domingo, 10 de maio de 2026

6 Horas de Spa Francorchamps - Enfim, BMW

(Foto: DPPI)

É bem provável que os olhos estivessem voltados para as equipes francesas nessa segunda etapa do Mundial de Endurance: a pole position da Peugeot, a primeira dela após o retorno em 2024, foi um dos grandes momentos para eles devido toda a dificuldade encontrada nas últimas temporadas e, claro, mostra alguma evolução para o seu elegante 9X8. Para a Alpine, que já anunciou a sua saída do mundial ao final desta temporada, uma segunda fila toda dela também trazia uma esperança de poder lutar pela vitória. Isso seria um sonho para os "Le Bleus" e também para a Peugeot já que estamos há 30 dias para mais uma edição das 24 Horas de Le Mans. Mas, no meio de todo o percurso, sempre existe as armadilhas.

As duas equipes francesas estiveram bem nas horas iniciais, mesmo que ainda houvesse a intromissão da Jota Sport com o seu Cadillac #12 de Will Stevens que assumiu a ponta após a largada. Mas isso era apenas um detalhe e, quem sabe, mais adiante, as coisas poderiam voltar ao controle. Apesar dos esforços, a Peugeot viu o seu pole position #94 sair da corrida na terceira hora quando Jakobsen acabou acertando o desgovernado Mercedes AMG GT3 da Iron Lynx pilotado por Matteo Cressoni no S da Le Combes. Isso pôs fim a chance da Peugeot conseguir uma possivel vitória em Spa.

Por mais que as atenções ainda estivessem voltadas para Cadillac e Alpine, a BMW surgiu com uma estratégia interessante ao parar fora da janela tradicional das demais equipes, o que lhes dava uma vantagem de mais tempo de pista. Com a queda das Alpine e da Cadillac - cauasados por incidentes, ritmo ou punições - a BMW assumia as duas primeiras posições e passava a vislumbrar uma importante chance de vencer em casa, já que a equipe WRT é belga. 

O sumiço da Cadillac, Alpine e Peugeot também proporcionou a chance para que Ferrari e Toyota, que não brilharam na classificação, pudessem entrar na brincadeira e ameaçar uma possível conquista da equipe belga-saxônica. E ainda tinha a Aston Martin com seus Valkyrie que estavam em grande forma, apesar de ter perdido o #009 na Kemmel quando tentou ultrapassar o Alpine #35 em plena reta. 

As voltas finais foram interessantes com Robin Frijns no BMW #20 escapando na liderança e procurando se desvencilhar como podia do tráfego pesado, assim como também Kevin Magnussen no comando do BMW #15 ques ficou com o "trabalho sujo" de segurar os ataques do Ferrari #50 de Antonio Fuoco e eventualmente do revitalizado Toyota #7 com Kamui Kobayashi, que mais tarde perderia terreno e também a quarta posição para um veloz e surpreendente Aston Martin #007 com Tom Gamble que confirmou uma belíssima apresentação do carro inglês. 

René Rast, que forma o trio junto de Robin Frijns e Kevin Van Der Linde, comentou sobre essa primeira conquista da BMW desde o retorno da marca ao mundial em 2024: “É uma história inacreditável para nós. Foi um longo caminho percorrido – estávamos esperando por este momento nos últimos dois ou três anos. Todos trabalharam muito duro, e celebrar nossa primeira vitória na Bélgica, onde a WRT corre em casa, é algo muito especial.”. A BMW voltou a vencer no campeonato mundial após quase 45 anos, quando Hans Joachim Stuck e Nelson Piquet venceram os 1000km de Nurburgring de 1981 com o BMW M1 da BASF Cassetten / Team GS-Sport. Na ocasião foi a sétima etapa do Mundial de Marcas daquele ano. E a última grande vitória da marca bávara remonta às 24 Horas de Le Mans de 1999 que foi vencida por Joachim Winkelhock/ Pierluigi Martini/ Yannick Dalmas.

“A equipe fez um milagre em termos de estratégia. Eles me colocaram na frente, e aí o carro simplesmente voou e, com ar limpo, tivemos um ritmo ótimo. Fizemos ótimas paradas nos boxes, não cometemos erros e não tivemos nenhum contato. Foi um dia incrível!”, destacou René Rast. Além da ótima estratégia os dois M Hybrid V8 estavam muito bem de reta, o ajudou muito nas defesas de Magnussen frente as investidas de Fuoco.

