quinta-feira, 11 de junho de 2026

94ª 24 Horas de Le Mans - BMW a mais veloz ao final do TL3

(Foto: BMW Motorsports)

Esse terceiro treino livre para a realização da 94ª Edição das 24 Horas de Le Mans só reforçou a impressão de que teremos uma qualificação muito equilibrada. Se a Cadillac chegou a posicionar seus três carros nas três primeiras posições (Jota - WRT - Jota) por um certo período, a BMW e Alpine mostraram que tem ritmo para enfrentar os carros americanos e desafiá-los mais tarde na conclusão do Hyperpole que acontecerá mais tarde. 

A BMW Team WRT chegou posicionar  seus dois carros nos minutos finais, mas a Alpine se fez presente com o seu #36 ao assumir a segunda posição. Dries Vanthoor colocou o BMW #15 no topo da tabela ao cravar a marca de 3'23''302, ficando quatro décimos à frente do Alpine #36 que foi conduzido por Victor Martins nessa fase final. A Cadillac ainda conseguiu um terceiro posto através do #12 da Hertz Team Jota com Will Stevens fazendo o tempo de 3'23''816. Na quarta posição aparece o BMW #20, mostrando o bom ritmo dos carros alemães. 

Destaque positivo para a Genesis que conseguiu um ótimo quinto lugar com o tempo de com o #17, repetindo um bom andamento que foi visto na parte noturna quando o #19 foi sexto no segundo treino livre. Para uma equipe que ainda está tateando para achar um bom caminho de desenvolvimento, tem sido uma ótima jornada para eles. 

A LMP2 viu o #29 da Forestier Racing by Panis fazer o melhor tempo de 3'34''252, repetindo o feito do TL2, ficando apenas 1 milésimo à frente do #30 da Duqueine e tendo o #343 da InterEuropol na terceira posição. 

Na LMGT3, Eduardo Barrichello ditou o ritmo ao cravar o tempo de 3'53''728 com o Aston Martin #23 da Heart Of Racing, desbacando o BMW #32 do Team WRT - conduzido por Augusto Farfus - por dois décimos. Em terceiro apareceu o Lexus #83 da Akkodis.

A tarde será realizada a segunda parte da Hyperpole, que definirá os poles de cada classe.

Resultados do Terceiro Treino Livre

94ª 24 Horas de Le Mans - O primeiro dia de atividades em La Sarthe

O Alpine A424 #35 de Antonio Felix da Costa/ Ferdinand Habsburg/ Charles Milesi
(Foto: DPPI)

Mesmo com duas sessões de treinos livres e uma primeira parte da qualificação sendo realizada, é possível apontar algum destaque? É bem provável que venhamos a cair na armadilha - ou tentação - em apontar pra já um favorito para a Hyperpole de amanhã, mas a verdade é que, sem sabermos do tão conflituoso BOP, a primeira sensação é que não existe um super favorito de imediato. Talvez uma leve impressão. 

A Cadillac, seja com os carros da Hertz Team Jota, seja com o solitário da Wayne Taylor Racing, parece ter um leve um favoritismo. Na primeira sessão de treinos livres vimos o #38 da Hertz Team Jota cravar o melhor tempo através de Earl Bamber que conseguiu melhorar a marca em duas voltas seguidas já na parte final de treino, desbancando o Cadillac #101 da Wayne Taylor que havia liderado boa parte das três horas de atividade. E os carros americanos poderiam muito bem ter cravado a trinca caso o BMW #20 do Team WRT não tivesse se intrometido e ficado em terceiro, seguido pelo #12 da Hertz Team Jota.

Mas a aparição repentina da Alpine na qualificação, deixou uma pequena duvida no ar de como pode ser essa segunda parte da Hyperpole. Para eles, que estarão disputando a sua última 24 Horas de Le Mans, é uma ótima oportunidade de conseguir uma lendária pole e tentar fazer uma saída digna. Mas eles sabem que a batalha será intensa, não somente com o desafio vindo dos Cadillac, mas também dos BMW do Team WRT que fizeram boas voltas no primeiro TL e depois na qualificação. 

