segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Agradecimentos

Feliz 2013!
(Foto: Audi Sport/Facebook)
2012 foi um ano muito bom para o Volta Rápida e também para mim. Não posso reclamar de nada. Ao contrário, tenho muito o que agradecer.
Primeiramente exaltar os trabalhos que foram feitos neste ano, como ter colaborado para o Surto Olímpico, do Regys Silva, escrevendo sobre a vitoriosa epopéia de Alex Zanardi nos Jogos Paralímpicos de Londres, onde ele arrematou duas medalhas de ouro e um a de prata, tornando-se um dos maiores nomes da história do esporte mundial. Nada mais justo para um cara que a viu a morte de perto e recuperou-se para mostrar a todos que a ainda há vida depois de uma tragédia daquela magnetutide. E eu, como um mero blogueiro, sentado na frente de um computador, acompanhado seus passos em Brands Hatch, fiquei feliz por ter presenciado e escrito sobre tal acontecimento. Isso me enriqueceu bastante, confesso.
Outra coisa legal que aconteceu, foi o convite do Diego Trindade para integrar a equipe que escreve a Revista Speed. Para mim foi uma conquista e fiquei lisonjeado pelo convite, o que mostra que meu trabalho à frente do Volta Rápida nestes quase três anos e meio é de boa qualidade (se bem que peco em alguns erros, que espero corrigí-los no decorrer de 2013). Hoje a Speed está na sua sexta edição, lançada na semana retrasada, e o reconhecimento do trabalho tem sido positivo. Fico satisfeito em fazer parte daquela turma.
Sobre o blog, este alcançou a marca de 100.000 visualizações no início de dezembro. Uma ótima marca, apesar de o Volta Rápida já estar acima dos três anos de existência, mas foi festejado, claro. Os textos melhoraram. Procurei não fazer um resumo das corridas, mas dar ênfase ao personagem principal da prova (o vencedor ou, em algumas oportunidades, o piloto que mais brilhou no certame) destacando o que ele havia feito de melhor durante o final de semana. Este ano não fui abençoado com os "achados", que fizeram um certo sucesso em 2011, mas a aceitação foi positiva.
Por último fica meus agradecimentos. Agradecer de coração a todos que leram e comentaram os meus textos, ou que apenas deram um lida e gostaram do meu trabalho. Agradecer também as oportunidades que me foram confiadas (casos do Regys Silva e Diego Trindade) e também pelos meus inúmeros parceiros que compartilharam o link do Volta Rápida em seus respectivos blogs.
E a todos os meus votos que 2013 seja um ano de realizações e de muita saúde e que possamos assistir e nos divertir com essa paixão que nos consome, que é o automobilismo. Um grande abraço e que a passagem deste 2012 para 2013 seja de muita alegria.
Obrigado!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Foto 153: A "Besta" da Mercedes

(Foto: Motorsport Golden Age/Facebook)
Idealizado por Hans Stuck e executado por Ferdinand Porsche, esta "besta" de 3.500cv de potência, dotada de um motor V12 de 44.550cc foi projetada para quebrar o recorde mundial de velocidade em uma das Autobahns, mas devido o início da Segunda Guerra Mundial, o projeto foi arquivado.
Segundo relatos da época, este carro podia atingir até 750Km/h.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Foto 152: Spa, 1939

(Foto: Motorsport Golden Age/Facebook)
A foto é do início do GP da Bélgica de 1939, com os carros a subirem a Eau Rouge com pista molhada. Essa foi a corrida que vitimou o inglês Richard Seaman, um dos melhores pilotos dos anos 30 e um dos principais da poderosa equipe Mercedes.
Richard bateu numa árvore na volta 22, após perder o controle do carro que de imediato incendiou-se com o piloto inglês desacordado. Seaman foi retirado com vida, mas veio morrer horas depois no hospital. Antes de sua morte ele comentou com Rudolf Uhlenhaut, então engenheiro chefe da Mercedes, de que "estava vindo muito rápido para aquelas condições e que a culpa do acidente tinha sido totalmente sua." A prova foi vencida pelo seu comapanheiro de Mercedes, Hermann Lang.
Seaman tinha 26 anos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Foto 151: Michellè


(Fotos: Divulgação)
Michelle Mouton, com o seu lendário Audi Quattro, na subida de Pikes Peak que acabou por coroá-la como a primeira mulher a vencer a famosa subida de montanha em 1984. O tempo foi de 11min25s39, vencendo na categoria Open Rally (hoje chamado de Unlimited) e ficando em segundo no geral.
Mouton recorda aquele dia: "Eu estava acostumada a dirigir este Audi, mas o problema foi a altitude. Começa em quase 9.500 pés acima do nível do mar e tivemos de fazer ajustes na caixa de câmbio eletrônica e turbocompressor. A subida em si foi muito difícil, pois ele é muito rápido e bastante estreito, sem marcadores e quedas íngremes do lado de fora - o título do evento 'Corrida para as Nuvens' é uma verdade - e eu acho que foi, provavelmente, o maior desafio da minha carreira"
Essa conquista também marcou a primeira vitória de um carro europeu em Pikes Peak. O Audi Quattro usado por Mouton debitava 500cv de potência e foi restaurado em 2007, sendo pilotado pela mesma num evento de carros antigos em Coventry, na Grã-Bretanha.

Foto 150: Lowes

E se você não olhar direito, pensará que é uma pintura a óleo!
(Foto: Motorsport Golden Age/Facebook)
Na Lowes, Regazzoni seguido por Lauda e Peterson durante o GP de Mônaco de 1974.
O sueco venceu a prova, seguido por Jody Scheckter e Jean Pierre Jarier. Regazzoni foi quarto e Lauda abandonou com problemas elétricos

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Foto 149: Neve

O imponente Indianápolis Motor Speedway coberto de neve, no rigoroso inverno norte-americano.
(Foto: IMS/Facebook)
Aproveito essa bela foto para desejar a todos os meus leitores, um Natal de grande paz e alegria. E aproveitem cada momento com seus entes queridos e mesmo que haja alguma desavença, é um período bom para que possam colocar tudo em pratos limpos.
Uma bela noite para todos!

Foto 148: Aniversariantes

Bird Clemente e seu lendário Willys Berlineta
(Foto: Nobres do Grid)

Michele Alboreto durante o GP da Grã-Bretanha (Brands Hatch) de 1984
(Foto: victorvarela.com)
Como costumei a dizer nos últimos anos, tenho gente boa que faz aniversário junto a mim neste 23 de dezembro.
Infelizmente um deles não está mais entre nós, que é o caso do Michele Alboreto que faria 56 anos hoje e tem o Bird Clemente, vivíssimo e com muita saúde, que completa 75 anos.
E o cara que vos escreve entrou na casa dos 30 anos hoje.
Parabéns a todos nós que fazemos aniversário neste dia!

(Na verdade este post deveria ter saído ontem, mas a internet não colaborou. Faz parte!)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Revista Speed, Edição 6

Com 84 páginas, doze a mais que a anterior, a sexta edição da Revista Speed foi ao ar nesta madrugada com destaque para a ótima entrevista que Luiz Razia concedeu ao Ron Groo, falando sobre seu teste com a Force India e Toro Rosso além da sua temporada na GP2, onde foi vice-campeão.
Paulo Alexandre Teixeira abordou em sua coluna "O Grande Circo" a polêmica sobre as possíveis ultrapassagens que Vettel teria feito em bandeira amarela durante o GP do Brasil deste ano. Ele ainda fala sobre os derradeiros dias de Colin Chapman, que completou trinta anos de morto neste mês de dezembro e também sobre a sua última grande criação, o Lotus 88, um carro de 100% efeito-solo. E ainda tem, por sua conta, um belo texto sobre a última corrida da temporada de 1962, o GP da Àfrica do Sul disputada em East London, que contava com o duelo de dois mestres, Graham Hill e Jim Clark, que disputavam o título de pilotos daquele ano.
Felipe Pires fala sobre o grande retorno de Kimi Raikkonen à Fórmula-1 e Amanda Roldan nos trás as novidades que estarão presentes na 34ª Edição do Rali Dakar, que terá início em 5 de Janeiro com a largada em Lima, no Peru.
Daniel Machado fala sobre a carreira de Casey Stoner, que se aposentou da MotoGP ao final desta temporada com apenas 27 anos. Bernardo Bercht, do site "Pit Lane", conta como foi a edição deste ano da tradicionalíssima 12 Horas de Tarumã. Marie Espada, no seu "Diário de Fã", conta como é o ambiente no mais divertido dos setores de arquibancada do GP do Brasil: o setor G, que fica no final da reta oposta. E ainda temos mais um sensacional Paper Model de Pedro Luís Perez, que reproduz uma cena onde um Renault RE20, de René Arnoux, está com princípio de incêndio e sendo imediatamente controlado por um bombeiro.
A minha contribuição para esta edição é a segunda parte do especial de 25 anos do tri de Nelson Piquet e um longa matéria que conta os primeiros passos de Sebastian Vettel até o seu terceiro título na F1.
Sem mais delongas, leiam e releiam quantas vezes puder mais esta bela edição da Revista Speed.

Link: http://speedrevista.wordpress.com/2012/12/21/speed-6-dezembro-2012/

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Foto 147: Elly e o Auto Union

(Foto: Divulgação)
A senhora que está sentada no Auto Union Type C é Elly Beinhorn, então esposa de Bernd Rosemeyer, um dos melhores pilotos alemães da década de 30 e da história.
Na foto acima ela recebe algumas instruções de Ernest Von Delius, companheiro de equipe de Rosemeyer, Stuck e Varzi. O teste foi feito em Monza (não se sabe extamente o ano, mas talvez em 1936) a pedido de Bernd.
Em seu livro "Rosemeyer!", escrito em 1989 junto de Chris Nixon, Elly conta como foi dar aquelas voltas na poderosa Type C: "Os mecânicos me empurraram. Era como uma corrida. Eu cuidadosamente pisei no acelerador e quinhentos cavalos de potência rugiram atrás de mim. No começo eu estava um pouco atordoada e levei uma volta para começar a encontrar o rumo. Milagrosamente, o monstro poderia ser conduzido lentamente. Não muito lentamente, é verdade - mas lentamente, e a caixa de câmbio foi muito fácil de lidar. Nas estreitas chicanes eu tive que ser muito cuidadosa para que a longa cauda, com seu motor traseiro, não ficasse na primeira esquina ! Céus, mas isto foi bom! “Oh Bernd,’ Eu pensei, ‘Se eu me arrastando com isso (Auto Union) me dá muito prazer, imagino que deve ser assim para você quando o está dirigindo tão rápido”
Apesar de andar com o Type C em baixa velocidade, Elly era acostumada a altas velocidades: ela foi aviadora dos 21 até os 72 anos, quando entregou sua licença em 1979.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Vídeo: GP da Grã-Bretanha, 1975 (Resumo)

Para comemorar o aniversário de 66 anos de Emerson Fittipaldi, aqui fica o resumo da sua última vitória na F1 em 1975 no confuso GP da Grã-Bretanha, disputado em Silverstone.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vídeo: GP dos EUA (Long Beach), 1980

GP dos EUA do Oeste foi a quarta etapa do mundial de F1 de 1980, disputada nas ruas de Long Beach. A pole position foi de Nelson Piquet (Brabham BT49), com a marca de 1'17''694 e Emerson Fittipaldi, com o Fittipaldi F7, largara em 24º e último.
Piquet acabou por vencê-la - a primeira dele na F1 - e foi seguido por Ricardo Patrese (Arrows A3) e Emerson Fittipaldi, sendo assim a única vez que ele e Nelson dividiram um pódio na categoria.
A narração é de um certo Galvão Bueno, que na época a fez pela TV Bandeirantes. Os comentários é de Gil Ferreira.
Quem postou esta raridade foi o Wellington Costa, via Facebook.
Obrigado!