Além dos destaques positivos da BMW e Aston Martin, a Genesis Magma Racing conquistou seus primeiros pontos com a oitava colocação conquistada pelo Genesis GMR-001 Hypercar #17 que teve Pipo Derani fazendo o stint final e segurando todas as investidas do Cadillac #12, Toyota #8 e Alpine #36. Derani, que completa o trio junto de Andre Lotterer e Mathys Jaubert no #17, comentou sobre esses primeiros pontos da equipe Genesis: “Foi muito difícil, porque desde o momento em que entrei no carro, quase duas horas e 40 minutos antes do final, estávamos lutando contra um problema no trem de força. Perdemos muito desempenho por causa disso e, definitivamente, ficamos um pouco receosos de que teríamos dificuldades até o final. Tivemos um pouco de sorte com a bandeira amarela que nos uniu, mas no fim das contas, estávamos lá para aproveitar a oportunidade e lutar pelos nossos primeiros pontos, então estamos muito orgulhosos da equipe, muito orgulhosos de todo o grupo. Não foi fácil chegar até aqui, e não é para ser fácil, porque estamos em um campeonato de altíssimo nível. Dito isso, devemos estar muito orgulhosos do que conquistamos, mas mantemos os pés no chão, pois sabemos que temos muito trabalho pela frente.”

Na LMGT3, vitória para a Garage 59


(Foto: DPPI)

Após o drama vivido nas 6 Horas de Ímola, etapa de abertura do mundial 2026, onde o Mclaren #10 da Garage 59 viu a sua vitória escorrer pelos dedos na última meia hora por problemas no alternador. Em Spa, durante os treinos, parecia que a maré baixa continuaria já que o carro enfrentava contratempos por conta da direção. E juntando esses problemas, mais a classificação que foi das melhores ao anotarem apenas a 15ª posição na classe, o cenário não era nada animador.

Mas corridas de endurance dão uma ótima oportunidade para as coisas comecem a se alinhar, e foi o que aconteceu quando o trio formado por Antares Au/ Tom Fleming/ Marvin Kirchhöfer levaram o Mclaren 720S LMGT3 Evo #10 ao topo da prova, recebendo a primeira posição de "presente" após a punição levada pela Ferrari #21 da Vista AF Corse.

"Fui eu quem colocou a equipe nessa situação, classificando o carro em 15º lugar", lembrou Antares Au. " Então, achei melhor encontrar uma maneira de nos tirar dessa.Tivemos a sorte de estar numa posição relativamente favorável em comparação com os outros. Saímos dessa situação muito bem. Conseguimos evitar incidentes e completar voltas consecutivas." completou o piloto de Hong Kong

Marvin Kirchhöfer também destacou o desempenho de seus companheiros no Mclaren #10, assim como a equipe: "Antares e Tom fizeram um trabalho notável. Eles também evitaram penalidades, o que eu acho que foi um dos fatores mais decisivos para nos permitir assumir a liderança sobre a Ferrari.”

"E não podemos nos esquecer da equipe. Eles foram incrivelmente eficientes durante as paradas nos boxes, e forçamos a AF Corse a cometer um erro ao tentar uma relargada perigosa. Eu soube imediatamente, assim que aconteceu, que eles provavelmente receberiam uma penalidade por isso.

Isso foi confirmado após 15 ou 20 minutos do meu turno, mas, ao mesmo tempo, conseguir manter a pressão e evitar ser ultrapassado não foi a coisa mais fácil do mundo." concluiu Marvin.

Para o Ferrari #21 da Vista AF Corse acabou sendo um grande desastre nesse final quando Alessio Rovera teve uma saída de box insegura na sua última parada de box e isso implicou nos 5 segundos que lhes tiraram a vitória, sendo que estiveram em toda prova entre os três primeiros. 

Outra equipe que esteve muito bem e que poderia muito bem ter conseguido um resultado interessante, foi a Proton Competition com seu par de Ford Mustang GT3 que estiveram em algum momento da prova com boas oportunidades. O #77, na ocasião pilotado por Eric Powel, assumiu a liderança com cinco voltas de corrida após uma bela ultrapassagem sobre o pole Lexus #87, mas o sonho foi para o espaço quando o mesmo abusou na Stavelot e ficou na brita. O gêmeo #88 também chegou liderar a prova, mas um bocado de punições por conta de track limits e drive-through os tiraram da luta. 

A Lexus ainda possuia alguma chance de brigar por pódio, mas abrandou o ritmo no final e acabou despencando de terceiro para sexto na classe.

