segunda-feira, 31 de março de 2014

GP da Málasia: Is faster than you... remember?

(Foto: © The Cahier Archive)
Engraçado de como as coisas passam e simplesmente elas retornam de modo simples e direto, mesmo quando a pessoa já está em um outro lugar e talvez não imagine que possa passar por isso novamente. As palavras proferidas durante a aproximação de Valtteri sobre Massa ontem na Malásia, certamente fez o piloto e a maioria dos espectadores se teletransportarem para o dia 25 de julho de 2010, data do difamado GP da Alemanha, onde Felipe ouviu um "Fernando is faster than you" e teve que abrir passagem e deixar a sua primeira colocação para o espanhol. Ontem, em Sepang, o cenário foi diferente apenas com relação as posições em questão e também pela circunstância em que se encontrava o campeonato: enquanto que em 2010 o mundial estava iniciando a sua segunda metade, este de 2014 está apenas na segunda etapa.
Acredito que Massa fez a sua parte, primeiramente pela sua honra (manchada no episódio de 2010) e segundo por uma questão de posicionamento dele na equipe. Sendo assim, ele achou certo em fazer o que deveria ter feito anos atrás e mostrou que ainda assim merece o respeito da equipe e dos demais. Para Valtteri Bottas, que certamente passará a ser visto como um "vilão" por alguns daqui do país, restou apenas engolir a raiva e discutir com a equipe sobre o que fazer caso eles se encontrem novamente neste situação no decorrer deste campeonato.
Mas faltou um pouco de vontade para o jovem finlandês ao meu ver. Ele ameaçou Felipe uma única vez quando tentou algo no final da reta dos boxes, e não atacou mais o piloto brasileiro, esperando apenas uma boa vontade do seu companheiro em lhe servir a posição de bandeja. Pegando como exemplo o famoso caso do "Multi-21" que aconteceu há exato um ano, lá mesmo em Sepang, entre Vettel e Webber, ele deveria ter feito como Sebastian e partido com tudo para resolver a situação. É claro que Felipe defenderia o seu território, mas pelo menos as coisas podiam ter sido mais justas para ambos os lados, sem ter um interferência direta da equipe. No caso do ano passado, o que pega uma certa polêmica, é que parece que as coisas tinham sido acordadas antes do GP de um pacto entre os pilotos para que não houvesse um duelo naquele momento final da corrida. Ignorando essa situação e dando um "migué", Sebastian "rasgou" o pacto e foi com a cara e a coragem para definir a prova à seu favor, para raiva de Webber. Em 2010, indo na mesma linha do "Multi-21", já estava combinado entre os vermelhos e esperaram apenas o momento para colocar em prática a "ultrapassagem" de Alonso sobre Massa. Ontem, pelo menos, não deu a entender que havia algo combinado de ante-mão, portanto se quisessem algo que resolvessem na pista.
Para a Williams ainda falta traquejo para lidar com essas situações. Aconselho a Claire Williams que faça um curso na Ferrari sobre essas operações...

Sobre a corrida, nada de especial: Hamilton venceu com extrema tranquilidade, apresentando sua velha forma de quando tinha um carro rápido nos tempos áureos da Mclaren. Para Rosberg e Vettel, que estiveram próximos, mas sem iniciar um duelo direto, restou apenas encontrar o sorridente inglês no "Parc Ferme" e pódio e parabenizá-lo. Foi interessante observar o quanto que a Red Bull evoluiu e aqueles problemas de confiabilidade que a equipe enfrentou na pré-temporada, parecem estar quase que sob controle. O RB10 também se mostrou muito bom, possibilitando Vettel a acompanhar o ritmo de Rosberg em alguns estágios.
Falando em Mercedes, o carro é muito bom mesmo e enquanto que a Red Bull não evolui o seu RB10, ela vai tratando de abrir uma boa vantagem no mundial de construtores. No de pilotos, a briga deve ser intensa e com essa de um tirar pontos de outro, pode beneficiar o rival ao lado - Sebastian Vettel, no caso. Bahrein é um circuito que Rosberg tem um bom desempenho e assim pode batalhar contra Lewis por uma vitória por lá.
Fernando Alonso e Kimi Raikkoenen continuam remando com um carro que ainda não desencantou - e será que vai desencantar? - e tiveram outra jornada trabalhosa. Se Alonso batalhou contra Hulkenberg para salvar um quarto lugar, Raikkonen teve fazer uma prova de recuperação após um pneu furado depois de um toque com Magnussen. A cena de Kimi lutando com carros como a Caterham e Lotus e tendo sérias dificuldades em conseguir uma ultrapassagem, mostra bem o ano que ele e Fernando terão nas próximas etapas.
A Mclaren me decepcionou um pouco nesta corrida, principalmente pela boa performance apresentada em Melbourne. Tanto Button quanto Magnussen não conseguiram avançar muito no pelotão, ficando restritos a uma batalha contra os "Martini Cars" da Williams. Engraçado que acabou sendo uma luta direta de duas equipes que prometiam bastante ser as rivais mais próximas da Mercedes. Claro, ainda estamos no início do campeonato e no Bahrein as coisas podem mudar de figura, mas como sou pessimista, acredito que estão no nível de Ferrari e Force India. Aliás, outra bela performance de Hulkenberg, que chegou até a liderar a prova por poucas voltas, mas sempre esteve entre os cinco primeiros e ofereceu um trabalho extra para Fernando Alonso nesta corrida.
Não posso me esquecer de duas personagens: a Lotus, que conseguiu completar a corrida com Grosjean na 11ª colocação - e lutando contra uma Ferrari... de Raikkonen - e Kamui Kobayashi que chegou a ficar em décimo num certo estágio da corrida. Com um pouco mais de sorte - diga-se quebras -, teriam chances de pontuar.
Semana que vem é a prova do Bahrein, que agora será disputada do entardecer para a noite. Mais uma do Tio Bernie...