Foto 146: A última de Stewart

(Foto: Motorsport Golden Age)
Jackie Stewart liderando o GP da Alemanha de 1973 e sendo fielmente escoltado por François Cevert, em Nurburgring. Os dois fecharam em primeiro e segundo para a Tyrrell, nesta que foi a última vitória do "vesgo" na F1.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Foto 145: Uma Ferrari LMP1... Virtual



(Foto: lemans.org)
E de vez em quando os fãs da "Rossa" imaginam uma volta da Ferrari às competições de endurance, principalmente para as 24 Horas de Le Mans que eles não disputam desde 1973. E nestes devaneios, eles projetam um "possível" LMP1 da Scuderia. Confesso que seria interessante vê-la em Le Mans.

Foto 144: Porsche 911 Rally Car, 1984

O Porsche 911 sempre foi um belo carro de corridas, mas para o Rally ele não era o melhor da turma. Henri Toivonen e seu navegador Juha Piironen comandaram este carro em 1984 no Campeonato Europeu de Rally.
Piironen fala sobre a dificuldade do carro sobre o cascalho e trato de Toivonen com aquela máquina:
"Esse Porsche era um carro antiquado. Sua aderência era inexistente, particularmente no cascalho. Saindo de lado, tinha as características de um martelo. Mas Henri tinha uma pilotagem fantástica sobre ela - em superfícies soltas se sentia como se tivesse flutuando dum lado ao outro"

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pole Lap: Damon Hill, Montreal 1996

Numa época em que a Williams fez o que quis naquela temporada, com o seu belo FW18, era normal seus pilotos entrarem num embate por vitórias e poles.
Nos treinos para o GP do Canadá, Villeneuve parecia que já estava com a sua pole garantida e isso levaria torcida local ao delírio. Mas Damon Hill tinha algo a mais na manga e lhe tomou a pole por míseros 20 milésimos.

Foto 143: Targa Florio, 1970


Duas fotos do belo Porsche 908/03 #12 da J.W. Automotive Engineering, que foi conduzido por Jo Siffert e Brian Redman na 54ª Edição da Targa Florio.
Eles venceram a prova após onze voltas, num tempo de 6h e 35min de prova. A segunda posição ficou com Leo Kinnunen e Pedro Rodriguez, parceiros de equipe de Siffert/Redman. A terceira colocação foi da Ferrari 512S (SPA Ferrari SEFAC) pilotada por Nino Vaccarella e Ignazio Giunti.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vídeo: O especial da Fórmula-1 no Esporte Espetacular de 1989

Uma matéria de mais 14 minutos no Esporte Espetacular de 1989, que mostrava as pistas, carros, pilotos, mudanças no regulamento entre outras coisas sobre o Mundial de Fórmula-1 que estava prestes à começar em Jacarepaguá.
Este vídeo é bom para o mais novos, que começaram a acompanhar a F1 de alguns anos para cá, como a categoria tinha outro tratamento por estas bandas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Foto 142: Raul Boesel, 55 anos

O Jaguar XJR-8 com o qual Boesel foi campeão do mundo no World Sports Car Championship em 1987
E o campeão do Mundial de Sports Cars de 1987, completa hoje 55 anos de idade. Parabéns e vida longa ao Raul Boesel.

Vídeo: O príncipe do trovão

Não é de hoje que sabemos o quanto que os japoneses veneram e respeitam a memória de Ayrton Senna, não só apenas pelo fato dele ter conquistado três mundiais de F1 com a ajuda de motores Honda, mas também pelo sua dedicação ao trabalho, que é um das grandes qualidades do povo do sol nascente.
E pelo que parece um projeto de anime, os famosos desenhos japoneses, já está a caminho e pelo trailer divulgado dias atrás - com o título "Senna - Thunder Prince" -  ele retratará sobre a vida e carreira do Tricampeão nos seus dez anos de F1.
Não tenho muitas informações sobre, pois, pelo que parece, ainda está no início de construção. Confesso não ser muito fã dos animes - sempre gostei mais dos seriados japoneses, que ficaram famosos aqui no Brasil nos anos 80 pela extinta Rede Manchete -, mas pode ser que esse, pelo fato de ter cunho automobilístico, me agrade. É aguardar pra ver.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Foto 141: Os campeões da Audi

(Foto: Audi)
As máquinas vitoriosas da Audi em 2012: 12 Horas de Bathurst, 24 Horas de Zolder, 24 Horas  de Le Mans, 24 Horas de Spa e 24 Horas de Nürburgring.
Fraca a fábrica de Ingolstadt, não?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Vídeo: Os testes do Nissan GT-R Nismo GT3

E aí fica um vídeo dos testes do já homologado Nissan GT-R Nismo, o "Godzilla", para os campeonatos de GT3. Seria interessante vê-lo em pistas brasileiras em 2013.

GP do Brasil: Um desfecho e tanto



Um jovem tri-campeão: Vettel comemora com o público o seu terceiro mundial
consecutivo.
(Foto: EFE)
A chegada dos principais astros para aquela tarde decisiva, mostrou perfeitamente a feição de cada um deles: Alonso foi o primeiro dos três e foi praticamente tragado por um mar de repórteres empunhando gravadores e microfones, fazendo várias perguntas. O espanhol saiu pela tangente, em passos firmes sem falar uma sílaba sequer e esboçou um sorriso amarelo, entrou rapidamente nos boxes da Ferrari e desapareceu. Minutos depois foi a vez de Vettel, que ao contrário do seu rival, recebeu todos com um sorriso e respondeu as perguntas enquanto caminhava rumo ao box da Red Bull, controlando os passos para dar atenção aos repórteres. Da mesma forma eles foram recebidos por Lewis que respondeu tranquilamente as questões em passos mais suaves, sem pressa.
Pressão sobre eles? Sim, muita. Lewis era o mais descontraído, afinal não tinha o peso de uma decisão nas costas e única coisa que tinha para se preocupar era de tentar a vitória em sua última corrida pela McLaren. Alonso e Vettel, com o campeonato em jogo, tinham cada um sua responsabilidade: para o espanhol era tentar virar o jogo na largada e acreditar no ritmo de prova de sua Ferrari para tentar, ao menos, ficar entre os três primeiros e contar com a sorte. Para Vettel era se manter entre os oito melhores e ficar a espreita dos movimentos de Alonso, para não deixar escapar o seu tri-campeonato.
A previsão de chuva para a hora da corrida acabou por confirmar-se, mas não foi aquele aguaceiro que todos esperavam. A garoa típica de São Paulo foi quem orquestrou o chove não molha na pista de Interlagos, ora molhando uma parte do circuito e deixando outros pontos totalmente secos e isso foi visto na largada quando os carros chegaram no miolo, enfrentando uma pista úmida o que fez os carros “bailarem”. Seria uma corrida intensa e nervosa.
Antes disso a largada. Tumultuada, diga-se, com Vettel largando mal e vendo as duas Ferraris abrirem caminho, com Massa pulando de quinto para segundo e Alonso de sétimo para quarto. Sebastian ainda teve o grande susto da tarde ao ser batido por Bruno na entrada da curva Chico Landi e ver sua Red Bull ao contrário pro tráfego. O brasileiro abandonou, assim como Pérez que também participou do acidente. Vettel teve a sorte de voltar em último e recuperar-se a tempo, saindo de último para 12º em poucas voltas. Uma recuperação de mestre, num momento que a pista mais parecia um rinque de patinação.
O resto da tarde, com condições climáticas que beiravam a loucura, deixou a corrida imprevisível. Alonso e Vettel despencaram algumas vezes no pelotão devido as trocas de pneus, mas recuperaram-se em seguida, sempre com Fernando em quarto e Vettel próximo, oscilando entre a sétima e quinta colocação. O espanhol não conseguia entrar no grupo dos três primeiros, devido a batalha insana que Hamilton, Button e a surpresa do dia, Hulkenberg, travavam. As coisas só melhoraram para Fernando, quando Hulkenberg e Hamilton se acidentaram no momento em que disputavam a liderança, com o inglês levando a pior no “S” do Senna ao sair com a suspensão dianteira esquerda quebrada.
Mesmo com Alonso ganhando estas duas posições e mais à frente, conquistando a de Massa, subindo assim para segundo, o seu esforço não foi suficiente e Sebastian, que ficou compassivamente esperando o momento certo para ultrapassar Kobayashi e depois Schumacher, que acabou sendo o mais fácil dos dois. Paul Di Resta encerrou a brincadeira mais cedo, quando bateu forte na subida do Café.
Interlagos viu o desfecho de um dos melhores campeonatos de F1 dos últimos anos, onde dois pilotos, de qualidades inquestionáveis atrás do volante, dividiram as atenções. Vettel com a sua simpatia, velocidade pura e determinação, batalhou contra um surpreendente Alonso que estava fadado a ser apenas um mero coadjuvante neste ano e que acabou sendo um dos protagonistas. A categoria viu a última corrida de Schumacher, que encerrou a sua segunda estadia sem o brilho de outrora. Hamilton saiu de cena da Mclaren e infelizmente de um modo que não queria, após acidentar-se com Hulkenberg.
Foi uma temporada dos deuses e que 2013 seja tão bom quanto este. É o que esperamos


Foto 140: Travessura

Berger também era da turma das travessuras na F1. Aqui ele é flagrado fazendo um bigode na foto de Nelson Piquet.