Correndo por fora aparece a Aston Martin que foi uma grata surpresa no Test Day ao cravar o melhor tempo e no TL1 chegou figurar na ponta da tabela de tempos, assim como no turno da Hyperpole e também no TL2. Ferrari e Toyota, as velhas rivais, não podem ser descartadas, mas a principio não aparenta ter velocidade suficiente para a segunda parte da Hyperpole, mesmo que tenham feito boas voltas nos dois TLs - principalmente para a equipe italiana, que por muito pouco não viu seus três carros serem eliminados. O #83 da AF Corse, o atual campeão da prova, ficou de fora após não ter ritmo suficiente, já que perdeu parte do TL1 após a escapada de Yifei Ye na Mulsanne.

Para a Peugeot, que não tinha grandes aspirações para a Hyperpole, acabou sendo mais um grande desastre com seus 9X8 ficando de fora. 

Na LMP2, Doriane Pin foi o grande nome desde o TL1 e também na qualificação dessa classe ao levar o #30 da Duqueine ao melhor tempo após um duelo interessante contra Ian Aguilera que esteve muito bem no comando do #37 da CLX Motorsport, ao se revezarem na primeira posição. A pilota francesa cravou o tempo de 3'34''662, ficando com o melhor tempo. Mas como de costume, é classe onde não dá para cravar um favorito.

Da mesma forma como a LMP2, a LMGT3 segue a mesma toada em não dar nenhum indicativo de quem pode sair na pole. Em cada sessão, contando os dois treinos livres e qualificação, a tabela teve sempre um ponteiro diferente: enquanto que a Akkodis teve o seu Lexus #78 na liderança, o Mustang #77 da Proton fez o melhor tempo, mas com o Aston Martin #23 da Heart Of Racing na cola por apenas 24 milésimo na Hyperpole. No segundo treino livre, disputado na parte noturna, foi a vez do BMW #32 do Team WRT fazer a melhor marca através de Augusto Farfus. 

Saber quem será os poles de cada classe, será uma missão bem dificil. Mas com certeza não faltará emoção para tal em La Sarthe

Resultados

TL1 - Hyperpole Hypercar - Hyperpole LMP2 e LMGT3 - TL2

sexta-feira, 5 de junho de 2026

94ª 24 Horas de Le Mans - Pesagem: Dia 1

 

(Foto: Antonin Vincent)

A partir do momento que o primeiro carro atravessa a linha para a pesagem, o clima em Le Mans muda quase que automaticamente. É momento em que fica claro que a grande prova está se aproximando e instantaneamente a pequena cidade ao noroeste torna-se a capital mundial do motorsport, como tem sido desde 1923.

Hoje foi o início da tradicional Pesagem na Place de La République e assim, como em outros anos, foi a oportunidade para os fãs verem de perto os novos carros e também a "roupagem de festa" que alguns utilizaram para essa 94ª edição da maior prova de Endurace.

Abaixo algumas declarações neste primeiro dia.


Inter Europol

(Foto: Antonin Vicent)

Tom Dillman e Kuba Śmiechowski destacam o favoritismo da equipe polonesa para essa edição.

Kuba Śmiechowski "Vínhamos de três pódios consecutivos. Este ano, queremos vencer novamente".

Tom Dillman: Não existe corrida maior do que as 24 Horas de Le Mans. Acho que ainda somos os favoritos. Francamente, nosso carro está funcionando muito bem aqui. Na LMP2, tudo se resume ao mérito. Todos nós temos o mesmo pacote. Então, cabe às equipes e aos pilotos fazer a diferença. É preciso ser rápido durante toda a corrida.”


BMW M Team WRT 

(Foto: Remi Vallat)


Apesar de uma grande vitória em Spa-Francorchamps, a equipe belga-saxônica prega cautela sobre uma conquista em La Sarthe. 

Kevin Magnussen destaca isso, mas sem deixar aquela pontinha de esperança de lado: “Estamos bem preparados para a corrida mais importante do ano, que precisamos vencer. Apesar disso, não dá para apontar um favorito para um evento como esse. Todos têm chances. Mesmo assim, é verdade que, depois da corrida em Spa, estamos cheios de energia e esperança.”


