso e Hulkenberg, Massa ralou para tentar superar Ericsson ainda no início da prova. Mas mostrando uma velocidade um pouco maior que o brasileiro – e aparentemente uma estratégia mais eficaz – deu à Vettel a oportunidade de terminar à frente após ter largado em 18º. Juntando o desempenho deles mais os de Bottas e Raikkonen, podemos dizer que foi o primeiro embate real entre a Ferrari e Williams na temporada onde o resultado desta vez pendeu para o lado da equipe britânica com Valtteri conseguindo quebrar pela primeira vez no ano, a sequência de pódios que tinha apenas reunido os dois pilotos da Mercedes e um da Ferrari até aqui. O erro de Kimi Raikkonen após uma de suas paradas acabou dando ao seu compatriota a chance de subir para terceiro e ficar ali até o fim.
Em relação às Mercedes, uma prova solitária que viu Hamilton cravar mais uma conquista neste ano e abrandar uma possível ameaça por conta de Rosberg, que andou próximo dele durante toda a corrida e que se intensificou na última parte. Mas a reservas guardadas por Lewis e mais os problemas de freios de Nico, ajudaram a afastar qualquer possibilidade de ataque por conta do alemão. E fica cada vez mais que claro que, apesar da Ferrari ter mostrado uma melhora em Montreal com a evolução do motor, a Mercedes ainda tem a resposta em seguida.

A eterna história em ter que economizar combustível e pneus mais duradouros, talvez tenham sido os grandes “vilões” para tornar este GP do Canadá o mais “anormal” das últimas edições. Mas não foi uma corrida de todo mal.   

sábado, 6 de junho de 2015

GP do Canadá - Classificação - 7ª Etapa

Sem dúvida este treino classificatório foi mais interessante pelo que aconteceu com personagens que poderiam lutar pelo "resto", do que saber quem poderia ameaçar o domínio ainda mais amplo da Mercedes em Montreal.
Os problemas enfrentados por Sebastian Vettel e Felipe Massa, coincidentemente por ordem de falta de potência nos motores, acabaram tirando deles a chance de duelar pelo que restou aos demais na classificação. E olhando bem a tabela de tempos, com Raikkonen e Bottas monopolizando a segunda fila, fica claro que teria sido interessante tê-los no Q3 lutando acirradamente.
As Mercedes fizeram o que era de se esperar. A luta entre Hamilton e Rosberg pela pole até que foi tranquila, sendo que o piloto alemão, pelo que foi dito via rádio na volta para o box após o treino, foi um "lixo" o trabalho (como o próprio definiu). Certamente deve ter errado na sua última volta, assim como acontecera em Monte Carlo duas semanas atrás. A diferença entre as duas Silver Arrows foi de três décimos, enquanto que para a Ferrari de Raikkonen foi de seis.
O que me agradou foi a forma apresentada até aqui pela Lotus com os seus dois carros. Desde ontem que Grosjean e Maldonado se colocavam tranquilamente entre os cinco primeiros e com bons tempos, perdendo por pouco para as Ferraris. E na qualificação, onde Romain e Pastor sairão na terceira fila, a desvantagem para Bottas (4º) foi de nove centésimos e para Raikkonen de um décimo - contando a partir do tempo obtido por Grosjean. As Force India também estiveram em boa jornada, com Hulkenberg fazendo o sétimo tempo e Perez o décimo. A Red Bull, com Kvyat e Ricciardo, fechou com oitava e nona colocações respectivamente.

O que esperar da corrida?