sábado, 24 de novembro de 2012

GP do Brasil - Classificação - 20ª Etapa

Era difícil não prever uma batalha intensa entre Mclaren e Red Bull pela pole em Interlagos. As voltas de Webbber e Hamilton no início do Q3 tinham sido de uma finesse absurda, com o australiano cravando a melhor marca e depois sendo superado magistralmente por Hamilton que fizera 1'12''458, mostrando o quanto que a Mclaren está forte em Interlagos. Mas ainda tinha Vettel em sua volta veloz, mas quando a imagem cortou para o alemão, momento em que contornava a Junção, o registro da segunda parcial apontava que nada ia bem: ele perdera mais de um segundo naquela primeira tentativa e marcava apenas o sétimo posto. Em seguida o erro apareceu: ele saíra um pouco da sua trajetória na descida do Lago, indo além da zebra, perdendo um bom tempo. Ele ainda voltou pra pista, mas não chegou a ameaçar a pole de Hamilton ficando assim em quarto. Button confirmou o ótimo desempenho dos cromados e fechou em segundo, 0''055 pior que a volta de Lewis, jogando Webber para terceiro.
Mais atrás foi possível ver que Massa esteve num dia melhor que Alonso, ao conseguir posicionar sua Ferrari num quinto lugar contra o oitavo do seu companheiro apesar de um resultado sofrível para tentar levar seu carro para o Q3 no finalzinho da segunda parte. Fernando ganhou uma posição após a punição de Maldonado, depois que este não foi para a pesagem no final do Q2. Com isso o venezuelano, que havia marcado o sexto tempo, despencou dez posições no grid.
Apesar de a previsão para amanhã ser de chuva contínua, não dá para descartar algumas coisas: tanto Vettel, quanto Alonso, estão tensos, o que é normal para uma decisão de título. Talvez Sebastian esteja um pouco mais, devido o fato de ser líder com treze pontos de vantagem sobre Fernando. Por outro lado, a posição de largada de Alonso o conforta um pouco e isso pode ajudá-lo, uma vez que Webber tem tido péssimas largadas. Massa pode ser um fator a ser considerado nesta disputa: ele costuma fazer boas largadas e tem um ritmo de corrida satisfatório e caso consiga pular na frente de Vettel, pode atrasá-lo para Alonso que certamente virá da sétima colocação como um cão raivoso. E lá na frente, a disputa deverá ser particular entre Hamilton e Button, com uma boa vantagem para Lewis.
O jeito é controlar os nervos e esperar para a largada de amanhã a tarde, que definirá quem será o mais jovem tri-campeão mundial da história da F1.

Hamtilton foi espetacular no classificatório: Sexta pole no ano e 26ª na carreira
(Foto: AP)

Grid de Largada para o Grande Prêmio do Brasil - 20ª Etapa

1: Lewis Hamilton (ING/McLaren) - 1min12s458
2: Jenson Button (ING/McLaren) - 1min12s513
3: Mark Webber (AUS/Red Bull) - 1min12s581
4: Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) -1min12s760
5: Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 1min12s987
6: Nico Hulkenberg (ALE/Force India) - 1min13s206
7: Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - 1min13s253
8: Kimi Raikkonen (FIN/Lotus) -1min13s298
9: Nico Rosberg (ALE/Mercedes) - 1min13s489

10: Paul Di Resta (ESC/Force India) - 1min14s121
11: Bruno Senna (BRA/Williams) - 1min14s219
12: Sergio Pérez (MEX/Sauber) - 1min14s234
13: Michael Schumacher (ALE/Mercedes) - 1min14s334
14: Kamui Kobayashi (JAP/Sauber) - 1min14s380
15: Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso) - 1min14s574
16: Pastor Maldonado (VEN/Williams) - 1min13s174 (punido pela FIA em dez posições)
17: Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso) - 1min14s619
18: Romain Grosjean (FRA/Lotus) - 1min16s967
19: Vitaly Petrov (RUS/Caterham) - 1min17s073
20: Heikki Kovalainen (FIN/Caterham) - 1min17s086
21: Timo Glock (ALE/Marussia) - 1min17s508
22: Charles Pic (FRA/Marussia) - 1min18s104
23: Narain Karthikeyan (IND/HRT) - 1min19s576
24: Pedro de la Rosa (ESP/HRT) - 1min19s699


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Foto 130: Cem Mil!

Postando uma foto de Ronnie Peterson no seu estilo natural, apenas para agradecer a todos que prestigiam o Volta Rápida. O blog acaba de atingir 100.000 visualizações.
Obrigado!

Foto 129: Nurburg

Arturo Merzario em algum ponto do glorioso Nurburgring, pilotando sua Ferrari 312B2 durante o GP da Alemanha de 1972. Ao fundo, um parte da cidade de Nurburg e o seu famoso Castelo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Revista Speed, Edição 5

A quinta edição da Revista Speed foi ao ar ontem pela manhã e com 74 páginas muito bem feitas. A habituais colunas de Paulo Alexandre Teixeira e Rafael Ligeiro estão nos dois extremos da revista, com Paulo falando sobre o duelo entre Vettel e Alonso nesta últimas etapas da F1 e Rafael sobre o negro 1º de maio de 1994.
Paulo ainda nos traz outros dois textos: sobre a saída de Randy Bernard do comando da IndyCar e sobre o GP do Brasil de 2006, que teve a vitória de Massa, o título de Alonso e a despedida com atuação magistral de Michael Schumacher
Bruno Mendoça fez um ótimo guia sobre o GP do Brasil, assim como a entrevista com Bruno Andrade que só confirmou seu título da F3 Sul-Americana de 2009 somente este ano, após longo processo nos tribunais. E o Bruno Mendoça ainda fez um perfil sobre os pilotos japoneneses que passaram pela F1.
Daniel Machado trouxe também um texto sobre a Motovelocidade, falando sobre os campeões das três divisões da categoria.
E mais dois colaboradores estrearam nesta edição: Felipe Pires, que escreveu sobre um ano da morte de Dan Wheldon e das mudanças da Indy neste período e Mari Espada, do blog Papaya Orange, que falou sobre a saída de Lewis Hamilton da Mclaren. E ainda tem o Paper Model de Pedro Luís Perez, que retratou uma "vitória" da Copersucar na F1.
A minha colaboração para esta edição é a primeira parte que conta sobre os 25 anos do Tri-Campeonato de Nelson Piquet pela Williams e sobre Michael Schumacher, onde falo das suas duas passagens pela F1.
E desde já, boa leitura!

Link: http://speedrevista.wordpress.com/2012/11/20/speed-5-novembro-2012/

sábado, 17 de novembro de 2012

GP dos EUA - Classificação - 19ª Etapa

Era de se esperar uma pole fácil de Vettel, daquelas que ele costumou a fazer com uma volta canhão e depois ir para os boxes e ficar relaxado, enquanto que o restante se matava para tentar alguma mágica e tirar-lhe da primeira colocação. Por um momento se pensou, quando ele fez a marca de 1'35''877, mas Hamilton impecavelmente estava na sua cola e forçou o alemão à voltar para a pista e melhorar a sua marca,baixando para 1'35''657. Era boa, mas Lewis estava na pista e ainda tinha chances até fazer o tempo de 1'35''766. A pole de Vettel, a 36ª da sua carreira, estava garantida.
O treino em Austin foi complicado para a maioria, em especial a Ferrari, que tentou achar aderência onde não tinha. Se os carros de Maranello tinham esse problema há tempos, isso ficou mais evidente nestes dois treinos de sábado quando Alonso não conseguiu muita coisa além de dois pares de oitavo lugares, conquistado no treino livre da manhã e repetido no classificatório de agora pouco. Massa é quem surpreendeu ao ficar na frente do espanhol em todos os estágios da classificação. Isso lhe rendeu a sexta colocação e a expectativa de um bom domingo na pista texana.
Os Lotus foram bem e poderiam ter colocado seus dois carros entre os cinco, caso Grosjean não tivesse que perder 5 posições por ter trocado o câmbio. Ele sairá em nono, enquanto Raikkonen largará em quarto. Bom trabalho do velho Schumi que fez um ótimo quinto lugar, contra o décimo sétimo de Rosberg.
Será interessante a largada amanhã e não tem como fugir da idéia do que será os carros dividindo aquela primeira curva em subida, seguida por um gancho à esquerda. Para quem vier do fundo, terá alguns horrores porque terá que frear forte e torcer para ninguém tocar, ou bater, em sua traseira. E nisso Hulkenberg e Alonso terão uma fila atrás deles que não é nada confiável: Grosjean e Maldonado.
Numa dessas, o título de Vettel pode ser decidido na primeira curva. Seria seu terceiro mundial consecutivo, no mesmo dia em que completará 100 GPs no mesmo país que fez o seu debut, em 2007. 
Mais um: 36ª pole de Vettel em 99 GPs disputados
(Foto: Reuters)

Grid de Largada para o Grande Prêmio dos Estados Unidos - 19ª Etapa

1. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull): 1min35s657
2. Lewis Hamilton (ING/McLaren): 1min35s766
3. Mark Webber (AUS/Red Bull): 1min36s174
4. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus): 1min36s708
5. Michael Schumacher (ALE/Mercedes): 1min36s794
6. Felipe Massa (BRA/Ferrari): 1min36s937
7. Nico Hulkenberg (ALE/Force India): 1min37s141
8. Fernando Alonso (ITA/Ferrari): 1min37s300
9. Romain Grosjean (FRA/Lotus): 1min36s587 *
10. Pastor Maldonado (VEN/Williams): 1min37s842

11. Bruno Senna (BRA/Williams): 1min37s604
12. Jenson Button (ING/McLaren): 1min37s616
13. Paul di Resta (ESC/Force India): 1min37s665
14. Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso): 1min37s879
15. Sergio Perez (MEX/Sauber): 1min38s206
16. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber): 1min38s437
17. Nico Rosberg (ALE/Mercedes): 1min38s501
18. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso): 1min39s104
19. Timo Glock (ALE/Marussia): 1min40s056
20. Charles Pic (FRA/Marussia): 1min40s664
21. Vitaly Petrov (RUS/Caterham): 1min40s809
22. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham): 1min41s166
23. Pedro de la Rosa (ESP/HRT): 1min42s011
24. Narain Karthikeyan (CHN/HRT): 1min42s740
* Perdeu cinco posições no grid por trocar o câmbio:

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Foto 128: Tudo por um instantâneo

Está aí uma das graças, e perigos, dos Rallys dos anos 80: pessoal na beira do traçado e alguns tentando a melhor foto.
O Audi da foto é de Walter Röhrl.

Foto 127: Pedro Rodriguez

E bela foto de Pedro Rodriguez escalando a Eau Rouge à bordo de sua BRM P153. Foi a última vez que a F1 correu ali e o veloz mexicano venceu a prova.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Foto 126: Targa Florio, 1923

(Foto: Motorsport Golden Age)
Antonio Ascari, ao volante da Alfa Romeo RLTF, dando uma carona para seu companheiro de equipe Giulio Masetti (de óculos) na edição 14 da Targa Florio de 1923.
Ascari terminou em segundo e Masetti foi quarto. Ugo Sivocci venceu com a outra Alfa.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Foto 125: Reunião ou descanso?