sábado, 29 de março de 2014

Foto 318: A batalha

(Foto: WEC)
Sempre quando escrevo sobre o início do Mundial de Endurance destaco principalmente a LMP1. Não que eu desdenhe das demais categorias que compõe o WEC, mas é que neste 2014 o chamariz para este campeonato está muito forte devido o esperado combate entre Audi, Toyota e Porsche. Deste modo, fica impossível você se concentrar nas demais classes - que são ótimas e que reservam batalhas tão boas quanto a da classe mãe do WEC.
E depois de ver o que a Porsche conseguiu nestes dois dias, com o seu modelo 919 Hybrid, Audi e Toyota terão muito com que se preocupar. Enquanto isso o que resta a nós, é esperar pela abertura do mundial em 20 de abril com as 6 Horas de Silverstone.
Certamente será um presente e tanto para todos nós!

Pole Lap: Lewis Hamilton, Sepang 2014

Confesso que está divertido ver os pilotos domando estes ariscos V6 Turbo durante as suas retomadas, e em pista molhada isso fica ainda mais indubitável.
Aqui neste video Lewis Hamilton cravando a sua segunda pole no ano.

GP da Malásia - Classificação -2ª Etapa

(Foto: Getty Images)
A velha chuva... até gosto deste clima para as competições automobilísticas, mas neste momento do mundial da F1, onde tentamos analisar todas as variáveis devido as novas regras que a categoria se encontra, ela camufla um pouco esta possibilidade, mas ao menos nos dá uma chance de ver quem tem uma boa condição neste tipo de situação. Melbourne, quinze dias atrás foi assim, e hoje em Sepang não foi diferente.
Foi possível constatar que a Mercedes tem um bom carro para pista molhada, principalmente pelas mãos de Lewis Hamilton, que é reconhecidamente um exímio piloto na chuva e isso não foi problema para que ele marcasse sua segunda pole consecutiva e 33ª da carreira, empatando com Jim Clark e Alain Prost neste quesito. Para a Red Bull o saldo foi positivo - diria que muito - por tudo que se desenhava desde a problemática pré-temporada, ver Vettel em segundo e Ricciardo em quinto é um sonho. Mas ainda devemos observá-los em condições de pista seca para uma melhor avaliação, afinal as duas classificações foram feitas em condições anormais e isso conta muito o braço e sensibilidade do piloto para levar o carro. Bahrein será um bom teste.
A Ferrari era de se esperar um pouco mais, confesso. Raikkonen não teve um bom momento na chuva, perto do que fizera em pista seca durante os treinos livres. Alonso bateu com Kvyat no início do Q2 e teve a sorte dos mecânicos terem sido rápidos para recolocá-lo de volta na pista e garantir a passagem para o Q3 e depois conquistar uma quarta colocação que por muito pouco não teria sido uma terceira, caso Rosberg não tivesse superado-o no final da última parte. Fernando pode ter uma corrida problemática devido a situação que ficou no seu carro após o incidente com Kvyat, onde a dirigibilidade ficou bastante afetada.
Para os demais foi um bom treino, principalmente para Hulkenberg - sempre mostrando a sua já conhecida habilidade na chuva, ao colocar a Force India na sétima colocação - e Kevin Magnussen, que mais uma vez fez um bom trabalho e se colocou à frente de Button mais uma vez.
Com relação à Williams, mais uma vez a chuva foi vilã e atrapalhou seus dois pilotos: Massa e Bottas caíram no Q2 e para piorar Valtteri foi punido com a perda de três posições após atrapalhar a volta rápida de Daniel Ricciardo no Q2. Um lance, que para mim, foi normal...

O que esperar para a prova?: Tudo indica para uma corrida com pista seca, mas tratando-se de Sepang, ainda mais no horário que a corrida é realizada, por volta das 16 horas (5 da manhã aqui no Brasil), a tendência é que chova e com isso pode acontecer atrasos, e por aí vai...
Sobre a prova, caso seja disputada em pista seca, a tendência é que as Mercedes tenham um bom desempenho (isso se não apresentarem problemas) sumindo na frente. Para o restante, um briga muito boa pelo lugar restante no pódio: as duas Red Bulls, Ferraris, Mclarens e a Force India de Hulkenberg poderão muito bem entrar numa batalha interessantíssima, isso sem contar com a ascensão que as Williams possam ter durante uma prova com pista seca.
Caso a chuva apareça por toda a corrida, ou até mesmo por um breve momento, as coisas podem melhorar para os times que não utilizam motores Mercedes, abrindo uma possibilidade para Red Bull e Ferrari desafiarem o poderio da Mercedes pela dianteira.

Grid de Largada para o Grande Prêmio da Malásia - 2ª Etapa

1) Lewis Hamilton (ING/Mercedes) 1m59s431
2) Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) 1m59s486
3) Nico Rosberg (ALE/Mercedes) 2m00s050
4) Fernando Alonso (ESP/Ferrari) 2m00s175
5) Daniel Ricciardo (AUS/RBR-Renault) 2m00s541
6) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) 2m01s218
7) Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) 2m01s712
8) Kevin Magnussen (DIN/McLaren-Mercedes) 2m02s213
9) Jean-Eric Vergne (FRA/STR-Renault) 2m03s078 
10) Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) 2m04s053 
11) Daniil Kvyat (RUS/STR-Renault) 2m02s351  (Q2)
12) Esteban Gutiérrez (MEX/Sauber-Ferrari) 2m02s369  (Q2)
13) Felipe Massa (BRA/Williams-Mercedes) 2m02s460  (Q2)
14) Sergio Pérez (MEX/Force India-Mercedes) 2m02s511  (Q2)
15) Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) 2m02s885  (Q2)
16) Pastor Maldonado (VEN/Lotus-Renault) 2m02s074  (Q1)
17) Adrian Sutil (ALE/Sauber-Ferrari) 2m02s131  (Q1)
18) Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes) 2m02s756  (Q2)*
19) Jules Bianchi (FRA/Marussia-Ferrari) 2m02s702  (Q1)
20) Kamui Kobayashi (JAP/Caterham-Renault) 2m03s595 (Q1)
21) Max Chilton (ING/Marussia-Ferrari) 2m04s388  (Q1)
22) Marcus Ericsson (SUE/Caterham-Renault) 2m04s407  (Q1)

* Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes) foi punido com a perda de 3 posições no grid de largada por atrapalhar Daniel Ricciardo (AUS/RBR-Renault) no Q2

quarta-feira, 26 de março de 2014

Foto 317: 919 na pista

(Foto: Porsche)
A Porsche levou os seus dois 919 Hybrid para a pista de Paul Ricard para simulação de prova durante três dias, antes que começassem os testes oficiais que terão início nesta sexta. Os seis pilotos da marca estiveram presentes - Romain Dumas , Neel Jani , Marc Lieb , Timo Bernhard , Brendon Hartley e Mark Webber - e foram responsáveis pelos testes. 
Andrea Seidl, chefe da equipe, falou sobre os resultados destes três dias: "Este teste foi um grande desafio para toda a equipe. Pela primeira vez, nós estávamos correndo dois carros ao mesmo tempo , que foi exigente em termos de logística e coordenação de equipe."
"O outro objetivo era simular um fim de semana de corrida , a fim de se preparar para as duas corridas de seis horas que estão surgindo. Esta foi uma experiência muito importante para nós. "
Os três dias de testes foram importantes para a equipe averiguar alguns problemas no novo bólido:
"O teste nos ensinou que temos que melhorar em termos de confiabilidade. No que diz respeito à forma como a tripulação e os controladores trabalharam juntos como uma equipe, nós estamos indo na direção certa" 
"Os próximos dois dias de testes aqui em Paul Ricard, durante o Prólogo, será usado para configurar ambos, bem como os processos específicos de corrida do carro."   
Os dois dias de testes na pista francesa contará com a presença dos times da LMP1 e demais categorias.

Fonte: sportscar365.com

Foto 316: Porsche

"Mas será que vai dar certo?". Talvez essa fosse a pergunta que se passava pela cabeça de Ron Dennis enquanto estava debruçado e observando o novo motor TAG Porsche Turbo, que estreou no Mclaren  de Niki Lauda durante o GP da Holanda de 1983 - Jonh Watson correu com o Ford Cosworth.
Apesar da aparente preocupação, o que fez Lauda abandonar foi um problema nos freios depois de ter largado na 19ª colocação. Watson levou o outro Mclaren ao pódio, chegando em terceiro.
Os anos seguintes responderiam a dúvida de Dennis: de 1984 até 1986 foram cinco títulos (três de pilotos com Niki Lauda (84) e dois com Prost (85 e 86) e dois de Construtores (84 e 85).
Nada mal...

Foto 315: Matra Boys

A esquadra da Matra. Da esquerda para direita: Patrick Depailler, Bernard Fiorentino, Jean-Pierre Jaussaud, Gerard Larrousse, Marcel Chassagny (fundador da Matra), Jean-Pierre Beltoise, Jean-Pierre Jabouille, François Cevert & Henri Pescarolo.
Dos oito pilotos da foto, somente Bernard Fiorentino e Jean Pierre-Jaussaud que não chegaram à F1. Fiorentino se enveredou pelo mundo dos Rallies durante a década de 70 pilotando pela Simca. Jaussaud foi piloto de testes da equipe Renault na F1 em 1980 e pela mesma marca ele conseguiu a vitória em Le Mans, 1978 em dupla com Pironi, conquista que ele repetiria em 1980 com a equipe Rondeau.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Foto 314: Penske

O cara aí de trás, que está entortando a Ferrari 250 GTO, é nada mais que Roger Penske durante um dos estágios do Tourist Trophy, realizado em Goodwood em 1963 e válido para o World Sportscar Championship.
Roger pilotou para a North American Racing Team (NART) e largou em sexto e terminou em oitavo no geral. A sua frente o Jaguar E-Type de Jack Sears, um dos melhores pilotos britânicos de turismo dos anos 60, tendo ganho dois campeonatos do Saloon Car Championship - precursor do atual BTCC - nos anos de 1958 (temporada inaugural) e em 1963. Sears terminou em quarto no Tourist Trophy após ter largado em sétimo.
A prova foi vencida por Graham Hill (Ferrari 250 GTO), seguido por Mike Parkes (Ferrari 250 GTO) e Roy Salvadori (Jaguar E-Type).

sábado, 22 de março de 2014

Pole Lap: Ayrton Senna, Interlagos 1991

A galera já deve estar cansada de ter visto essa pole do Senna em Interlagos 1991, mas fica como registro pelos 54 anos que o piloto brasileiro teria completado ontem.