O Mundial de Endurance volta em junho para a realização de sua jóia maior: as 24 Horas de Le Mans que realizaraá a sua  94ª edição

domingo, 3 de maio de 2026

Foto 1047 - Leone Zanardi

 

(Foto: eyeoncomo.wordpress.com)

O já saudoso Patrick Tambay disse certa vez que "as pessoas passaram a esperar o impossível de Gilles Villeneuve a cada corrida" e não seria nenhum exagero se ela servisse à Alessandro Zanardi. Na segunda metade dos anos 1990 era quase um ritual ligar a TV  na parte da tarde e assistir as provas da CART no SBT e, ao mesmo tempo que esperávamos uma vitória brasileira, também ficávamos de olho no que Zanardi poderia fazer ao comando do já mítico Reynard-Honda-Firestone da Chip Ganassi.

Realmente, Alex Zanardi era uma versão moderna do Gilles Villeneuve para a minha geração. Não vimos o impressionante canadense em ação, mas tivemos a oportunidade de ler e ver alguns vídeos de suas atuações memoráveis. Olhar o piloto italiano naquelas três temporadas em que ele esteve presente na CART, foi uma dádiva divina que nos fez imaginar o quanto que deve ter sido bom ver Gilles naqueles anos da Fórmula 1 entre 1977 e 1982. Por isso, foi muito bom agradecer a chance de vermos Zanardi brilhar nas pistas americanas e para ele, claro, foi também uma chance muito bem vinda, afinal de contas sabíamos que nem todos os pilotos que saíam da Fórmula-1 tinham grandes oportunidades de brilhar em outros locais - e se brilhassem, talvez não tivéssemos a chance de acompanhar.

Mesmo que a sua segunda passagem pela Fórmula 1 não tenha sido dos sonhos - ainda que ele acreditasse que poderia ter uma jornada melhor após aqueles dois títulos na Indy -, a volta para a CART lhe trouxe uma nova oportunidade de retomar o caminho do sucesso. O acidente em Lausitzring poderia ter colocado um ponto final na sua vida e carreira, mas o destino lhe reservara uma segunda oportunidade que foi muito bem aproveitada. "Foi então que Daniela me disse que eu havia perdido as pernas. Acredite ou não, aquele foi um bom dia. Pelo menos, eu sabia que estava vivo. Se eu tivesse visto alguém sem as pernas alguns dias antes do acidente, teria dito: "Prefiro morrer a viver assim". Depois de saber que havia perdido as pernas, percebi que esse era o menor dos meus problemas.", relatou ele a uma entrevista para o jornal inglês "The Guardian" em julho de 2007.

Dois anos depois ele estava de volta ao oval alemão para terminar as 13 voltas que lhe foram negadas naquela tarde de 15 de setembro de 2001. Elas foram completadas e automaticamente foi aplaudido de pé assim que saiu do Reynard. Ele ainda teria uma experiência no BMW da Fórmula-1 e voltaria à competir no WTCC naquela década com boas performances que lhe renderam quatro vitórias.

Mas foi no Handcycle Paralimpico que o seu nome ganhou forma ao vencer as mais laureadas competições como a Maratona de Roma e títulos mundiais no Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada em provas de estrada e contra relógio em 2013 e 2015. 

As Paralimpíadas, especialmente a de Londres 2012, acabou por coroar a carreira que ele escolheu seguir à partir de 2007 quando ganhou duas medalhas de ouro (contrarelógio e estrada) e uma de prata (revezamento), com todas as provas sendo realizadas no circuito de Brands Hatch. Ele repetiria a dose quatro anos depois nas Paralimpíadas do Rio em 2016, conquistando mais dois ouros (contrarelógio e revezamento misto) e uma prata no ciclismo de estrada. 

Zanardi foi um dos muitos pilotos que cruzaram o Atlântico para tentar a sorte na terra das oportunidades naquela segunda parte dos anos 1990. Chegou de forma tímida e ao final do seu ano de estreia, em 1996, já era um dos grandes da categoria. Enquanto que Bryan Herta deve ter tido alguns pesadelos com o Reynard Honda vermelho da Chip Ganassi, os fãs do italiano tinham muito o que comemorar e comentar no dia seguinte na escola ou no serviço, contando e se divertindo com os grandes lances e esperando pela próxima corrida para saber como seria o show da vez.

Alessandro Zanardi cumpriu a sua missão e após quase seis anos do seu último grave acidente, durante uma competição de Handcycle na Toscana em junho de 2020, ele  descansou no 1º de maio, mesmo dia que seu ídolo Ayrton Senna, mês onde repousa outros grandes do motorsport e onde ele estará pela eternidade. 

Bem como cantou o também saudoso David Bowie "Podemos ser heróis apenas por um dia", mas Zanardi é "Herói para todo o sempre".

Obrigado, Zanardi!

6 Horas de Spa Francorchamps - Enfim, BMW

(Foto: DPPI) É bem provável que os olhos estivessem voltados para as equipes francesas nessa segunda etapa do Mundial de Endurance: a pole p...