Neste dias em que a F1 é extremamente luxuosa e organizada (que beira a chatisse), nos anos 60 qualquer lugar servia para uma reunião, ou descanso.

F1 Battles: Elio De Angelis vs Nigel Mansell vs John Watson - GP da África do Sul 1981

Apesar da briga entre FISA e a FOCA ter limado essa corrida do calendário, devido uma discussão pela mudança da data, as equipes leais à FOCA alinharam seus carros com minissaias deslizantes (proibidas pela FISA) e disputaram aquele GP sul-africano debaixo de chuva.
Por mais que a corrida não tenha servido para nada, a batalha entre Elio De Angelis, Nigel Mansell e John Watson pela liderança da corrida foi maravilhosa. A vitória foi de Carlos Reutemann, com Piquet em segundo e De Angelis em terceiro. Watson foi quinto e Mansell décimo.

sábado, 10 de novembro de 2012

Vídeo: As voltas de Zanardi com a BMW M3 em Nurburgring

E como todos sabem, anteontem foi o dia que Zanardi deu umas voltas com a BMW M3 em Nurburgring. E o pessoal gravou estes momentos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Vídeo: As 24 Horas de Le Mans, 1969

Essa foi a corrida que inspirou Steve Mcqueen na produção do seu épico "Le Mans", 1971. As últimas voltas de um duelo visceral entre o Ford GT40 #6 de Jacky Ickx/ JackieOliver contra o Porsche 908 #64 de Hans Hermann/ Gerard Larousse pela vitória naquela prova, é o momento maior daquela edição onde Ickx e Hermann trocaram de posições por inúmeras vezes nas últimas horas até que o belga vencesse a batalha e levasse as 24 Horas de Le Mans.
Foi a última vez que a prova teve a sua largada em estilo "Le Mans".

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DTM: O teste de Zanardi pela BMW

(Foto: Motorsport.com)

Dois meses após a sua conquista histórica na Paralímpiadas, foi possível ver Zanardi de volta aas pistas. Mas dessa vez seu handcycle foi deixado de lado e Alex subiu num BMW M3 da DTM para matar a saudades do carros de competição. O teste foi um duplo presente, para ele e a BMW: para o o italiano foi um presente pelas suas conquistas em Londres, mais precisamente na pista de Brands Hatch que acolheu as provas de bicicletas adaptadas na Paralímpiadas de Londres. Já para os alemães da BMW, o teste foi parte das comemorações pelos 40 anos da divisão de provas da marca, a BMW Motorsports.
Para que este teste acontecesse o BMW M3 da DTM, modelo que foi campeão no ano de regresso da marca pelas mãos de Bruno Spengler, sofreu modificações para que Zanardi pudesse pilotá-lo: os pedais de acelerador e embreagem foram removidos, enquanto que o de freio foi deslocado para a direita facilitando a frenagem da perna direita - que é um pouco mais extensa que a esquerda. O acelerador e freio foram para o volante, junto das borboletas para troca de marchas. Alex elogiou o trabalho feito pelo pessoal da marca: "Foi um desafio para modificar o carro e atender as minhas necessidades e eu estou surpreso quão rapidamente os engenheiros da BMW Motorsport conseguiram completar as modificações necessárias."
(Foto: Motorsport.com)
O BMW M3 na cor dourada, fazendo uma alusão aos dois ouros conquistados por ele, foi pra pista de Nurburgring e Alex completou 32 voltas. Voltando aos boxes, ele agradeceu à BMW: "Estou muito feliz por ter tido a oportunidade de dirigir o BMW hoje. Este é um dia muito especial para mim, e que sempre lembrarei com carinho. Gostaria de agradecer a todos da BMW que ajudaram a tornar possível este momento especial para mim."
Zanardi ainda foi indagado se poderia vir a correr na DTM no próximo ano. Nesse ponto ele foi cauteloso, principalmente devido a sua idade e o carro que foi usado no teste: "Eu ainda tenho paixão pelas corridas. No entanto, eu não tenho certeza se o nosso carro de demonstração será nada mais do que isso e o nível no DTM pode, eventualmente, vir a ser alto demais para alguém da minha idade." Zanardi está com 46 anos.
Jens Marquadt, diretor da BMW Motorsports, ficou feliz pelo teste de Zanardi e destacou o tempo de casa do piloto italiano e o desafio deste em conduzir o BM modificado: "Estou muito contente por temos tido sucesso nesta aventura com Alex. Durante anos, ele tem sido um valioso membro da família BMW Motorsport e é um grande exemplo para todos nós. Apesar de sua deficiência, ele se enfrenta cada desafio com grande otimismo e passa todos os testes com louvor.Como vimos hoje, o desafio de conduzir a complexidade técnica BMW M3 DTM também provou não ser obstáculo para ele."
Mais uma vez foi bom ver Zanardi testando um carro de corridas. Não sei os tempos de volta dele, mas acredito que tenham sido bons. Alex é o tipo de cara que entra nestes desafios para mostrar a ele, e todos aos seu redor, que ainda é capaz.
Não estranhe se você ver que as marcas alcançadas por essa lenda neste teste, o colocariam entre os dez do grid da prova deste ano. E já que ele descarta uma temporada completa, quem sabe ele não esteja em algumas provas do ano que vem? Seria muito bom.
(Foto: Motorsport.com)

Fonte: Autosport.com

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Vídeo: Indy 500, 1950

Viajar um pouco na história? Indy 500 de 1950, que contou pontos para o Mundial de Fórmula-1 daquele ano. Vitória de Johnnie Parsons.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

GP de Abu Dhabi – Kimi no controle. Vettel mantém a vantagem.



As voltas que Kimi Raikkonen passou encaixotado no câmbio do Red Bull de Vettel, no GP do Bahrein, davam indícios que o Lotus era um bom carro e que o finlandês tinha retornado em grande forma. Passaram-se os meses, alguns outros pódios, e ele voltou a discutir uma vitória, agora contra Hamilton no GP da Hungria. O inglês venceu, assim como fizera Sebastian no GP barenita, e Kimi amargou mais uma segunda colocação. No seu território predileto, Spa-Francorchamps, as chances eram boas, mas se depararam com uma McLaren extremamente rápida e confiável de Button. Ele ficou em terceiro. Depois a Lotus passou por um período de declínio técnico, e tanto ele, quanto Grosjean sofreram com o carro. Os pódios estavam distantes e a chance de vencer, ainda mais.
Kimi partiu da quarta colocação e teve a oportunidade de assumir o segundo posto quando Webber largou mal, mais uma vez. Isso possibilitou que não perdesse Hamilton de vista. Mas Lewis não estava tão inspirado quanto fora na classificação: as voltas iniciais foram difíceis e o inglês acabou errando em uma das chicanes do circuito. Prontamente Raikkonen estava no seu encalço, mas cuidadosamente resguardado. Hamilton reclamava dos pneus que não estavam aquecendo adequadamente e talvez por isso, não conseguisse imprimir o mesmo ritmo do sábado. O pior veio depois: o McLaren de Hamilton taxiou lentamente para a grama e deixou o caminho aberto para Raikkonen. O pescador de combustível traiu Lewis e sua chance de vencer em Yas Marina, esfumaçou-se. Kimi, enfim, estava no controle. E assim foi até o final da prova. Cravou voltas extremamente velozes, o suficiente para deixar Alonso o mais longe possível e poupar os pneus quando quisesse, e também para voltar à frente de Vettel, que vinha de uma magistral prova de recuperação, depois de seu pit-stop. As voltas finais, com Fernando diminuindo a diferença de modo perigoso, não abalaram Raikkonen que continuou na sua tocada a até receber a quadriculada.
A prova de Abu Dhabi foi boa de certa forma. A tensão que tomou durante todo o GP, com a expectativa de uma recuperação assombrosa de Vettel – que aconteceu – mas entremeada de armadilhas por estar partindo do fundo e mais Fernando Alonso, que partiu pra cima de seus adversários em ultrapassagens arriscadas, deu uma animada numa corrida fadada a ser sonolenta. A entrada do Safety Car por duas vezes, devido os acidentes de Rosberg e Karthikeyan e Perez com Grosjean e Webber, também foi providencial para dar a corrida o interesse que teve. De longe, foi a melhor corrida naquele local insosso.
Se Kimi foi o mais festejado do dia, Vettel foi o homem da corrida. Largou dos boxes, teve uma avaria, pequena, na asa dianteira que foi discutida se trocariam ou não e na primeira parada de box, a trocaram; cravou voltas velozes, duelou com Grosjean e por certo momento, teve hipóteses de vencer em Yas Marina. Mas teve que parar uma segunda vez e o duelo com Button, pela quarta colocação, o atrasou bastante. Mesmo assim, ele foi brilhante numa tarde de grandes pilotagens dele, Kimi e Alonso.
Os prejuízos que poderiam ser desastrosos para Sebastian Vettel depois da sua penalização no sábado, forçando-o largar dos boxes, foram minimizados com uma pilotagem vistosa e que serviu para calar a boca dos críticos. Ele saiu de Abu Dhabi com dez pontos de vantagem sobre Alonso, que mais uma vez foi lutador, nunca deixando cair a guarda e fazendo ultrapassagens arriscadas como em Webber e mais tarde em Maldonado. Salvou uma segunda colocação que lhe dá um respiro para a corrida de Austin, prova que será uma verdadeira incógnita e onde Vettel pode sagrar-se, pela terceira vez consecutiva, Tri-campeão do mundo.

sábado, 3 de novembro de 2012

GP de Abu-Dhabi - Classificação - 18ª Etapa

Dominante: sexta pole de Lewis no ano e favorito disparado para vencer em Yas Marina
(Foto: Getty Images)
Hamilton esteve imparável no anoitcer em Yas Marina. Dominou de forma tranquila, e precisa, os três estágios do classificatório e passa a ser o favorito disparado numa corrida que tende a ser tensa desde o início. Webber sairá ao seu lado, mas dependerá de uma largada sensacional para tentar, ao menos, atrasar o piloto da Mclaren amanhã. Afinal, se virar a primeira curva na frente, dificilmente alguém o alcançará.
Por outro lado as atenções não estarão voltadas para a primeira fila, mas sim para a terceira e a 24º posição: Alonso conseguiu a sétima posição no grid, o que já estava um tanto complicado para ele, pois teria que passar por Button, Raikkonen e Maldonado para tentar chegar próximo de Vettel no fim. Mas um problema no sistema de combustível - ou seria um erro de cálculo? - no RB8 de Sebastian Vettel, o forçou a parar no final do Q3 e voltar à pé para os boxes. Carro recolhido e uma série de especulações - como problema de câmbio e no alternador do motor Renault - foram ditos, até que a notícia do combustível foi anunciado após quatro horas de espera - momento em que Herbie Blash e Charlie Whiting saíram para jantar. Vettel partirá da última colocação e uma corrida que estava fadada a ser sonolenta, passou a ganhar ares de tensão.
Olhando friamente o grid, não há como indicar um domínio absoluto de Hamilton nessa corrida. Ele esteve perto de vencê-la em 2009, mas abandonou; 2010 chegou na cola de Vettel e ano passado venceu com tranquilidade. Portanto é de esperar que ele suma na frente. Webber também deverá fazer uma corrida solitária em segundo, mas tem que tomar todo cuidado com Maldonado que sairá em terceiro após a punição de Vettel. Raikkonen ficará na espreita e Button terá um Alonso que, certamente, fará uma largada agressiva, como tem sido seu costume nas últimas provas. Vettel deverá partir dos boxes, o que miniminiza as chances de encontrar HRTs e Marussias pela frente logo ao virar da primeira curva, o que poderia causar algum acidente. Tendo duas zonas de DRS e um carro veloz, ele conseguirá chegar na zona de pontos amanhã. Mas por outro lado será uma corrida de paciência para o atual Bi-campeão.