terça-feira, 18 de março de 2014

GP da Austrália: A corrida da cautela



No baixar da bandeira quadriculada para a incontestável vitória de Nico Rosberg em Melbourne, a minha impressão é de que a prova ficou devendo algo a mais para os fãs. Depois de uma classificação tão interessante, com um grid atraente, eu esperava mais dessa primeira etapa. Mas um breve raciocínio me fez enxergar as coisas de outro modo.
Quando as equipes se reuniram para os primeiros testes, alguns comentários apareceram de que os pilotos não podiam usar toda a potência dos novos motores exatamente para preservá-los naqueles primeiros dias. Até faz sentido, pois nos oitos dias seguintes, no calor do deserto de Sakhir, eles puderam acelerar ao máximo extraindo tudo, ou quase tudo, de seus propulsores. Em Melbourne fiquei com a impressão de os pilotos estavam cautelosos demais, arriscaram pouco em tentar alguma manobra de ultrapassagem. Outro fator que deve ter contribuído – e muito – para isso, foi a preocupação com o consumo de combustível que mais tarde ceifaria a segunda posição de Ricciardo. Salvo as belas ultrapassagens de Bottas, o único a se arriscar de fato nessa corrida, é que acabou sendo a salvação de um GP que poderia ter sido interessante.
Apesar disso a prova serviu para mostrar que a Mercedes apresenta um bom carro neste início de temporada e que os seus motores são fortes. Não dá para saber a real potência deles – ano passado rodou o boato de que tinha em torno de 100cv a mais que Ferrari e Renault – mas percebe-se que tem um bom desempenho e suas clientes estão bem servidas nesse quesito. A Williams que o diga...
Aproveitando o gancho, Valtteri Bottas foi o grande nome do dia em Melbourne com a sua série de ultrapassagens e após uma bela recuperação após tocar o muro na décima volta, que acabou por estourar o pneu esquerdo direito quando já estava na cola de Alonso. Recuperou-se bem e terminou em sexto. Baseando-se no que Bottas fez durante as 58 voltas, dá para imaginar o que teria conseguido Felipe Massa, caso este não tivesse ficado de fora logo na largada quando Kobayashi o acertou. Mas o fato é que a Williams possui um bom e que pode reservar a equipe bons resultados no decorrer do ano.
Além de Bottas, não posso esquecer-me de falar de Magnussen e Kyyat que tiveram uma boa jornada em Melbourne. Enquanto que o dinamarquês levou foi ao pódio pela primeira vez, conseguindo em alguns estágios pressionar Daniel Ricciardo na luta pela segunda posição, Kvyat esteve no encalço de Kimi Raikkonen e a frente do seu companheiro de Toro Rosso, Vergne. Daniil garantiu um ponto que serviu também para colocá-lo na história da F1 como o piloto mais novo a pontuar, superando Sebastian Vettel. Já Kevin Magnussen, além de ser o primeiro dinamarquês a chegar ao pódio, mostrou qualidades que pode garantir a ele um bom ano de estréia e também, quem sabe, colocar o sobrenome Magnussen entre os melhores da categoria, algo que seu pai, Jan, deixou escapar nos anos 90.
Para os australianos ficou a frustração de um final de semana que tinha sido perfeito para Daniel Ricciardo, que conseguiu se colocar à frente de Vettel no grid e que passou toda a corrida na segunda colocação. O rolo entre FIA e Red Bull com a história do fluxômetro, acabou por tirar os dezoitos pontos que conquistara. Uma pena.
Apesar do temor de nenhum carro completar o GP – quanto exagero – até que o número de pilotos que completaram o GP foi decente: catorze chegaram ao final, sendo que dos oito abandonos 6 foram por problemas. Vettel e Hamilton saíram logo no início, o primeiro mostrando que o motor Renault ainda não tem toda força, apesar da bela corrida de Ricciardo que não apresentou problemas, e outro, com um foguete nas mãos, teve uma avaria ainda nas primeiras voltas, sendo forçado a se retirar.
Já a Ferrari não apresentou grande ritmo nessa prova e parecia que tanto Alonso, quanto Raikkonen estavam pilotando caminhões – se alguém da Ferrari ler isso – tamanha a dificuldade de ambos.
Quando os carros estiveram rodando pelo circuito de Sepang nos dias 28, 29 e 30 de março, é que podemos continuar a analisar as coisas. Como disse, a impressão que tive é que os pilotos estavam comedidos, receosos em arriscar. Talvez numa pista permanente, com bons pontos de ultrapassagens, eles possam tentar algo mais.

sábado, 15 de março de 2014

Pole Lap: Lewis Hamilton, Melbourne 2014

E que beleza de volta que Hamilton fez para alcançar a sua pole de número 32 em Melbourne. Detalhe para o trabalho em tentar corrigir o sobreesterço do Mercedes e com a explicação de Mark Webber.

Crash: 12 Horas de Sebring

Forte acidente entre dois protótipos da classe PC paralisou a corrida por alguns minutos, quando o carro de David Ostella entrou forte demais na última curva  do circuito chocando-se contra a barreira de pneus e indo o meio da pista. Frankie Montecalvo não conseguiu desviar e acabou acertando Ostella. Apesar da imagem, os pilotos saíram bem.
E logo no início da prova um incêndio no Viper de Bean Keating, da categoria GTD, pegou fogo e a ineficiência do resgate acabou deixando com que o carro fosse envolvido pelas chamas. Keating já estava fora do carro no momento.


GP da Austrália - Classificação -1ª Etapa

Foi a 32ª pole de Hamilton, igualando a marca de Nigel Mansell
(Foto: Getty Images)
Apesar da minha torcida para que a chuva não caísse durante a classificação, não há como negar que ela tenha contribuído para deixar a tomada de tempos mais interessante e caótica. Lewis Hamilton cravou uma pole que era certeira, mas ao seu lado apareceu a grande estrela do dia Daniel Ricciardo que conduziu de forma imaculada o seu RB10 rumo a um segundo lugar que, até semanas atrás, era totalmente descartável. Ok, a marca foi alcançada numa situação que mais parecia uma loteria, mas isso não tira de forma alguma o mérito do piloto local que levou a torcida a loucura. Esta mesma torcida que minutos antes havia delirado com o fato de Sebastian Vettel, que lutava com um carro quase inguiável, não ter conseguido passar para o Q3 (algo que não acontecia com o quatro vezes campeão mundial desde a classificação para o GP da Bélgica de 2012). Imagino o quanto que os australianos devam estar ansiosos pela prova de logo mais.
Além da bela performance de Ricciardo, também façamos justiça ao trabalho primoroso de Kevin Magnussen e Danil Kvyat que marcaram a 4ª e 8ª posições respectivamente, ficando bem à frente de seus parceiros de equipe Button e Vergne.
A Ferrari teve Fernando Alonso conquistando um quinto tempo, mas poderia ter ido mais à frente se ambos não tivessem optado por pneus intermediários quando a chuva estava mais forte no Q3. Quando pôs os de pista molhada Fernando conseguiu uma melhora, mas era tarde para conseguir um lugar entre os quatro primeiros. Kimi Raikkonen teve trabalho com a sua F14T  durante as duas primeiras partes do treino e quando procurava melhorar o seu tempo, achou o muro. Sairá em 11º.
Para os que apostavam numa boa qualificação da Williams, o desempenho dos dois carros foram bem abaixo do esperado com a pista molhada. Devido o fato de não conseguirem achar aderência com os pneus intermediários, Massa e Bottas tiveram dificuldades no Q3 e o resultado foi a dupla conquistando a nona e décima colocações. Mas Valtteri ainda seria punido com a perda de cinco posições e sairá em 15º.