Olhando a formação deste grid, fica claro que a possível escalada de Vettel durante o GP será uma das atrações de amanhã e isso vale também para Felipe Massa que costuma ter um bom ritmo em Montreal. Da terceira posição para trás, também desenha-se um bom cenário para disputas intensas principalmente pelo que apresentou a Lotus. Se os dois pilotos da equipe britânica não fizerem besteira, terão uma boa chance de colecionar bons pontos amanhã.
Em relação à Mercedes, apenas um problema mecânico é que pode pará-los. E isso aconteceu ano passado quando os dois carros apresentaram problemas de freio. E isso é um alerta para a equipe campeã.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 19ª O domínio da Jaguar e a chegada da Porsche

O fabuloso XK 120S de Peter Whitehead e Peter Walker marcando a primeira vitória da Jaguar em Le Mans

Enquanto isso, a Porsche debutava em Sarthe e logo de cara conquistava a vitória em sua classe
O desafio das fábricas em Le Mans estava a aumentar a cada ano. As melhorias alcançadas por estas, ao fazerem carros especialmente para esta corrida, elevava ao máximo a competição. Casos como o da Cunningham (que utilizou em seu carro luzes no painel que mostravam a temperatura dos freios a tambor) e Allard, contando com motores de 5.5 litros em seus carros (motores Cadillac e Chrysler, respectivamente) mostravam o quanto que aquela prova estava sendo levada a sério. Mas não podemos desprezar a presença de outras marcas respeitáveis naquele ano, que mais uma vez alinhavam seus carros – com menos cilindradas que o duo anglo-americano, mas nem por isso menos potentes – para tentar mais uma conquista em Sarthe: a última vencedora, a Talbot, sempre representada por equipes particulares, teve seis carros na prova e todos religiosamente do modelo campeão – o Talbot Lago T26 GS. Os destaques para as duplas eram de Louis Rosier e Juan Manuel Fangio no #6 e Jose Froilan Gonzalez/ Onofre Marimon no #7.
A Ferrari colocou oito carros para a prova, sendo que quatro modelos 340 America participavam da classe 3001/5000, três 212 Export na classe 2001/3000 e um 166M na classe dos 1501/2000. Este 166M de #32, inscrito por Luigi Chinetti, foi pilotado por Yvone Simon/ Betty Haig que terminaram em 15º no geral e em terceiro na sua classe.
Os britânicos, além dos dois Allard J2, ainda tinham os da Jaguar e Aston Martin que ao todo somavam nove carros inscritos por essas duas fábricas. A Jaguar, com a experiência adquirida da visita do ano anterior, vinha com quatro carros XK 120C – dois oficiais e dois semi-oficiais. Nos carros de fábrica o comando ficou por conta de Peter Whitehead/ Peter Walker no #20 e Stirling Moss/ Jack Fairman no #22. Na Aston Martin cinco DB2 (três oficiais) estavam à disposição de Reg Parnell/ David Hampshire (#24), George Abecassis/ Brian Shawe-Taylor (#25) e Lance Macklin/ Eric Thompson (#26).
A corrida teve o seu inicio ensombrada pela morte prematura de Jacques Lariviere, que foi degolado por um cabo de aço quando a sua Ferrari 212 Export #30 escapou na Tertre Rouge na quinta volta. A prova continuou com um duelo fortíssimo pela liderança entre o Jaguar de Moss e os Talbot de Fangio e Gonzalez. O jovem Stirling Moss, então com 22 anos, foi o grande destaque dessa edição ao mostrar agressividade e velocidade pura ao volante do Jaguar #22 ao alcançar médias espetaculares de 169Km/h na maioria das voltas. Mas aquele ritmo imposto não apenas por ele, como os demais, acabaram saindo caro no decorrer da horas seguintes: o Jaguar #22 saiu da prova na nona hora por causa da pressão do óleo e ao mesmo tempo o Talbot de Rosier/ Fangio também se retirava por falta de refrigeração no motor. O outro Talbot, de Gonzalez/ Marimon, abandonaria horas depois com um furo no radiador.
Com o Jaguar dos “Peters” na dianteira (Whitehead/ Walker), a fábrica britânica confirmou a sua força tão bem demonstrada pelo carro #22 e a dupla acabaria por vencer e bater o recorde de distância percorrida (3.611Km). A melhor volta também tinha sido da Jaguar, mas com Moss estabelecendo 4’46’’800. Com nove voltas de atraso para o vencedor (258), Pierre Meyrant/ Guy Mairesse repetiram a segunda colocação de 1950 com o Talbot Lago e em terceiro o Aston Martin de Macklin/ Thompson. E a Aston ainda posicionaria outros três carros entre os dez.