Vettel e o RB8 no final do Q3: 150ml custaram a terceira colocação no grid.
Partirá de 24º.
(Foto: Getty Images)
Grid de Largada para o Grande Prêmio de Abu-Dhabi - 18ª Etapa

1. Lewis Hamilton (GBR) - McLaren-Mercedes - 1min40s630
2. Mark Webber (AUS) - Red Bull-Renault - 1min40s978
3. Pastor Maldonado (VEN) - Williams-Renault - 1min41s226
4. Kimi Raikkonen (FIN) - Lotus-Renault - 1min41s260
5. Jenson Button (GBR) - McLaren-Mercedes - 1min41s290
6. Fernando Alonso (ESP) - Ferrari - 1min41s582
7. Nico Rosberg (ALE) - Mercedes - 1min41s603
8. Felipe Massa (BRA) - Ferrari - 1min41s723
9. Romain Grosjean (FRA) - Lotus-Renault - 1min41s778
10. Nico Hulkenberg (ALE) - Force India-Mercedes - 1min42s019
11. Sergio Pérez (MEX) - Sauber-Ferrari - 1min42s084
12. Paul di Resta (GBR) - Force India- Mercedes - 1min42s218
13. Michael Schumacher (ALE) - Mercedes - 1min42s289
14. Bruno Senna (BRA) - Williams-Renault - 1min42s330
15. Kamui Kobayashi (JAP) - Sauber-Ferrari - 1min42s606
16. Daniel Ricciardo (AUS) - Toro Rosso-Ferrari - 1min42s765
17. Jean-Éric Vergne (FRA) - Toro Rosso-Ferrari - 1min44s058
18. Heikki Kovalainen (FIN) - Caterham-Renault - 1min45s280
19. Charles Pic (FRA) - Marussia-Cosworth - 1min45s426
20. Timo Glock (ALE) - Marussia-Cosworth - 1min45s480
21. Vitaly Petrov (RUS) - Caterham-Renault - 1min45s489
22. Pedro de la Rosa (ESP) - HRT-Cosworth - 1min45s766
23. Narain Karthikeyan (IND) - HRT-Cosworth - 1min46s382
*24. Sebastian Vettel (ALE) - Red Bull-Renault - 1min41s073
*Punido pela FIA por ter menos de um litro de gasolina no tanque.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Foto 124: Ricardo Rodriguez, 50 anos atrás

(Foto: carlosghys.com)

(Foto: Divulgação)

Pedro e Ricardo Rodriguez
(Foto: Motorsport Retro)
Numa época de senhores, ele se destacou rapidamente e para muitos ele chegaria ao topo em breve. Ricardo Rodriguez tinha uma carreira meteórica: havia começado a pilotar aos 14 anos com motos; aos 15 já pilotava carros Sport, estreando com Riverside a bordo de Porsche Spyder RS e depois viria a ganhar o Tourist Trophy em Nassau. Um ano antes tentou uma vaga nas 24 Horas de Le Mans, que foi prontamente recusada - talvez pela sua pouca idade (14 anos). Não desistiu e em 1959 ele debutou na corrida dividindo um OSCA com seu irmão mais velho, Pedro. Eles não completaram a corrida, mas Ricardo voltou em 1960 e foi ao pódio (2º) depois de dividir o volante do Ferrari 250 TR da equipe NART com André Pilette.
A Ferrari lhe confiou um carro para o GP da Itália de 1961 e rapidamente se colocou na primeira fila, ao lado de Wolfgang Von Trips. A prova que viria a ser fatídica, devida a morte de Von Trips, foi também um cartão de visitas do jovem mexicano que duelou por muitas voltas com Phil Hill e Richie Ginther - seus companheiros de Ferrari - pela liderança da prova. Infelizmente um problema o tirou da prova.
Mas ele continou na Ferrari para 1962 pilotando na F1 e Mundial de Sports Car: venceu a Targa Florio com os belgas Oliver Gendebien e Willy Mairesse. Na F1, marou seus primeiros pontos ao chegar em quarto no GP da Bélgica e foi sexto na Alemanha.
Na corrida extra-oficial que foi disputada no México, na pista de Mixhuca Magdalena, a Ferrari não enviou sua equipe, mas autorizou que Ricardo corresse. O jovem mexicano, então com 20 anos, assinou um contrato para disputar aquela corrida pela equipe de Rob Walker, que utilizava os Lotus. Infelizmente o jovem mexicando nem chegou a disputar a corrida em sua cidade natal: a suspensão do Lotus quebrou na rápida Peraltada e seu carro foi de encontro ao muro, matando-o instantaneamente.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Foto 123: Parceria

(Foto: Dale Kistemaker)
Williams e Renault em um momento de 1984, provavelmente em Mônaco, durante os treinos. As duas viriam a firmar uma parceria sólida nos anos 90, que resultou em 9 títulos naquela década.
A foto é do sempre genial Dale Kistemaker.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Foto 122: Piquet, 25 anos atrás

O terceiro de Piquet: derrotando Williams e Mansell
(Foto: Sutton Images)
E num dia como hoje, Mansell foi para a barreira de pneus e deixou o caminho livre para Nelson Piquet vencer o seu terceiro Mundial de Pilotos na F1 em Suzuka. Piquet disputou a prova após largar em quinto, mas abandonara na volta 46 por causa do motor Honda Turbo que viera a estourar.
Mas nada disso importava: Tri-campeonato no bolso, o primeiro de um piloto brasileiro na F1, e mais uma de suas célebres frases foi destilada ao ser perguntado para quem ele dedicaria o título: “Dedico este título para Nelson Piquet”. Simples e direto. Boa Nelson!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Foto 121: Zandvoort

Chris Amon e Jacky Ickx, durante o chuvoso GP da Holanda de 1968. Ickx terminou em quarto e Amon, que largou da pole, em sexto.
Jackie Stewart venceu a prova com a sua Matra MS10, seguido por Jean Pierre Beltoise e Pedro Rodriguez. 

GP da Índia: A quarta consecutiva


Punho cerrado, a quarta vitória consecutiva: o Tri de Vettel mais nítido
(Foto: Divulgação)
Se havia alguma batalha esperada para esta prova indiana, certamente era reservada do terceiro posto para trás. Não acreditava nenhum pouco que alguém se intrometesse na possível dobradinha dos carros da Red Bull. Vettel foi bem numa largada onde ele se defendeu de um possível ataque de seu companheiro, e ao virar da primeira curva não sofreu o incomodo de mais ninguém. Por outro lado é de se elogiar a largada agressiva de Alonso, que conseguiu livrar-se das Mclarens ainda no início da corrida e isso o ajudou muito para que não tivesse maiores problemas durante o resto do certame.
Apesar dos problemas que os Red Bulls enfrentaram, com Webber ficando sem o KERS por boa parte da corrida e Vettel tendo um problema no assoalho, que não afetou sua pilotagem no fim, ficou ainda mais claro que será complicado alguém conseguir segui-los nesta reta final de campeonato. Gostei do ritmo da McLaren no final da corrida, onde seus dois pilotos fizeram ótimas voltas que culminou na melhor feita por Button. Mas por outro lado foi uma pena que isso não tenha acontecido desde o começo da prova, pois teria sido interessante o duelo com Alonso e Webber e porque não, com Vettel mais à frente. Fernando também foi um brigador constante, como é de sua natureza. Conseguiu rodar voltas iguais aos dos líderes e em alguns momentos, até mais veloz, mas ele sabia que não seria possível alcançá-los e o problema no KERS de Mark foi providencial e o ajudou a minimizar o possível estrago que desenhava desde a formação do grid. Ele sai com treze pontos de desvantagem para Vettel. Sinceramente, foi um baita lucro.
Com uma pista que pouco consome pneus, a única coisa eficaz foi o DRS na longa reta do circuito de Buddh. Levar pneus macios e duros para lá não é uma boa, já que visam um bom número de ultrapassagens na corrida. E o mais engraçado é que o erro foi cometido duas vezes, já que em 2011 levaram os mesmos compostos e a corrida foi chata ao extremo. Este ano foi um pouco melhor, com alguns duelos nas posições intermediárias, mas nada que fosse tão animador no geral. Talvez pneus macios e super macios para o ano que vem, possam, quem sabe, dar uma melhorada nesta corrida que se apóia basicamente na asa móvel para promover as ultrapassagens.
Vettel dominou como quis a corrida e mostrou mais uma vez, junto de Webber, que o RB 08 está num nível parecido com o de 2011. Abrem uma grande vantagem e controlam a diferença sem forçar tanto o ritmo, o que ajuda a conservar os pneus e o equipamento. Mas ainda sim a confiabilidade mecânica é o calcanhar de Aquiles do RB 08, como ficou visto em Buddh. Pelo menos o problema com Vettel não foi tão crítico, pois ele tinha mais de dez segundos de vantagem para Alonso quando o problema apareceu faltando menos de dez voltas para o fim.
Fora estes problemas eles partem como favoritos para a corrida de Abu-Dhabi na próxima semana, lugar que Vettel dominou nos últimos anos e de onde poderá sair com uma mão na taça.


sábado, 27 de outubro de 2012

Crash: GT Tour FFSA 2012, Paul Ricard

Na corrida 1 da última etapa do Campeonato Francês de GT, disputado hoje em Paul Ricard, três carros se envolveram num acidente na largada. O Ferrari de Ludovic Badey rodou - ou foi tocado - e foi direto no muro. Outros dois, na tentativa de desviar da confusão, acabou por aumentá-la: o Porsche de Philippe Gache rodou e bateu no muro, um pouco mais abaixo de onde a Ferrari batera. O outro carro foi o Audi de Guilvert Gregory, que atravessou a reta batendo forte do lado interno. Os pilotos nada sofreram.
A prova consagrou a dupla Anthony Beltoise e Henry Hassid, que venceram a corrida e o campeonato com um Porsche 911. O pódio foi completado por Morgan Moullin Trafford e Fabien Barthez (sim, o próprio ex-goleiroda seleção francesa) com uma Ferrari 458 e a terceira colocação foi do multi campeão Sebastian Loeb e Vannelet Gilles, com uma Mclaren MP4/12C.