O que esperar da corrida? Devido a dificuldade que foi vista por quase todos os pilotos em controlar os carros, devido o maior torque do V6 Turbo (segundo Hamilton, foi o carro mais difícil de pilotar no molhado que ele já teve), não será surpresa se alguém rodar já na largada e causar uma carambola já na primeira curva. Também não será surpreendente se alguém ficar pregado na linha de partida assim que as luzes vermelhas se apagarem...
Por outro lado as apostas estão na Mercedes, em especial sobre Hamilton, para quem a maioria aposta numa conquista em Melbourne. De fato até eu apostaria, mas existe um velho fantasma por aqueles lados que ainda repousa sobre os pneus e tanto Lewis, quanto Rosberg, reclamaram sobre o desgaste já no terceiro treino livre. É algo que devemos ficar de olho, assim como no consumo de combustível. Se a prova for feita com chuva, os motores "beberão" menos. Se for em pista seca, aí os cuidados devem ser redobrados.
As nuances do que pode vir a ser o desempenho dos Mercedes, a luta de Raikkonen, Vettel, Button, Massa e Bottas em tentar escalar o pelotão, a impetuosidade dos novatos Magnussen e Kvyat e mais a virtuosidade já conhecida de Alonso, já é convite para ficar acordado e assistir essa abertura de mundial.

Grid de Largada para o Grande Prêmio da Austrália - 1ª Etapa

1. Lewis Hamilton (Mercedes): 1m44s231
2. Daniel Ricciardo (RBR-Renault): 1m44s548
3. Nico Rosberg (Mercedes-Mercedes): 1m44s595
4. Kevin Magnussen (McLaren-Mercedes): 1m45s745
5. Fernando Alonso (Ferrari-Ferrari): 1m45s819
6. Jean-Eric Vergne (STR-Ferrari): 1m45s864
7. Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes): 1m46s030
8. Daniil Kvyat (STR-Ferrari): 1m47s368
9. Felipe Massa (Williams-Mercedes): 1m48s079
10. Jenson Button (McLaren-Mercedes): 1m44s437
11. Kimi Raikkonen (Ferrari): 1m44s494
12. Sebastian Vettel (RBR-Renault): 1m44s668
13. Adrian Sutil (Sauber-Ferrari): 1m45s655
14. Kamui Kobayashi (Caterham-Renault): 1m45s867
15. Valtteri Bottas (Williams-Mercedes): 1m48s147*
16. Sergio Pérez (Force India-Mercedes): 1m47s293
17. Max Chilton (Marussia-Ferrari): 1m34s293
18. Jules Bianchi (Marussia-Ferrari): 1m34s794
19. Marcus Ericsson (Caterham-Renault): 1m35s157
20. Romain Grosjean (Lotus-Renault): 1m36s993
21. Pastor Maldonado (Lotus-Renault): sem tempo
22. Esteban Gutiérrez (Sauber-Ferrari): 1m35s117*

 
* Punidos com cinco posições no grid em razão da troca do câmbio

sexta-feira, 14 de março de 2014

Vídeo: A classificação do GP da Austrália... de 1987

Ano passado, nessa mesma altura, havia colocado um vídeo da classificação para o GP da Austrália de 1986. Pois bem, passado um ano, coloco o de 1987. Divirtam-se!

GP da Austrália - Treinos Livres - 1ª Etapa

Lewis Hamilton: "Acho que montamos uma premissa importante no TL2 e posso partir dela para o TL3 e, então, a classificação. Teria sido ótimo voltar à pista no TL1, mas consegui compensar no treino seguinte, e me sinto bem confortável com o carro"
Apesar de os dois primeiros treinos livres não revelarem a real força das equipes - o que fica restrito ao terceiro treino livre, classificação e corrida -, o primeiro dia em Melbourne foi importante para que as equipes continuassem a sua "Pré-Temporada" na pista australiana. E isso mostrou-se de grande valia para as equipes Renault, que não enfrentaram problemas crônicos: Lotus e Caterham tiveram contratempos na parte elétrica, tanto que, somando a saída dos dois times para a pista de Albert Park, eles fizeram dezessete voltas ao todo nas suas sessões. Toro Rosso e Red Bull não tiveram nenhum problema e conseguiram um bom número de voltas. Vettel foi o melhor da Red Bull, ao se colocar em quarto no geral e Jean Éric-Vergne o melhor da Toro Rosso, fechando em 11º.
A Mercedes, apesar do do susto com a parada de Hamilton na sua primeira saída para a pista, fez o que dela se esperava ao conseguir cravar a primeira fila com Lewis e Nico Rosberg. Mais de meio segundo depois, apareceu Alonso -  que foi o melhor pela manhã - com a sua Ferrari. A Williams teve um bom trabalho com Bottas e Massa na primeira parte ao dominar a segunda fila, mas na segunda o desempenho caiu um pouco e Valtteri conseguiu o oitavo lugar e Felipe o 12º.
Interessante foi ver que o melhor tempo alcançado por Lewis Hamilton neste primeiro dia foi 3.717 segundos mais lento que a marca feita por Vettel no primeiro dia do ano passado em Melbourne. Com relação a pole de 2013, que foi feita por Sebastian, a diferença fica em 2.218 segundos. Levando em conta que os pilotos este ano utilizarão pneus mais macios no Q3, pode ser que eles se aproximem mais da marca de 2013 na disputa pela pole.