Genesis Magma Racing

(Foto: Olivier Rolland-Jacob)


Com certeza os olhares estarão na equipe da fabricante Hyundai que fará o seu debut na clássica francesa. Mas todos ali sabem como é o desafio de uma prova dessa para uma equipe estreante. André Lotterer comentou sobre isso: “Sabemos que é muito difícil se destacar no primeiro ano de um compromisso, especialmente contra equipes com tanta experiência. Nossa abordagem é bastante simples: focamos no nosso desempenho, buscando extrair o máximo do carro. Nosso objetivo é cruzar a linha de chegada e, ao fazê-lo, construir uma base sólida para o futuro.”


Peugeot

(Foto: Antonin Vincent)


Uma vitória francesa iria bem, não é mesmo? Ainda mais se vier da tradicional Peugeot, que tem dado alguns bons sinais no últimos tempos em relação ao belíssimo 9X8.

Löic Duval destaca a preparação do 9X8 para a corrida de daqui uma semana: “Queremos otimizar nosso conjunto e alcançar o melhor resultado possível. Nesse contexto, o Dia de Testes será de suma importância. Nossos carros são projetados para ter um bom desempenho nas 24 Horas de Le Mans, mas fora dos testes e da corrida, nunca temos a oportunidade de pilotar na pista.”

Malthe Jakobsen também comentou sobre a motivação da equipe: "Este progresso motiva muito toda a equipe. Acho que mostramos um bom potencial. É possível quando o grupo está unido. Ao mesmo tempo, o início da temporada provou que o FIA WEC é um campeonato muito competitivo, onde nada é fácil. É preciso atentar para alcançar o potencial máximo.” 


Aston Martin

(Foto: Antonin Vincent)


Os belíssimos Valkyrie tem dado sinais positivos nos últimos tempos com um desempenho honesto, principalmente nas 6 Horas de Spa com boas chances de pódio. E isso trás para a equipe uma boa dose de otimismo: "No ano passado, o objetivo era simplesmente terminar a corrida, coletar o máximo de dados possível e aprender. O carro está se tornando cada vez mais competitivo. Estamos trabalhando incansavelmente para melhorá-lo. O resultado em Spa é muito motivador às vésperas das 24 Horas de Le Mans. Nosso objetivo é um lugar no pódio.", comentou Tom Gamble.


Cadillac Hertz Team Jota

(Foto: Alessandro Sala)


A Cadillac tem muito o que esperar para essa edição das 24 Horas de Le Mans, afinal de contas uma primeira fila imponente em 2025 acabou se dissolvendo nas horas iniciais e tiraram deles a oportunidade de uma histórica vitória no solo sagrado do Endurance Mundial. 

Desta vez eles acreditam que a preparação desta vez foi melhor: "Tivemos uma boa preparação. Isso nos permitiu entender o desenvolvimento do carro. Nas duas primeiras etapas da temporada, o desempenho estava lá. Isso nos dá confiança”, comentou Will Stevens. 

Sebastién Bourdais destaca a busca de algo além da Hyperpole e também acredita numa edição histórica: “Esperamos poder lutar por algo maior do que a Hyperpole. Nosso conjunto deve ser competitivo. Devemos presenciar uma das corridas mais disputadas da história das 24 Horas de Le Mans.”


Alpine Endurance Team



Este será o canto do cisne para a equipe francesa, mas eles acreditam que podem surpreender apoiando-se na experiência adquirida nos últimos tempos. Phillipe Sinault, o diretor da equipe, destaca isso: “Nunca estivemos tão bem preparados. Dominamos o carro. A equipe está madura. Desde o início da temporada, tanto em termos de desempenho quanto de tecnologia, demos mais um passo à frente. Como resultado, somos capazes de alcançar grandes feitos nesta 94ª edição. Quando você se chama Alpine e participa desta corrida, precisa ser ambicioso.”


Ao todo, contando entre os Hypercars, LMP2 e LMGT3, 39 carros foram inspecionados hoje na Place de La République e o restante será feito amanhã, onde será realizado também o tradicional desfile por algumas ruas da cidade com alguns carros. 