GP da Índia – Classificação – 17 ª Etapa


Mais uma para Vettel: quinta pole no ano, a 35ª da carreira
(Foto: Getty Images)
Mesmo tendo Webber como o seu maior adversário, a pole de Vettel foi fácil apesar dos 44 milésimos que o separou do tempo de Mark. Aparentou que Sebastian cravaria a marca em qualquer estágio do Q3 e nem mesmo uma escapada durante a volta de aquecimento, atrapalhou a sua concentração. Parece que ele quis mostrar ao mundo que “sim, também posso errar!”, mas que se bem a maioria dos adversários gostaria mesmo é que ele tivesse cometido este erro na volta que valeu a pole.
Do mesmo modo como nas últimas três etapas, a Red Bull sobrou e o melhor carro aparece três décimos atrás: Hamilton ficou com a terceira posição e me passou a idéia de que poderia ter discutido a posição de honra no grid com as Red Bulls, caso não tivesse errado em quase todas as suas voltas velozes. Sua condução agressiva me deu a impressão que estava a tentar extrair tudo o que tinha do carro, mas teve vários contratempos. Button esteve bem e ficou com a quarta colocação, sendo que foi deposto da terceira colocação por Lewis no final do treino.
Enquanto que os rubro taurinos e os cromados têm o que festejar, na Ferrari a coisa parece tensa. Alonso reclamou veemente das novas atualizações do carro, que não surtiram efeito algum. Se bem que pelos treinos livres parecia que ele estava em boa forma, mas o fato mesmo é que em treinos classificatórios, como tem sido este ano, a Ferrari ficou a dever. Ele sairá em quinto e terá a compania de Massa, que fez um bom trabalho em Buddh. Para a Ferrari o restará é tentar lutar por um pódio (o terceiro lugar) para amenizar o possível estrago que poderá acontecer na classificação de pilotos.
Destaque para o bom desempenho das Williams, que tem Maldonado na nona colocação. Bruno poderia ter levado o outro carro para o Q3, mas um erro em sua volta veloz custou caro e sai apenas em 13º. Ao menos ele destacou que o ritmo de prova é bom, o leva a crer que os pontos, para os dois pilotos, são possíveis.   
A corrida desenha-se mais uma vez para Vettel. Não acho que Webber se intrometerá com seu colega, se bem que ele já disse que caso esteja na frente não dará passagem para o seu companheiro, pois ainda tem chances de título. Mas uma boa saída dele (que é raro) pode ser interessante para a corrida, assim como uma boa largada de um dos caras da McLaren também ajudaria bastante a termos uma corrida legal amanhã. Até porque, segundo Hamilton, o ritmo deles é bom o suficiente para incomodar as Red Bulls.
Mas ainda creio que a disputa, pra valer, será da segunda posição para baixo.


Grid de largada para o GP da Índia – 17ª Etapa


1º - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - 1min25s283
2º - Mark Webber (AUS/Red Bull) - 1min25s327
3º - Lewis Hamilton (ING/McLaren) - 1min25s544
4º - Jenson Button (ING/McLaren) - 1min25s659
5º - Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - 1min25s773
6º - Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 1min25s857
7º - Kimi Raikkonen  (FIN/Lotus) - 1min26s236
8º - Sergio Pérez (MEX/Sauber) - 1min26s360
9º - Pastor Maldonado (VEN/Williams) - 1min26s713
10º - Nico Rosberg (ALE/Mercedes) - sem tempo
11º - Romain Grosjean (FRA/Lotus) - 1min26s136
12º - Nico Hulkenberg (ALE/Force India) - 1min26s241
13º - Bruno Senna (BRA/Williams) - 1min26s331
14º - Michael Schumacher (ALE/Mercedes) - 1min26s574
15º - Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso) - 1min26s777
16º - Paul Di Resta (ESC/Force India) - 1min26s989
17º - Kamui Kobayashi (JAP/Sauber) - 1min27s219
18º - Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso) - 1min27s525
19º - Vitaly Petrov (RUS/Caterham) - 1min28s756
20º - Heikki Kovalainen (FIN/Caterham) - 1min29s500
21º - Timo Glock (ALE/Marussia) - 1min29s613
22º - Pedro de la Rosa (ESP/Hispania) - 1min30s592
23º - Narain Karthikeyan (IND/Hispania) - 1min30s593
24º - Charles Pic (FRA/Marussia) - 1min30s662


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Foto 120: Estréia

Jody Scheckter e Gilles Villeneuve descendo juntos a reta de Kyalami, durante o GP da África do Sul de 1979. Foi a prova que marcou a estréia do 312T4 que acabou vencendo aquela corrida pelas mãos de Villeneuve e tendo Scheckter na segunda colocação, fazendo assim a primeira dobradinha ferrarista no ano.
O GP sul-africano também marcou a primeira pole de um carro com motor Turbo: Jean Pierre Jabouille fez a primeira marca nos treinos para a Renault, mas abandonou a corrida com problemas de motor.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Documentário: Stefan Bellof - Uma carreira inacabada

Documentário sobre a curta carreira de Stefan Bellof exibida pela TV alemã ARD em 1986, contando seus dias desde o Kart, passando pelo mundo dos Sport Prototipos e sua curta participação na F1. Infelizmente os vídeos não tem nenhuma legenda em inglês, o que já facilitaria para muitos.