Resultado dos treinos livres para o Grande Prêmio da Austrália - 1ª Etapa

1. Lewis Hamilton (ING/Mercedes): 1m29s625 
2. Nico Rosberg (ALE/Mercedes): 1m29s782
3. Fernando Alonso (ESP/Ferrari): 1m30s132
4. Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault): 1m30s381
5. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes): 1m30s510
6. Daniel Ricciardo (AUS/RBR-Renault): 1m30s538
7. Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari-Ferrari): 1m30s898
8. Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes): 1m30s920
9. Kevin Magnussen (DIN/McLaren-Mercedes): 1m31s031
10. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes): 1m31s054
11. Jean-Eric Vergne (FRA/STR-Ferrari): 1m31s060
12. Felipe Massa (BRA/Williams-Mercedes): 1m31s119
13. Sergio Pérez (MEX/Force India-Mercedes): 1m31s283 
14. Adrian Sutil (ALE/Sauber-Ferrari): 1m32s355
15. Esteban Gutiérrez (MEX/Sauber-Ferrari): 1m32s468
16. Daniil Kvyat (RUS/STR-Ferrari): 1m32s495
17. Jules Bianchi (FRA/Marussia-Ferrari): 1m33s489
18. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault): 1m33s646
19. Max Chilton (ING/Marussia-Ferrari): 1m34m757
20. Marcus Ericsson (SUE/Caterham-Renault): sem tempo
21. Kamui Kobayashi (JAP/Caterham-Renault): sem tempo
22. Pastor Maldonado (VEN/Lotus-Renault): sem tempo

Nico Rosberg: “Foi um dia positivo. Ainda estou otimista para o fim de semana, mas tudo está no limite. A confiabilidade, como vocês viram com meu companheiro de equipe na pista, e o consumo de combustível são muito difíceis”

Fernando Alonso: “A pista melhorou da primeira para a segunda sessão, com mais aderência comparado com esta manhã e também tinha mais vento“Rodar com o pneu macio certamente ajudou, já que a aderência extra representou a queda nos tempos, mas é impossível ter uma ideia clara do quão competitivos nós somos, pois, como sempre, os resultados de sexta-feira não significam muita coisa. Para saber mais, teremos de esperar até que todos estejam rodando de forma equilibrada”

Sebastian Vettel: “Foi muito bom. É um grande alívio. Muito trabalho foi dedicado a isso. Nenhum de nós teve grandes problemas hoje, os carros estavam andando e o equilíbrio estava bom“No fim da sexta-feira, os tempos não contam muito, mas é muito melhor estar mais perto do topo do que perdido em algum lugar lá atrás“Em termos de velocidade, sabemos que há mais por vir, mas, até aqui, parece bom”

Jenson Button: "Não acho que nosso ritmo seja tão forte quanto parece no treino, mas estamos OK. Nosso balanço ainda não é o ideal. Não estamos perto dos mais rápidos, já sabíamos, mas é surpreedente que a Mercedes seja tão mais rápida que todo mundo, incluindo a Williams - que parece com dificuldades para fazer curvas em alta velocidade, o que também é uma surpresa"

quinta-feira, 13 de março de 2014

Foto 313: Ímola 500

Os 500 Km de Ímola de 1969. Na foto o Gulf Mirage Ford de Jacky Ickx liderando o pelotão durante a volta de apresentação, seguido por Andrea De Adamich no Alfa Romeo T33/3 da Autodelta, Arturo Merzario no FIAT Abarth 3000 e pelo Porsche 908/02 do Team Salzburg Porsche conduzido por Kurt Ahreins Jr.
A prova, que fechou o campeonato italiano para carros sport naquele ano, foi vencida por Ickx que teve a companhia de Ignazio Giunti (Alfa Romeo T33/3) e de Gijs Van Lennep/ Johannes Ortner (FIAT Abarth Cuneo) no pódio.

Vídeo: 64 anos

Já havia visto este vídeo no início do ano (e creio que a maioria tenha visto também), mas achei propício colocá-lo agora no blog. Afinal de contas, a bagaça está para começar!

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Foto 312: Pobre Toleman

Brian Henton deve ter abusado um pouco durante os treinos para o GP da Grã-Bretanha de 1981 e moeu a lateral do Toleman TG181. O piloto inglês não classificou-se para a corrida, que foi vencida por John Watson com a Mclaren marcando, assim, a primeira vitória de um carro com monocoque de fibra de carbono. Completaram o pódio Carlos Reutemann (Williams) e Jacques Laffite (Ligier).

segunda-feira, 10 de março de 2014

Foto 311: Senna e Alesi


Ayrton Senna e Jean Alesi domando as suas máquinas...

Foto 310: Rallycross

Apesar do cenário mais parecer com que os pilotos de Rallycross encontram em algumas etapas, a foto retrata como estava a parte do paddock da pista australiana de Warwick Farm durante uma etapa da Tasman Cup de 1973.
O piloto da foto é Graham McRae tentando controlar o seu Mcrae GM1 Chevrolet no lamaçal que virou a parte de trás dos boxes em Warwick Farm. Graham terminou em terceiro naquela prova, que foi vencida por Steve Thompson com um Chevron B24 Chevrolet.
Graham McRae, que não tem nenhum parentesco com o lendário Colin McRae, foi o maior vencedor da Tasman Cup ao conquistar três títulos nos anos de 1971, 72 e 73.

sábado, 8 de março de 2014

Foto 309: Martini Racing Team








Iniciando pela Porsche, passando por Tecno e Brabham na F1, seguindo com a Lancia nos Rallies e endurance e depois terminando com a Alfa Romeo no DTM e ITC dos anos 90.
A Martini, que completou em 2013 150 anos de existência, confirmou a sua parceria com a Williams voltando a estampar no carro inglês as suas cores após quase vinte anos.
Além de ter deixado o FW36 mais bonito, foi impossível não lembrar do Brabham BT44 dos "Carlos" - José Carlos Pace e Carlos Reutemann - na metade dos anos 70. E foi nessa que tive uma idéia bem interessante na quinta passada...