Definitivamente, a 94ª Edição das 24 Horas de Le Mans já iniciou.

domingo, 10 de maio de 2026

6 Horas de Spa Francorchamps - Enfim, BMW

(Foto: DPPI)

É bem provável que os olhos estivessem voltados para as equipes francesas nessa segunda etapa do Mundial de Endurance: a pole position da Peugeot, a primeira dela após o retorno em 2024, foi um dos grandes momentos para eles devido toda a dificuldade encontrada nas últimas temporadas e, claro, mostra alguma evolução para o seu elegante 9X8. Para a Alpine, que já anunciou a sua saída do mundial ao final desta temporada, uma segunda fila toda dela também trazia uma esperança de poder lutar pela vitória. Isso seria um sonho para os "Le Bleus" e também para a Peugeot já que estamos há 30 dias para mais uma edição das 24 Horas de Le Mans. Mas, no meio de todo o percurso, sempre existe as armadilhas.

As duas equipes francesas estiveram bem nas horas iniciais, mesmo que ainda houvesse a intromissão da Jota Sport com o seu Cadillac #12 de Will Stevens que assumiu a ponta após a largada. Mas isso era apenas um detalhe e, quem sabe, mais adiante, as coisas poderiam voltar ao controle. Apesar dos esforços, a Peugeot viu o seu pole position #94 sair da corrida na terceira hora quando Jakobsen acabou acertando o desgovernado Mercedes AMG GT3 da Iron Lynx pilotado por Matteo Cressoni no S da Le Combes. Isso pôs fim a chance da Peugeot conseguir uma possivel vitória em Spa.

Por mais que as atenções ainda estivessem voltadas para Cadillac e Alpine, a BMW surgiu com uma estratégia interessante ao parar fora da janela tradicional das demais equipes, o que lhes dava uma vantagem de mais tempo de pista. Com a queda das Alpine e da Cadillac - cauasados por incidentes, ritmo ou punições - a BMW assumia as duas primeiras posições e passava a vislumbrar uma importante chance de vencer em casa, já que a equipe WRT é belga. 

O sumiço da Cadillac, Alpine e Peugeot também proporcionou a chance para que Ferrari e Toyota, que não brilharam na classificação, pudessem entrar na brincadeira e ameaçar uma possível conquista da equipe belga-saxônica. E ainda tinha a Aston Martin com seus Valkyrie que estavam em grande forma, apesar de ter perdido o #009 na Kemmel quando tentou ultrapassar o Alpine #35 em plena reta. 

As voltas finais foram interessantes com Robin Frijns no BMW #20 escapando na liderança e procurando se desvencilhar como podia do tráfego pesado, assim como também Kevin Magnussen no comando do BMW #15 ques ficou com o "trabalho sujo" de segurar os ataques do Ferrari #50 de Antonio Fuoco e eventualmente do revitalizado Toyota #7 com Kamui Kobayashi, que mais tarde perderia terreno e também a quarta posição para um veloz e surpreendente Aston Martin #007 com Tom Gamble que confirmou uma belíssima apresentação do carro inglês. 

René Rast, que forma o trio junto de Robin Frijns e Kevin Van Der Linde, comentou sobre essa primeira conquista da BMW desde o retorno da marca ao mundial em 2024: “É uma história inacreditável para nós. Foi um longo caminho percorrido – estávamos esperando por este momento nos últimos dois ou três anos. Todos trabalharam muito duro, e celebrar nossa primeira vitória na Bélgica, onde a WRT corre em casa, é algo muito especial.”. A BMW voltou a vencer no campeonato mundial após quase 45 anos, quando Hans Joachim Stuck e Nelson Piquet venceram os 1000km de Nurburgring de 1981 com o BMW M1 da BASF Cassetten / Team GS-Sport. Na ocasião foi a sétima etapa do Mundial de Marcas daquele ano. E a última grande vitória da marca bávara remonta às 24 Horas de Le Mans de 1999 que foi vencida por Joachim Winkelhock/ Pierluigi Martini/ Yannick Dalmas.