sábado, 20 de outubro de 2012

GP do Brasil de 2007: O título de Raikkonen



O GP da China, 16ª etapa do mundial de 2007, tinha sido um presente dos Deuses para Raikkonen. Lewis Hamilton, que naquele tempo era super badalado por ser um novato que chegou e destronou Fernando Alonso da McLaren, estava na ponta do campeonato e na liderança da corrida chinesa. Era uma oportunidade de ouro para Lewis: ele tinha doze pontos de vantagem sobre Fernando (107x95) e dezessete sobre Raikkonen (107x90) e isso lhe dava a chance de sair de Xangai com o título nas mãos caso vencesse a prova.
A pista molhada devido à chuva que caíra antes da corrida, forçou a todos largarem com pneus intermediários. A lembrança da pilotagem magistral de Hamilton no dilúvio em Fuji uma semana antes tinha sido reforçada nas voltas iniciais da corrida chinesa, com ele a abrir uma boa vantagem para Raikkonen. Desta vez, ao contrário da corrida do Japão, a Ferrari não errara em colocar um pneu diferente para aquela condição de pista – em Fuji, com toda aquela água na pista, eles mandaram os dois carros com pneus intermediários, enquanto todo o grid saiu com pneus biscoito para chuva forte. Desse modo, seus dois pilotos tiveram que trocá-los em uma das 15 maçantes voltas que o pelotão teve que fazer atrás do Safety Car por causa da chuva. Em condições normais, sem o Safety, a prova teria sido arruinada por inteiro. Voltando à prova da China, Hamilton estava se se distanciando de Raikkonen e quando parou nos boxes na volta 15, tinha em torno de oito segundos de vantagem. Uma boa diferença, mas Kimi continuou na pista e só parou nos boxes na volta 19. Tinha desempenhado um bom papel ao fazer boas voltas e quando voltou atrás de Lewis, a diferença não era tão grande assim. Os quatro primeiros (Lewis, Raikkonen, Massa e Alonso) tinham optado por não trocar os pneus apostando numa chuva que estava prestes a cair. Naquele momento a pista tinha um trilho bem definido em quase todo o traçado, mas com a chuva que demorava a cair, os pneus intermediários começavam a se desgastar. Devido a sua pilotagem mais bruta, Lewis começou a perder aderência dos pneus, principalmente os traseiros que já estavam gastos. Raikkonen passou a pressioná-lo e Hamilton defendeu-se como pôde, até que o finlandês assumiu a liderança na entrada da primeira curva após o inglês alargar a entrada da curva por causa dos pneus, que nitidamente já estavam na lona. Kimi passou e foi embora, enquanto que Hamilton tentava se equilibrar no que restava dos pneus. O fim da linha para o garoto prodígio da McLaren foi a entrada do box, quando ele não conseguiu segurar a escapada de frente do MP4-22 indo atolar na caixa de brita. Apesar do esforço comovente em tentar tirar o carro dali, Lewis saiu cabisbaixo e crente que o seu primeiro “Match Point” para o título estava perdido. Raikkonen venceu tranquilamente aquela corrida, seguido por Alonso e Massa. Agora os três postulantes ao título estavam próximos: Lewis tinha quatro pontos de vantagem sobre Fernando (107x103) e sete para Raikkonen (107x100). Interlagos vivenciaria, pela terceira vez consecutiva, uma decisão de mundial.
Aquele ano foi a minha quinta participação num GP do Brasil, ininterrupta desde que comecei em 2003. Trabalhei naqueles três dias no PSDP (Posto de Sinalização e Direção de Prova) e pude acompanhar, não totalmente a fundo, porque eu tinha que desempenhar o meu trabalho, a atmosfera daquela decisão. E o melhor é que estão muito frescas na minha memória aqueles dias em Interlagos. Um privilégio.
A visitação, que sempre acontece de quarta-feira, estava bem movimentada e o box mais visitado era o da McLaren. Não apenas por ter o habitual treinamento de pit-stop, que algumas equipes realizam neste dia, mas também a esperança de ver Alonso ou Hamilton por ali. De quarta é bem raro eles aparecerem no autódromo, principalmente os superstars, que estão envolvidos em reuniões e eventos promovidos pelos patrocinadores. Mais a frente, estava a Ferrari, também fazendo o seu treino de pit-stop, mas com um número baixo de curiosos. Na quinta-feira, dia em que os pilotos aparecem no autódromo para realizarem o reconhecimento do circuito, pude ver Hamilton pela primeira vez. Ele parecia tranqüilo, bem descontraído ao lado de alguns integrantes da McLaren, sorrindo e conversando enquanto caminhava pela pista. Não vi nem Raikkonen e muito menos Alonso. Talvez já tivessem feito este reconhecimento pela manhã.
A figura de Hamilton foi a que mais apareceu no pit Lane naqueles dias. Entre a sexta e sábado era normal eu avistar o inglês conversando com os integrantes da equipe. Ele havia ganhado a simpatia do público brasileiro: era rápido, jovem, destemido, tinha peitado Fernando Alonso e o tirado do sério dentro da McLaren, virando assim o queridinho e esta simpatia aumentou ainda mais quando ele participou de uma festa na quinta a noite e repetidamente, durante um discurso, falava o nome de Senna. Isso foi motivo de aplausos calorosos. E Lewis nunca escondeu de ninguém que era um fã de Ayrton, tanto que ele fez questão de ir ao túmulo do piloto. Usar o nome de Ayrton, frente a um público que ainda o venera, foi uma bela cartada do piloto inglês que conquistou mais alguns admiradores para apoiá-lo na batalha do título. Se Lewis fazia uma social com o público paulistano, Raikkonen preferiu ficar na dele, se bem que estivesse tentado a cair na noite para comemorar o seu aniversário de 28 anos.
Como eu disse, a quinta-feira é o dia onde os astros aparecem. Reuniões com engenheiros de provas, um caminhar pelo circuito fazem parte do cronograma de qualquer piloto. E pelos relatos que soube, o mais tranqüilo de todos era... Fernando Alonso, que havia chegado mais descontraído e sorridente, bem diferente da face carrancuda e azeda que havia demonstrado semanas antes no GP da China, quando ele acusou a McLaren veemente de está-lo sabotando. Hamilton passou apressadamente e Raikkonen estava gelado, como sempre. Os três, mais Felipe Massa, participaram de uma coletiva de imprensa onde o clima continuou sereno, sem ataque por nenhuma parte. Era momento de concentrar-se para a batalha que se seguiria pelos próximos três dias.
Na sexta-feira pela manhã, por volta de 5:30, chegamos ao autódromo. Bandeirinhas, bombeiros, resgate e equipe médica são praticamente os primeiros a chegarem à pista. Mas antes disso, existe a equipe de apoio que chega uma hora antes para deixar tudo organizado nos postos de sinalização. E esse trabalho só se encerra na boca da noite de cada dia, quando jogos de bandeiras, rádios, fones de ouvido, capacetes, são contados e guardados em ordem numérica que corresponde ao posto onde trabalham os bandeirinhas. Ou seja, são 23 postos (PSDP mais os 22 postos espalhados pela pista) que precisam ter o material totalmente conferido para não haver problemas no dia seguinte. Pois bem, chegando ao autódromo sexta pela manhã, uma fina chuva nos recepciona. Só me lembro de ter soltado “Hoje vai ser foda!”, imaginando o trabalhão que seria para o pessoal de resgate a pé, que ficam expostos no tempo, para resgatar algum carro que rodasse e/ou batesse e com a chuva caindo forte. O meu primeiro GP do Brasil foi o de 2003, onde choveu na sexta, fez um sol fraquinho no sábado e caiu um dilúvio no domingo. E posto onde trabalhei? No posto 4, que fica na parte externa saída da curva do Sol e entrada da reta oposta. Quem tiver boa lembrança e viu aquela corrida, sabe bem o que aconteceu naquele pedaço. Fora a chuva que praticamente alagou o posto (ele fica próximo a um barranco e o chão do posto ficava encravado na terra, portanto a água escorria e ia para dentro) e nos forçou a abrir uma valeta com pedaços de pau para que a água escorresse. Mas a chuva daquela sexta não era tão forte para isso, mas molhou bem a pista e deixou as coisas mais interessantes.
Aproveitei a minha estadia no pit-lane para tirar umas fotos, claro. E entre elas, estas duas de Jacques
Laffite (folheando um encarte da  4 Rodas que conta a sua vitória em Interlagos 1979, que ele autografou
para mim) e também Hans Stuck, que parou uma animada conversa para que eu pudesse fotografá-lo.
Gente boa estes senhores!
(Foto: Paulo Abreu)
O asfalto de Interlagos era novíssimo e tinha, aparentemente, corrigido as inúmeras ondulações que era uma queixa freqüente dos pilotos. Era normal ao final de cada de dia você ir por toda a extensão da reta dos boxes e oposta, ver o tanto de marca amarela que ficava no asfalto devido a raspagem da prancha de madeira. E o cheiro forte de madeira ficava suspenso no ar fazendo-lhe sentir que estava numa carpintaria, e não numa pista de corridas. O primeiro treino foi realizado com pista molhada e Raikkonen dominou, com Alonso no seu encalço por meio segundo. A tarde, com a pista seca, foi a vez das Mclarens dominar com Hamilton cravando o melhor tempo, seguido por Alonso, Massa e Raikkonen. Acabado a F1, entrava a Porsche Cup e depois o Trofeo Maserati, mas ainda era possível ver movimentações nos boxes com mecânicos empurrando carros pra lá e pra cá, alguns pilotos se dirigindo para reuniões. Hamilton foi um dos que passaram e me lembro que havia um grupo de cinco, ou seis caras, que estavam na velha arquibancada de frente para os boxes e que o chamaram. Era intervalo entre as categorias suporte, portanto Lewis ouviu bem quando o chamaram e acenou. Mas os torcedores deram uma bela trollada nele ao gritarem o nome de “Alonso, Alonso, Alonso...” e caírem na gargalha. O inglês recolheu o aceno rapidamente e saiu cabisbaixo, aumentado o ritmo do passo rumo ao paddock. Deve ter passado uma baita vergonha, certeza. Outro que passou e foi ovacionado foi Massa. Ele tinha crédito de sobra com a torcida naquela época por conta da sua vitória maiúscula no ano anterior. Vencer naquele ano era bem provável, mas iria depender muito de como estivesse o cenário da corrida, pois ele tinha um companheiro na disputa de um título mundial. Com os treinos livres da Porsche e Maserati se encerrando, era hora de arrumar as coisas e ir para casa repor as energias.
Mais uma vez, às 5:30 da madrugada, lá estávamos nós, mas dessa vez sem chuva e com o céu limpo, sem nenhuma nuvem. E o sol apareceu forte, mas a sombra das sete da manhã no pit-lane nos protegia agradavelmente. Todos os bandeirinhas – ou quase todos – e pessoal de resgate, médico, bombeiros, foram para os boxes fotografar os carros. É um momento legal, pois todas as equipes já estão trabalhando e boa parte dos carros fica pelo lado de fora das garagens montadinhos, esperando o momento certo para dar início ao treinamento de pit-stop. Portanto é uma sessão de fotos por nossa parte, uma vez que dentro da pista isso é quase impossível (se bem que sempre damos um jeito e fotografamos). Durante esta uma hora de visitação, um amigo meu que fala muito bem inglês, conversou com um dos mecânicos da McLaren antes que eles começassem o treinamento. Ele perguntou como estava o clima entre os pilotos e o mecânico, um homem negro e forte que era responsável pelo abastecimento, lhe disse que estava bom, mas Hamilton aparentava estar mais nervoso que Alonso. Isso até soava normal, afinal de contas o franco atirador naquele momento era o espanhol, bi-campeão do mundo, e não o garoto que o destronou com uma pilotagem arrojada e que agora estava a poucos pontos de ser campeão mundial. Era surpreendentemente engraçado, mas Fernando estava mais tranqüilo naqueles dias de GP do Brasil e a FIA, para garantir que a McLaren daria tratamento igual a suas duas estrelas, mandou o argentino Carlos Funes – delegado técnico da entidade – para ser o observador na equipe de Woking. Talvez aí estivesse a explicação para tamanho sossego de Fernando.
Com a pista devidamente montada, o terceiro treino teve o seu início e as Ferraris continuaram na ponta, tendo Massa em primeiro e Lewis em segundo. Raikkonen aparecia em terceiro e Alonso tinha sido apenas o oitavo. De toda a forma, uma briga particular entre italianos e ingleses. Intervalo longo, com mais de 2 horas. Momento dos bons para o pessoal relaxar, tirar um cochilo, ir ao posto vizinho para jogar papo fora ou ir atazanar a torcida do setor G, no final da reta oposta.  