Seria uma justa homenagem ao Moco...

quarta-feira, 5 de março de 2014

Vídeo: A jóia de Weissach

Só para aumentar a ansiedade, mais um vídeo da Porsche mostrando a sua cria 919 Hybrid e as glórias alcançadas pelos bólidos do passado.
E enquanto isso, continuamos a contar os dias para início do WEC...


segunda-feira, 3 de março de 2014

Vídeo: Os testes da F1

Nogaro, Silverstone, Barcelona, Bahrein... Os Turbos dos anos 80, os V12 da Honda, os lendários V10 e os Turbos da atual geração. Quatro vídeos para todos os gostos, criticas e comparações. Divirtam-se!

F1 Pré-Temporada: Mercedes e Williams na frente



(Foto: Abril/Quatro Rodas)

Nestes quase cinco anos de blog foram poucas as vezes que dei alguma ênfase aos testes de pré-temporada – a não ser colocar os tempos obtidos em cada dia -, por imaginar que na maioria das vezes elas são ilusórias. Alguma equipe pode dominá-las totalmente, fazendo com que imprensa e fãs apontem-a como a grande favorita e quando esta alinhasse para as primeiras corridas do ano, poderia muito bem ser um grande fiasco. Enquanto isso, aquele time que passou todo inverno vagueando pelo meio do pelotão e em quase nenhum momento mostrou algo de concreto, simplesmente domina todo - ou boa parte – das corridas e torna-se a grande sensação. É claro que faz parte do jogo você acertar ou errar, mas preferi sempre ficar observando as ações durante essa época da F1. Porém, com essa mudança de regulamentos, achei conveniente expressar a minha opinião do que vi nestes doze dias de testes entre Jerez e a dupla bateria em Sakhir.

Quem levou a melhor? Para quem acompanhou os tempos, notícias e comentários, não é novidade que os carros com motores Mercedes foram os grandes nomes desta pré-temporada. Ao todo foram onze dias com os propulsores alemães na frente (McLaren, Mercedes e Force India 3 cada; Williams 2) o outro dia ficou por conta da Ferrari, em Jerez.
A confiabilidade passada pela Mercedes, tanto para a equipe de fábrica, quanto para os clientes, foi positiva e poucos problemas relacionados ao motor foram notificados. Isso traz um bom presságio para as quatro equipes que usam este motor. A Ferrari também pode comemorar, de certa forma, já que tiveram problemas, mas nada alarmante – apenas a Marussia e Sauber é que enfrentaram contratempos, mas que foram resolvidas e ambas pôde realizar a sua programação. Pelos menos não foi nada parecido com a Renault, que enfrentou vários problemas desde Jerez com as suas equipes clientes devido a refrigeração dos seus motores. O mais grave dos problemas ainda repousa sobre a Red Bull, devido – principalmente – a um carro concebido por Adrian Newey que, como todos sabem, privilegia a aerodinâmica em sua totalidade durante a concepção do carro. Devido a isso a falta de espaço para refrigerar o propulsor francês e daí o alto número de quebras. Toro Rosso e Caterham amenizaram um pouco estes contratempos, mas não o eliminaram. A Lotus, que optou em não testar em Jerez, aparecendo apenas na segunda sessão no Bahrein, também tem feito companhia para a Red Bull neste calvário. Mas ao menos poderão alegar que tudo isso é por conta da baixa quilometragem do E22 – a Lotus, nestas duas rodadas de testes em Sakhir, completou 196 voltas, cem a menos que a Red Bull (contando apenas estes testes no Bahrein).      