“A equipe fez um milagre em termos de estratégia. Eles me colocaram na frente, e aí o carro simplesmente voou e, com ar limpo, tivemos um ritmo ótimo. Fizemos ótimas paradas nos boxes, não cometemos erros e não tivemos nenhum contato. Foi um dia incrível!”, destacou René Rast. Além da ótima estratégia os dois M Hybrid V8 estavam muito bem de reta, o ajudou muito nas defesas de Magnussen frente as investidas de Fuoco.

Além dos destaques positivos da BMW e Aston Martin, a Genesis Magma Racing conquistou seus primeiros pontos com a oitava colocação conquistada pelo Genesis GMR-001 Hypercar #17 que teve Pipo Derani fazendo o stint final e segurando todas as investidas do Cadillac #12, Toyota #8 e Alpine #36. Derani, que completa o trio junto de Andre Lotterer e Mathys Jaubert no #17, comentou sobre esses primeiros pontos da equipe Genesis: “Foi muito difícil, porque desde o momento em que entrei no carro, quase duas horas e 40 minutos antes do final, estávamos lutando contra um problema no trem de força. Perdemos muito desempenho por causa disso e, definitivamente, ficamos um pouco receosos de que teríamos dificuldades até o final. Tivemos um pouco de sorte com a bandeira amarela que nos uniu, mas no fim das contas, estávamos lá para aproveitar a oportunidade e lutar pelos nossos primeiros pontos, então estamos muito orgulhosos da equipe, muito orgulhosos de todo o grupo. Não foi fácil chegar até aqui, e não é para ser fácil, porque estamos em um campeonato de altíssimo nível. Dito isso, devemos estar muito orgulhosos do que conquistamos, mas mantemos os pés no chão, pois sabemos que temos muito trabalho pela frente.”

Na LMGT3, vitória para a Garage 59


(Foto: DPPI)

Após o drama vivido nas 6 Horas de Ímola, etapa de abertura do mundial 2026, onde o Mclaren #10 da Garage 59 viu a sua vitória escorrer pelos dedos na última meia hora por problemas no alternador. Em Spa, durante os treinos, parecia que a maré baixa continuaria já que o carro enfrentava contratempos por conta da direção. E juntando esses problemas, mais a classificação que foi das melhores ao anotarem apenas a 15ª posição na classe, o cenário não era nada animador.

Mas corridas de endurance dão uma ótima oportunidade para as coisas comecem a se alinhar, e foi o que aconteceu quando o trio formado por Antares Au/ Tom Fleming/ Marvin Kirchhöfer levaram o Mclaren 720S LMGT3 Evo #10 ao topo da prova, recebendo a primeira posição de "presente" após a punição levada pela Ferrari #21 da Vista AF Corse.

"Fui eu quem colocou a equipe nessa situação, classificando o carro em 15º lugar", lembrou Antares Au. " Então, achei melhor encontrar uma maneira de nos tirar dessa.Tivemos a sorte de estar numa posição relativamente favorável em comparação com os outros. Saímos dessa situação muito bem. Conseguimos evitar incidentes e completar voltas consecutivas." completou o piloto de Hong Kong

Marvin Kirchhöfer também destacou o desempenho de seus companheiros no Mclaren #10, assim como a equipe: "Antares e Tom fizeram um trabalho notável. Eles também evitaram penalidades, o que eu acho que foi um dos fatores mais decisivos para nos permitir assumir a liderança sobre a Ferrari.”

"E não podemos nos esquecer da equipe. Eles foram incrivelmente eficientes durante as paradas nos boxes, e forçamos a AF Corse a cometer um erro ao tentar uma relargada perigosa. Eu soube imediatamente, assim que aconteceu, que eles provavelmente receberiam uma penalidade por isso.

Isso foi confirmado após 15 ou 20 minutos do meu turno, mas, ao mesmo tempo, conseguir manter a pressão e evitar ser ultrapassado não foi a coisa mais fácil do mundo." concluiu Marvin.

Para o Ferrari #21 da Vista AF Corse acabou sendo um grande desastre nesse final quando Alessio Rovera teve uma saída de box insegura na sua última parada de box e isso implicou nos 5 segundos que lhes tiraram a vitória, sendo que estiveram em toda prova entre os três primeiros. 