Enquanto que a Jaguar iniciava a sua história em Sarthe, outra marca que tomaria de assalto a fabulosa prova a partir dos anos setenta, também fazia a sua estréia e com vitória: a Porsche estreou-se em Le Mans naquele ano com o seu modelo 365/4 SL Coupé na classe S1.1 (751/1100) e que acabaria por vencê-la com os franceses Auguste Veuillet/ Edmond Mouche. 

GP do Canadá - Treinos Livres - 7ª Etapa

Lewis Hamilton: “Eu me sinto bem neste fim de semana. Bem no carro, o mesmo da última corrida. E também nos long-runs. Espero que consiga continuar assim e conseguir o que estou mirando.”


Sebastian Vettel: "Eles são rápidos, nós sabemos. Qualquer outra coisa diferente disso seria uma surpresa. Mas não sabemos o que todos estão fazendo, combustível e essas coisas, então temos que tomar cuidado.
Tudo parece estar funcionando como esperado, mas precisamos melhorar ainda e vamos usar a noite para isso"


Kimi Raikkonen: “Tudo funcionou como esperávamos, tudo bem. Mudamos nosso programa um pouco por causa da chuva, mas tudo bem. Não andamos tanto hoje, mas vou tentar melhorar as coisas e ver onde estaremos amanhã. Ainda há trabalho para ser feito com os pneus, mas é mais fácil aqui do que em Mônaco”.


Nico Rosberg: "Aprendemos muito, com certeza. Andamos com pouco combustível e o pneu macio, difícil de aquecer os pneus. A Ferrari está perto. Ainda não falei com os meus engenheiros, então não sei quão perto estão, e eles sabem quanto combustível, pneus eles têm, o que diz muito mais do que os tempos.
O tempo vai ficar seco no resto do fim de semana, então vai ficar mais fácil"


Pastor Maldonado: “Estou feliz com hoje. Nós não conseguimos fazer a volta que eu queria esta manhã, mas o carro pareceu bom na parte seca da segunda sessão. Nós tivemos um bom ritmo nas retas e o carro também está trabalhando bem no setor mais lento. Acho que podemos fazer um progresso extra amanhã e podemos ter um fim de semana forte”


Valtteri Bottas: “A chuva comprometeu o TL2 para todos, mas sabíamos que seria assim, então trabalhamos mais no fim do TL1 mais do que o normal. Fiz um stint longo com muito combustível, então pegamos informações dos freios, motor e temperatura dos pneus, além do equilíbrio do carro. Hoje foi tão competitivo como qualquer outra sexta-feira do ano, então devemos ter uma performance similar à de Barcelona”



quinta-feira, 4 de junho de 2015

24 Horas de Le Mans em 83 fotos: 18ª A grande vitória dos Rosier em Le Mans

O Talbot Lago de Louis e Jean Louis Rosier marcando aquela que seria a única vitória de pai e filho em Le Mans e também a última pelas próximas duas décadas de um carro francês em Sarthe