A classificação começou às 14:00 horas com a sua habitual divisão em três partes, mas a que interessava mesmo é a Q3. Nenhuma surpresa aconteceu nas duas primeiras partes e três protagonistas do embate, mais Felipe Massa, passaram tranqüilamente pela Q2 que foi liderada por Raikkonen. As duas Mclarens puxaram o pelotão na saída dos boxes, tendo as duas Ferraris em seguida. A batalha pela pole era tensa, mas Felipe resolveu isso a favor da Ferrari com uma volta perfeita cravando a marca de 1’11’’931, 0’’151 mais veloz que Hamilton. A torcida veio abaixo, gritando o nome de Massa e as coisas poderiam ter sido perfeitas para os italianos caso Raikkonen não tivesse sido atrapalhado por Lewis em um momento do Q3, quando os dois se encontraram na pista e o inglês não deixou espaço suficiente para Kimi na curva Chico Landi que teve de usar a zebra de forma agressiva. Perdeu alguns décimos, mas não ligou muito para esse fato: “Não, não foi nada. Perdi poucos décimos, talvez. Lewis poderia ter feito a coisa mais fácil, mas acabou dificultando. Ele se desculpou. Essas coisas acontecem no tráfego.” Respondeu ele tranquilamente após ser perguntado se havia ficado bravo com aquele lance. Kimi tinha ficado com o terceiro lugar, logo atrás de Massa e Lewis. Alonso, quietinho, marcou o seu quarto lugar. O restante da tarde foi destinado aos treinos classificatórios da Porsche Cup e Trofeo Maserati, mas o que mais era comentado é de como seria o comportamento dos quatro primeiros na largada. Hamilton manteria a tranquilidade? Raikkonen seria o azarado de sempre? Massa venceria ou teria que ceder passagem para o finlandês? Ou Alonso daria o bote final? As respostas para estas perguntas tinham hora marcada: às 14 horas de domingo!
Todo mundo comportado: A foto oficial da Turma de 2007
(Foto: Paulo Abreu)
Seis da manhã e já estávamos em Interlagos. Meia hora mais tarde do que nos dois dias anteriores o que equivale há meia hora ou uma hora a mais de sono. Muito bom, pois quando se chega ao domingo você já está cansado pacas de todo aquele evento e para o pessoal que acha os F1 barulhentos e que com aquele barulho não se consegue dormir engana-se, pois quando chega à metade da prova o cansaço dos outros dias bate e o barulho vira “música de ninar” para nossos ouvidos. Mas aquela corrida era tensa, principalmente as primeiras voltas. Numa corrida dessas envolvendo disputa de titulo, e não digo somente com relação à F1, a atenção dos comissários de pista (bandeirinhas) tem que ser redobrada, pois um toque entre os postulantes durante uma disputa direta pode resolver a fatura para um dos dois lados. Se bem que hoje com o número quase que infindável de câmeras espalhadas pela pista, o trabalho do comissário de pista ficou relegado ao segundo plano na parte de informar a central de provas sobre o ocorrido na pista. Mas ainda sim a nossa informação ajuda muito, pois podemos reportar a ocorrência antes que as imagens cheguem à direção de provas.    
O sol estava mais forte do que no sábado e a previsão de chuva era quase nula, fato que se confirmou pelo resto da tarde sem nenhuma nuvem que trouxesse ameaça de, ao menos, uma ligeira pancada d’água. Dessa vez não houve visitação, até porque os carros estavam no parque fechado e por volta de nove da manhã eles foram retirados do box (não me lembro qual) e levados por suas respectivas equipes. A manhã foi movimentada com as duas corridas suporte da Porsche e Maserati, que foram muito boas por sinal. Com o tempo totalmente livre, desde as 10:50 da manhã, o público teve que apreciar passeios de carros de luxo até o momento em que os pilotos se dirigiram para a reta dos boxes, em cima de um caminhão aberto, para a tradicional foto de fim de ano. Foi possível ver um Massa tranqüilo, conversando animadamente com Heidfeld e Kubica; Button, Barrichello e Coulthard faziam o mesmo e na linha de trás e Rosberg, junto do estreante Nakajima, Sutil e Yamamoto, gargalhavam por alguma piada. Na linha de frente, sentados lado a lado, foi possível ver que Raikkonen, Alonso e Hamilton, não trocaram palavras. Permaneceram como estátuas. Uma pequena correção no boné de um e de outro, mãos entrelaçadas colocadas por sobre as pernas e mais nenhum movimento. O que tinha de descontração aconteceu no caminhão, com Hamilton a conversar de canto com seu amigo de longa data, Adrian Sutil; Fernando papeando alegremente com Webber, Kovalainen (estava ao lado de um estático Raikkonen), Kubica e Fisichella. O caminhão partiu para o desfile dos pilotos por todo o circuito e retornou aos boxes. Os pilotos desceram do caminhão e sumiram pelo box três, mas Hamilton era o mais assediado por fãs e imprensa junto de Felipe. Fernando e Kimi aproveitaram o embalo e desapareceram. Agora era esperar por quase uma hora e meia até a largada, e neste período apareceu um doido varrido com helicóptero que deu voou rasante na reta dos boxes e depois na oposta, levantando muita sujeira naqueles locais. Claro, um trabalhinho para os bandeirinhas em deixar a pista limpa.
A largada para o título: Raikkonen já havia deixado Hamilton para trás
(Foto: F1 Fan)
Faltando trinta, vinte minutos, o box foi aberto para o alinhamento. Corre corre por parte das equipes para levar os equipamentos para o grid e os carros já estavam rodando pela pista. Com todos eles no grid, foi possível ver alguns pilotos se dirigindo ao banheiro para o último “pit-stop”. Hamilton passou sisudo com seu pai o acompanhando, com passos firmes e sem olhar para os lados. E foi assim também na volta. Alonso e Kimi passaram que quase lado a lado, sem trocar palavras e na volta, o espanhol foi o primeiro a passar.
O sinal de cinco minutos restantes para que todos esvaziem o grid começa a tocar. A cada apagar de uma luz vermelha, é um minuto a menos e uma buzina (como aquelas de caminhões) é tocada. Com o grid vazio, o sinal é dado para a volta de apresentação. Neste momento o Claudio, comissário responsável pelo painel eletrônico de onde é acionada as luzes de largada e representante da direção de provas da FIA, mais Charlie Whiting, diretor de provas da FIA, já estavam no PSDP e conversavam entre eles. Os carros chegam e logo se alojam nos seus lugares de largada. A cada carro que para nos colchetes, a respiração e o batimento cardíaco aumenta e isso não é exclusividade dos pilotos. Nós bandeirinhas, principalmente na hora da largada, entramos numa grande tensão porque, afinal de contas, aquele é o momento mais tenso da corrida onde pode acontecer qualquer acidente de grandes proporções. Conforme Charlie apertou uma dos botões, as luzes vermelhas foram acendendo uma a uma e os motores subindo os giros, formando um barulho brutal. Assim que as cinco luzes apagaram, por dois segundos os giros baixaram. A largada foi dada. Raikkonen foi esperto e pulou na frente de Hamilton, que parecia estar pregado na sua posição. O finlandês chegou a emparelhar com Massa na entrada do “S”, mas teve que recolher o carro bruscamente que o forçou a tourear o Ferrari depois de uma pequena escapada de traseira. Lewis estava na sua cola e parece não ter visto que Fernando se colocava do lado de fora na descida do “S” e efetuando a ultrapassagem na entrada da curva do sol. Hamilton havia perdido duas posições em poucos metros e as coisas ficariam piores quando ele tentou passar Alonso por fora na curva Chico Landi e escapado, despencando mais outras quatro posições. A primeira volta terminava com Massa em primeiro, Raikkonen na sua cola e Alonso em terceiro. Hamilton aparecia em oitavo. Uma volta desastrosa para o novato e esperançosa para Raikkonen e Alonso.
E Yamamoto resolveu a brincadeira com uma "voadora" em Fisichella, no início da segunda volta
(Foto: F1Fan)
Apesar de uma pancada que Fisichella levara do Spyker de Sakon Yamamoto, forçando o abandono de ambos, a corrida foi tranqüila até a oitava volta quando foi visto um dos Mclarens lento na descida do lago. Imaginava-se que fosse Alonso, mas a verdade é que tratava-se de Hamilton que lutava loucamente com os inúmeros botões do volante. O carro tinha entrado em ponto morto e pelas repetições da câmera on-board, parece que Lewis acionada o botão sem querer forçando o carro a entrar naquele modo. Mais tarde soube que a McLaren tinha inspecionado o câmbio do carro do britânico pela manhã de domingo, para achar o problema que forçava a caixa de marchas a entrar naquela situação. Mas parece que nada tinha sido resolvido, apesar de que falavam que estava tudo em ordem. Porém agora eles viam seu pupilo despencar dez posições e perder quase que trinta segundos, até conseguir botar o carro para funcionar corretamente. O que estava ruim tinha ficado ainda pior. E na frente continuava a guerra de nervos entre Massa-Raikkonen-Alonso.
E assim a prova continua, até depois da primeira rodada de pit-stops que ainda deixa as três primeiras colocações como antes. Hamilton vinha lutando bravamente pelas posições intermediárias e já estava próximo dos dez primeiros. Ainda era pouco. Ele precisava chegar pelo menos em quinto, contanto que continuasse aquela formação, para garantir o seu título. Na volta 31, com toda aquela tensão dentro da pista, foi possível ver uma entrada desastrosa de Kazuki Nakajima, que derrubou alguns mecânicos da Williams na hora de pit-stop. Mas ao menos ninguém saiu machucado seriamente, e o filho de Satoru pôde voltar para corrida e duelar com Coulthard e fazê-lo rodar na entrada do “S” do Senna quando o veterano escocês tentou passá-lo.
Felipe estava mais tranqüilo. Tinha cerca de três ou quatro segundos de diferença para Kimi, mas uma escapa em um ponto do circuito o fez perder dois segundos e isso possibilitou a chegada do finlandês. Alonso estava bem distante, mais de 20 segundos de desvantagem. Parecia desinteressado, relaxado. Estava curtindo a prova enquanto que Hamilton fazia o que podia para entrar na casa dos oito primeiros.
A volta 50 foi decisiva. Massa entrou nos boxes e fez a sua parada e volta em segundo. Duas voltas depois é vez de Alonso ir ao pit e voltar em terceiro. E Raikkonen? Este ficou na pista e cravou voltas velozes, que lhe deram a primeira colocação quando ele voltou da sua parada na volta 53. A Ferrari tinha feito o seu jogo de equipe de um modo mais sutil, sem nenhuma canalhice. E naquele momento o jogo era aceitável: Hamilton estava em oitavo, Alonso era um peso morto na terceira colocação, mas Kimi precisava subir para o primeiro lugar para garantir o seu título. Apesar do burburinho do final da corrida, onde os poucos rebeldes queriam crucificar a Ferrari por mais um jogo de equipe, a maioria acabou por concordar com o acontecido. Ah, mas ainda tinha uma corrida pela frente. Eram dezoito voltas agonizantes que aumentavam a tensão a cada passagem de Rosberg e Kubica, que lutavam desenfreadamente pela quarta colocação desde a volta 39. A batalha dos dois foi belíssima, mas para os torcedores da Ferrari aquilo era uma tortura. Um enrosco dos dois, seguido de abandono, daria a Lewis a possibilidade de subir para quinto (tinha herdado a sétima colocação após uma parada de box de Trulli) e assegurar seu mundial. Mas isso não aconteceu.
Momentos pós vitória: a comemoração de Raikkonen, a faixa da Ferrari e o pódio,
com Alonso sorrindo feito uma criança e Raikkonen normal, como se nada tivesse acontecido
(Fotos: Paulo Abreu)
Raikkonen seguiu forte com sua Ferrari. Faltando três voltas, um aglomerado de pessoas da Ferrari apareceu nos boxes com uma faixa “Orgoglio Ferrari” e se encaminhou para o parque fechado, montado com grades em frente ao box 1. Kimi venceu a prova, seguido rapidamente de Massa que o escoltou por aquelas dezoito voltas finais. Um tempo depois passou Alonso, que parece ter festejado. Rosberg e Kubica apareceram em seguida lutando pela quarta posição; Heidfeld foi sexto e Hamilton passou em sétimo e gentilmente agradeceu os aplausos do público e Trulli fechou em oitavo. Finalmente Kimi era campeão, por uma diferença de um ponto sobre o duo da McLaren que terminaram empatados em 109 pontos. Um desfecho surpreendente.
Kimi estacionou seu carro e saiu, vibrando ao seu modo: sem muito entusiasmo. Recebeu os cumprimentos de Massa, Alonso e depois de Hamilton. No pódio foi possível ver que Alonso parecia o mais feliz, sempre sorridente, enquanto que Massa não esboçou nenhum sorriso e Kimi continuou gelado, como se nada tivesse acontecido. Receberam seus troféus, espocaram a champanhe beberam e seguiram para a sala de imprensa. Após os festejos, as coisas ficaram tensas quando souberam que Williams e BMW estavam sendo investigadas por irregularidade na gasolina. Segundo os comissários técnicos, o combustível colocado nos tanques estaria abaixo da temperatura permitida por regulamento que é de até 10 graus Celsius abaixo da temperatura ambiente. Ou seja, caso fossem punidas, Rosberg, Kubica, Heidfeld e Nakajima corriam o risco de serem desclassificados. Desse modo, Lewis herdaria a quarta colocação com a desclassificações de Rosberg (4º), Kubica (5º) e Heidfeld (6º) e o título cairia no seu colo. Mas nada foi atribuído as equipes e assim o título de Raikkonen se manteve.
Para nós bandeirinhas, era mais um GP do Brasil de F1 que terminava. Agora era hora de guardar as coisas, contar as novas histórias, trocar fotos e por aí vai. Mais um ano se passaria e Interlagos viveria momentos mais tensos e emocionantes do que o de 2007.
(Foto: F1 Fan)