Outra equipe que esteve muito bem e que poderia muito bem ter conseguido um resultado interessante, foi a Proton Competition com seu par de Ford Mustang GT3 que estiveram em algum momento da prova com boas oportunidades. O #77, na ocasião pilotado por Eric Powel, assumiu a liderança com cinco voltas de corrida após uma bela ultrapassagem sobre o pole Lexus #87, mas o sonho foi para o espaço quando o mesmo abusou na Stavelot e ficou na brita. O gêmeo #88 também chegou liderar a prova, mas um bocado de punições por conta de track limits e drive-through os tiraram da luta. 

A Lexus ainda possuia alguma chance de brigar por pódio, mas abrandou o ritmo no final e acabou despencando de terceiro para sexto na classe.

O Mundial de Endurance volta em junho para a realização de sua jóia maior: as 24 Horas de Le Mans que realizaraá a sua  94ª edição

domingo, 3 de maio de 2026

Foto 1047 - Leone Zanardi

 

(Foto: eyeoncomo.wordpress.com)

O já saudoso Patrick Tambay disse certa vez que "as pessoas passaram a esperar o impossível de Gilles Villeneuve a cada corrida" e não seria nenhum exagero se ela servisse à Alessandro Zanardi. Na segunda metade dos anos 1990 era quase um ritual ligar a TV  na parte da tarde e assistir as provas da CART no SBT e, ao mesmo tempo que esperávamos uma vitória brasileira, também ficávamos de olho no que Zanardi poderia fazer ao comando do já mítico Reynard-Honda-Firestone da Chip Ganassi.

Realmente, Alex Zanardi era uma versão moderna do Gilles Villeneuve para a minha geração. Não vimos o impressionante canadense em ação, mas tivemos a oportunidade de ler e ver alguns vídeos de suas atuações memoráveis. Olhar o piloto italiano naquelas três temporadas em que ele esteve presente na CART, foi uma dádiva divina que nos fez imaginar o quanto que deve ter sido bom ver Gilles naqueles anos da Fórmula 1 entre 1977 e 1982. Por isso, foi muito bom agradecer a chance de vermos Zanardi brilhar nas pistas americanas e para ele, claro, foi também uma chance muito bem vinda, afinal de contas sabíamos que nem todos os pilotos que saíam da Fórmula-1 tinham grandes oportunidades de brilhar em outros locais - e se brilhassem, talvez não tivéssemos a chance de acompanhar.

Mesmo que a sua segunda passagem pela Fórmula 1 não tenha sido dos sonhos - ainda que ele acreditasse que poderia ter uma jornada melhor após aqueles dois títulos na Indy -, a volta para a CART lhe trouxe uma nova oportunidade de retomar o caminho do sucesso. O acidente em Lausitzring poderia ter colocado um ponto final na sua vida e carreira, mas o destino lhe reservara uma segunda oportunidade que foi muito bem aproveitada. "Foi então que Daniela me disse que eu havia perdido as pernas. Acredite ou não, aquele foi um bom dia. Pelo menos, eu sabia que estava vivo. Se eu tivesse visto alguém sem as pernas alguns dias antes do acidente, teria dito: "Prefiro morrer a viver assim". Depois de saber que havia perdido as pernas, percebi que esse era o menor dos meus problemas.", relatou ele a uma entrevista para o jornal inglês "The Guardian" em julho de 2007.

Dois anos depois ele estava de volta ao oval alemão para terminar as 13 voltas que lhe foram negadas naquela tarde de 15 de setembro de 2001. Elas foram completadas e automaticamente foi aplaudido de pé assim que saiu do Reynard. Ele ainda teria uma experiência no BMW da Fórmula-1 e voltaria à competir no WTCC naquela década com boas performances que lhe renderam quatro vitórias.

Mas foi no Handcycle Paralimpico que o seu nome ganhou forma ao vencer as mais laureadas competições como a Maratona de Roma e títulos mundiais no Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada em provas de estrada e contra relógio em 2013 e 2015. 