Os Cadillacs em ação: na frente, o exótico Spider apelidado de "Le Monstre" e atrás o Sedan De Ville
Um ano após a retomada das 24 Horas de Le Mans, a lista de inscritos – contando com um recorde de 60 carros – já contava com carros mais novos e alguns especialmente feitos para a corrida. Foi o caso da Cadillac que, além de ter inscrito um “61 Sedan De Ville”, colocou na pista um protótipo Cadillac Spider baseado na construção de aviões – que teve a participação dos engenheiros da Gruman Aircraft no desenvolvimento deste – que rapidamente recebeu o nome de “Le Monstre”. A Cadillac também estava presente no Allard #4, fornecendo motor e este carro foi conduzido por Sidney Allard/ Tom Coley Jr. Ainda sobre a Cadillac, esta foi a primeira equipe a utilizar de modo oficial, a transmissão de rádio/ boxes durante a prova. Os testes já haviam sido feitos em 1949.
Além do Delletrez, que já havia participado da edição de 1949, outro carro movido a diesel tomava parte da corrida: o MAP (Manufacture D’Armes de Paris), pilotado por François Lacour/ Pierre Veyron, também contava com um motor a diesel. Mas os dois carros não foi muito longe: o MAP abandonou na volta 39 por vazamento d’água e o Delletrez, sempre conduzido por Jacques e Jean Delletrez, abandonou com problemas no motor quando estavam na 120ª volta.
Outra estréia importante em Le Mans foi o da Jaguar: três carros XK 120S foram inscritos e todos eles em equipes particulares. Descontando o #17 que abandonou com problemas de embreagem, o #15 terminou em 12º e o #16 em 15º. A Skoda também se fez presente com o seu modelo “1101 Sport”, que abandonou com problemas no motor. 
Apesar de termos carros novos para aquela edição alguns veteranos de Sarthe ainda tinham fôlego, como era o caso dos Bentley TT Corniche (1934) e Corniche (1939). A Ferrari, vencedora do ano passado, contava com dois novos modelos 195 SC que ficaram a cargo de Luigi Chinetti/ Pierre Louis Dreyfus (#24) e Raymond Sommer/ Dorino Serafini (#25). Outros três 166M estavam com equipes particulares. Pelo lado dos franceses, um punhado de nomes que fariam história pelos anos seguintes na novata Fórmula-1 estavam à serviço da Simca Gordini: Maurice Trintignant, Jose Froilan Gonzales, Juan Manuel Fangio e Jean Behra. Mas nenhum deles chegou ao final.
A força apresentada pela Ferrari #25 de Sommer/ Serafini durante a primeira metade da prova, fez que crer que mais ninguém teria chances contra aquele carro vermelho. O ritmo imposto, principalmente por Raymond, deixava claro que os concorrentes talvez o vissem apenas nas voltas que iriam tomar durante o certamente ou apenas quando o encontrassem comemorando a vitória. Mas um problema elétrico na 12ª hora de prova ceifou a chance de Sommer vencer pela quarta vez em Sarthe. A outra Ferrari, conduzida por Chinetti/ Dreyfus, abandonou sete horas depois com problemas de transmissão.
Sem a Ferrari por perto, apareceu o Talbot Lago T 26C GS #5 de Louis e Jean-Louis Rosier que recuperava-se bravamente de problemas enfrentados ainda na quinta hora de prova, que o fizeram ficar parados por 45 minutos. O esguio carro de F1 abriu caminho por meio dos demais que estavam em pista para chegar à liderança e vencer de forma incontestável. Tinha sido uma vitória marcante e tornou-se conhecidíssima pelo fato de Louis Rosier (pai de Jean) ter pilotado por quase toda a prova, deixando que o filho tomasse o volante por apenas duas voltas...
A segunda posição foi de outro Talbot Lago derivado dos carros de F1, com Pierre Meyrant/ Guy Mairesse ao volante. O Allard-Cadillac de Allard/ Cole Jr. Terminaram num belo terceiro lugar.
Ainda sobre a vitória dos Rosier, Jean, passado um bom tempo, declarou que o folclore criado em torno do seu pai tinha sido um engano por conta do locutor da prova que frequentemente anunciava o nome de Louis a todo o momento nos alto falantes espalhados pelo circuito. Isso levou a ACO a creditar todo aquele tempo para Louis pai no resultado final da prova.    

Foi a primeira e única vitória de pai e filho em Le Mans. Para o automobilismo francês, eles demorariam 22 anos até verem outro carro local vencer as 24 horas.