O desempenho: Interessante observar a tabela dos tempos de cada dia e depois a somatória geral ao final dos quatro dias. Em Jerez, por exemplo, os pilotos estiveram impedidos de usar a potência dos motores em sua totalidade, daí o fato da melhor marca ter ficado em torno de cinco segundos mais lenta que a alcançada por Massa durante os testes de 2013 (Massa fez na casa de 1’18 contra 1’23 de Magnussen neste ano). Porém, já em pista barenita, com os pilotos podendo explorar o máximo de seus carros, a marca de Nico Rosberg foi de 1’33’’283 ficando a 0’’953 acima da pole que foi estabelecida por ele ano passado. Uma boa volta que ele mesmo admitiu ter conseguido devido a pouca gasolina no tanque. Felipe Massa, no penúltimo dia da última bateria de testes, bateria a marca de Rosberg ao fazer 1’33’’258 (0’’928 acima da pole de 2013), mostrando que os carros com motores V6 Turbo parecem não ser a catástrofe que aparentavam... Ao menos pelos lados da Mercedes.
A Ferrari ficou sempre em colocações próximas aos dos carros com motores Mercedes. Tomando em conta apenas os testes em Sakhir, a média dos tempos da “Rossa” oscilou entre 1’34 e 1’36 o que faz crer que a equipe tenha optado por trabalhar o carro para o GPs. Isso me faz imaginar as caras de poucos amigos que Alonso e Raikkonen poderão mostrar ao fim das classificações... a média de tempo entre ela e a Mercedes e Williams neste ficou na casa de um a dois segundos de desvantagem. As outras duas equipes impulsionadas pelos Ferrari, Sauber e Marussia, tiveram desempenhos quase parelhos: se em Jerez eles estiveram bem próximos nos tempos, a Sauber teve uma boa vantagem sobre a equipe russa na segunda bateria. Porém, na terceira parte dos testes, a Marussia voltou a incomodar os suíços. Numa análise fria, a equipe russa pode fazer um bom papel nestas primeiras corridas enquanto que a Sauber deve demorar a se acertar.
No panorama das equipes Renault, a coisa andou bem nebulosa nos primeiros testes, mas que aparentemente clareou uma parte nesta última rodada de testes: a Toro Rosso terminou com a melhor marca entre os Renaults e num geral, computando os resultados desde Jerez, pode-se dizer que foi a melhor das clientes – principalmente nestes últimos dias com Vergne ficando próximo do tempo de Hulkenberg e Kvyat a dois décimos de Magnussen. A Caterham conseguiu apresentar um bom ritmo até a segunda parte do programa, que veio a despencar neste último. Mas foi a equipe que mais andou com o Renault, completando 626 voltas nestes doze dias. Com relação à Red Bull talvez foi a que mais tenha sofrido com os motores franceses devido ao superaquecimento, que já dito aqui. Mas a construção do carro ajuda bastante nesta falta de refrigeração. Tão pior, ou igual a eles, a Lotus, que preferiu participar dos testes a partir da segunda rodada, enfrentou problemas a rodo em Sakhir com o motor e também na parte mecânica do carro.
Partindo para os difamados motores V6 Turbo, estes apresentaram boas performances na pista barenita, principalmente em reta. Fernando Alonso, em um destes oitos dias, chegou a cravar a marca de 336 Km/h no final de uma das retas do circuito, levando Nico Rosberg a acreditar que eles possam chegar aos 360 Km/h em Monza... seria nada mal para um motor que tem sido tão criticado. O barulho também não está todo mal: o ronco abafado e o barulho da turbina nas retomadas de velocidade são bem agradáveis – pelo menos para mim –, mas para quem gostava do barulho estridente dos saudosos V10 e V8, a crítica continuará por um bom tempo. A digiribilidade dos carros também mudou devido à baixa carga aerodinâmica, fazendo com que saia mais de traseira na saída de curva. Pelo menos a Pirelli caprichou nos pneus deste ano e talvez não vejamos aquela “farofeira” no canto das pistas e nem os pilotos andou cinco, seis voltas e correndo para trocá-los.
(Arte: Caio Signorelli)

(Arte: Caio Signorelli)



Resultado Geral
Bahrein - Circuito de Sakhir
Testes de Pré-Temporada- Terceira parte

Fórmula-1 – Soma dos tempos



1.  Felipe Massa   (BRA/Williams-Mercedes)      1m33.258
2.  Lewis Hamilton     (ING/Mercedes)           1m33.278
3.  Nico Rosberg       (ALE/Mercedes)           1m33.484
4.  Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes)     1m33.987
5.  Fernando Alonso    (ESP/Ferrari)            1m34.280
6.  Sergio Pérez (MEX/Force India-Mercedes)     1m35.290
7.  Kimi Raikkonen     (FIN/Ferrari)            1m35.426
8.  Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes)  1m35.577
9.  Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso-Renault)   1m35.701
10.Daniel Ricciardo (AUS/RBR-Renault)       1m35.743
11.Kevin Magnussen (DIN/McLaren-Mercedes)   1m35.894
12.Daniil Kvyat (RUS/Toro Rosso-Renault)    1m36.113
13.Adrian Sutil   (ALE/Sauber-Ferrari)      1m36.467
14.Max Chilton    (ING/Marussia-Ferrari)    1m36.835
15.Jenson Button  (ING/McLaren-Mercedes)    1m36.901
16.Jules Bianchi  (FRA/Marussia-Ferrari)    1m37.087
17.Esteban Gutierrez (MEX/Sauber-Ferrari)   1m37.303
18.Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault)  1m37.468
19.Marcus Ericsson (SUE/Caterham-Renault)   1m38.083
20.Kamui Kobayashi (JAP/Caterham-Renault)   1m38.391
21.Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault)      1m39.302
22.Pastor Maldonado (VEN/Lotus-Renault)     1m40.599

Com relação às marcas alcançadas por cada piloto e destacando a ótima performance dos clientes da Mercedes, a única dúvida que fica nestas “Flying Laps” é se eles conseguiram elas em poucas voltas ou tiveram uma longa sequência no mesmo segundo. Isso indicaria, por exemplo, se de fato o carro é forte suficiente até mesmo durante a corrida ou se apenas essas marcas podem ser alcançadas em classificações. Mas baseando-se no que disse Rosberg sobre a sua melhor marca na segunda bateria de testes, é bem provável que seja desempenho para classificação.
 

O que esperar nestas primeiras corridas? Acredito que Mercedes e Williams serão as mais fortes nas classificações e os tempos delas nas tabelas das três sessões de testes mostram bem isso. Talvez eu possa inserir a McLaren nessa batalha também, mas a última bateria de testes mostrou uma equipe mais apática devido, quem sabe, por estarem trabalhando em ritmo de corrida. A Ferrari está em pé de igualdade com a Force India neste quesito de velocidade pura. Portanto é provável que sejam estas as cinco equipes presentes no Q3 destas primeiras corridas. O restante deve sair nos tapas para quem sobe até o Q2...
Olhando para as corridas, já acho que essa vantagem de Mercedes e Williams não será tão latente. McLaren, Force India e até a Ferrari pode embolar a briga pela dianteira tornando a corrida totalmente imprevisível. E ficarei atento a Ferrari, principalmente neste quesito...
A verdade é que a Formula-1, com todas essas mudanças, trouxe de volta a categoria o fator da imprevisibilidade que ficou cravada nos anos 90. Não estranhem se houver muitas quebras em Melbourne, no dia 16 de março. E muito menos se o vencedor da corrida seja aquele ninguém apostava um centavo furado...