As Paralimpíadas, especialmente a de Londres 2012, acabou por coroar a carreira que ele escolheu seguir à partir de 2007 quando ganhou duas medalhas de ouro (contrarelógio e estrada) e uma de prata (revezamento), com todas as provas sendo realizadas no circuito de Brands Hatch. Ele repetiria a dose quatro anos depois nas Paralimpíadas do Rio em 2016, conquistando mais dois ouros (contrarelógio e revezamento misto) e uma prata no ciclismo de estrada. 

Zanardi foi um dos muitos pilotos que cruzaram o Atlântico para tentar a sorte na terra das oportunidades naquela segunda parte dos anos 1990. Chegou de forma tímida e ao final do seu ano de estreia, em 1996, já era um dos grandes da categoria. Enquanto que Bryan Herta deve ter tido alguns pesadelos com o Reynard Honda vermelho da Chip Ganassi, os fãs do italiano tinham muito o que comemorar e comentar no dia seguinte na escola ou no serviço, contando e se divertindo com os grandes lances e esperando pela próxima corrida para saber como seria o show da vez.

Alessandro Zanardi cumpriu a sua missão e após quase seis anos do seu último grave acidente, durante uma competição de Handcycle na Toscana em junho de 2020, ele  descansou no 1º de maio, mesmo dia que seu ídolo Ayrton Senna, mês onde repousa outros grandes do motorsport e onde ele estará pela eternidade. 

Bem como cantou o também saudoso David Bowie "Podemos ser heróis apenas por um dia", mas Zanardi é "Herói para todo o sempre".

Obrigado, Zanardi!

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Foto 1046 - O adeus à Adelaide

Damon Hill recebendo a derradeira quadriculada do genial Glen Dix em Adelaide 1995
(Foto: Jean Marc Loubat/ Gamma-Rapho/ Getty Images) 

Se existiu um circuito tão querido na Fórmula-1 em todo período que esteve presente no calendário, este foi o de Adelaide. O circuito semi-citadino (parte dele que compreende as instalações dos boxes e paddock foi construído para se juntar às ruas locais e formar o circuito), recebeu a F-1 entre 1985 e 1995 em exatos dez anos dando à Austrália a oportunidade de encerrar as temporadas e ter um clima festivo que, para aquele que estava a milhões de distância, era bem perceptível. 

As oportunidades dos Aussies presenciarem as decisões de títulos dos mundiais de 1986 e 1994 foram o ponto alto dessa história, mas ao mesmo tempo assistir a provas icônicas como a primeira de 1985, as chuvosas edições de 1989 e 1991; a legendária edição 500 da categoria em 1990; a exibição magistral de Ayrton Senna em sua última vitória na prova de 1993 e a tensão da polêmica decisão de 1994, deu à este circuito um lugar especial na história da categoria. 

A sua sequência de curvas de 90° graus dando entrada à extensas retas Bartels Roads e Brabham Straight fariam sucesso não apenas para quem assistia às corridas, mas também para quem jogava nos videogames. Fazer de pé cravado quase todas as curvas no mágico "Super Mônaco GP II", fazia qualquer um se sentir um top driver. A finalização da volta com o também legendário Glen Dix e sua espetacular quadriculada para encerrar as corridas, nos faziam cair a ficha de imediato de que teríamos de esperar longos 4 meses para podermos assistir a nova temporada. 

Quando a F1 foi ao belíssimo circuito pela última vez em 1995, sabíamos que aquela seria a despedida do querido circuito. Damon Hill, então bi-vice-campeão, esteve tranquilo numa tarde ensolarada - assim como acontecera dez anos antes - e partiu para conquista que pareceu fácil para ele, mas logo atrás dele uma corrida bem divertida se desenrolava: Michael Schumacher, recém coroado bi-campeão do mundo, fazia sua despedida da Benetton e rumava para seu desafio maior que era ajudar a Ferrari a sair da fila, a partir de 1996, mas ele acabaria por abandonar depois de uma colisão com Jean Alesi e adiar em alguns anos a chance de quebrar o recorde de vitórias numa só temporada (ele estava com nove naquele ano, o mesmo número que Nigel Mansell obtivera na campanha de 1992). 

Gerhard Berger, Michael Schumacher e Jean Alesi em Adelaide 1995
(Foto: Motor Sport Magazine)

O elo da F1 dos anos 1980 ainda estava presente naquela edição, com Gerhard Berger e Jean Alesi fazendo suas últimas aparições pela Ferrari - assim como o belíssimo V12 da casa italiana - e a partir de 1996 indo para a Benetton; Martin Brundle, outro decano dos anos 1980 que esteve na edição de 1985 (o outro foi Berger), também fazia sua última corrida pela Ligier e estava de saída para a Jordan em 1996; David Coulthard, a nova esperança britânica, fazia uma prova bem forte e com chances de disputar com seu companheiro de Williams (Damon Hill) a vitória em Adelaide, mas uma vacilada na entrada dos boxes fez com que batesse o seu FW17B no muro - o mesmo aconteceria com Roberto Pupo Moreno da Forti Corse, que também se despedia da categoria; Heinz Harald Frentzen, num dos momentos mais cômicos daquela etapa e da temporada, mandou o dedo do meio para Mark Blundell (Mclaren) por conta de uma fechada do piloto britânico.

As voltas finais deste GP em Adelaide foram dramáticas para Olivier Panis que teve o motor Mugen Honda do seu Ligier JS41 rateando no final. "Eu só conseguia atingir 6.000 rpm e estava de olho na temperatura da água, que não baixava de 106°C, enquanto normalmente não passa de 90°C. Eu poderia ter quebrado, mas tive a sorte de aguentar até o final. Que dia fantástico no final das contas!", relatou o jovem francês que conseguiu o seu segundo pódio na categoria - foi segundo em Hockenheim 1994. Outro que teve uma grande tarde foi Gianni Morbidelli que chegou na terceira posição com seu Footwork Arrows Hart tentando de todas as formas se aproximar do problemático Ligier de Panis, mas ficando feliz pela conquista da sua melhor posição de chegada na categoria. "Jackie me deu a oportunidade de voltar à F1. Agora é a minha vez de retribuir esse presente", relatou Morbidelli que estava no Campeonato Italiano de Superturismo antes de retornar à F1 pelas mãos de Jackie Oliver em 1994.

Este GP da Austrália ainda nos guardou a agonia de mais um grave acidente quando Mika Hakkinen saiu na rápida à direita da Brewery Bend - que antecedia a Brabham Straight - batendo de frente na barreira de pneus. Um estouro do pneu traseiro esquerdo causou a escapada repentina que o fez voar no contato com a zebra e bater violentamente na barreira de pneus. A rápida intervenção da equipe médica foi providencial, já que Hakkinen estava engolindo a língua e a traquestomia foi imediata para que ele voltasse a respirar. Ele foi levado ao Royal Hospital de Adelaide que fica a poucos minutos do circuito, onde foram feitas ressonâncias magnéticas que constataram fratura na base do crânio e danos no ouvido. Apesar dos temores, Hakkinen conseguiu recuperar-se e estava no grid de largada do GP da Austrália... em Melbourne, que substituía Adelaide a partir de 1996 e abria aquela temporada.

Como um roteiro de filme, quis o destino que Adelaide tivesse como vencedor um carro da Williams: foi assim em 1985 quando Keke Rosberg venceu sua última corrida na F1 na primeira visita da categoria à Austrália pilotando um Williams Honda - e curiosamente teve Ligier no pódio com seus dois pilotos: o veterano Jacques Laffite chegando ao seu antepenúltimo pódio e Philippe Streiff conquistando seu único pódio, chegando com a suspensão dianteira esquerda arrebentada após um toque com Laffite.  

A multicolorida e festiva Adelaide não voltaria mais ao calendário da Fórmula. Uma pena...

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

GP dos EUA 2025 - Video

94ª 24 Horas de Le Mans - BMW a mais veloz ao final do TL3

(Foto: BMW Motorsports) Esse terceiro treino livre para a realização da 94ª Edição das 24 Horas de Le Mans só reforçou a impressão de que te...