segunda-feira, 16 de abril de 2018

GP da China: O pulo do Touro

Se pudéssemos classificar a prova da China, seria em três fases:

1a - O domínio amplo da Ferrari com os pneus macios sobre a Mercedes é imenso, a ponto de deixar os prateados totalmente perdidos.
Mesmo com a diferença oscilando entre 2,5 a 3,5 segundos, ficava claro que Vettel podia dar a resposta a hora que quisesse, principalmente por saber que o carro de trás terá problemas para atacar o da frente por conta da turbulência. Aliás, Mercedes sofre com isso há anos, mesmo quando o apoio aerodinâmico não era tão forte (2014-2016). Esta primeira parte do GP chinês foi bem morno, tendo apenas duelos intensos nas posições intermediárias (a zona da briga de foice), onde Alonso andou desafiando os carros da Haas. Na dianteira viu-se uma procissão, sem que ninguém atacasse ninguém.

2a - Após a únicas paradas de box dos dianteiros, a perca da liderança de Vettel para Bottas nos mostrou um cenário bem interessante, com o finlandês conseguindo andar no mesmo ritmo de Sebastian, mas agora ambos usando o mesmo composto (médio), e dando a Mercedes uma chance de vencer. Mesmo com a Ferrari deixando Raikkonen mais tempo na pista e ele dando uma pequena ajuda para que Vettel chegasse em Bottas, antes que fosse para os Boxes, as coisas não pareciam tão fáceis e o alemão precisaria de ir para a batalha na pista para retomar a dianteira. Lewis, também calçado com os médios, começava achar uma melhor performance. Neste momento a prova ganhava uma nova situação, onde as voltas finais poderiam reservar bons duelos.

3a - Essa parte foi a virada: o enrosco das duas Toro Rosso - com Gasly tocando em Hartley, fazendo-a rodar - forçou a entrada do Safety Car para que o gancho pós reta oposta fosse limpo. Neste momento os dois Red Bull foram ao box para se livrarem dos médios e calçar os macios, o que dava a eles a chance de atacar as Ferrari e Mercedes.
Foi o momento que apareceu a genialidade de Ricciardo, ao escalar o pelotão com agressividade e ultrapassagens bem calculadas. Max também trilhava um caminho bem interessante e que poderia ter lhe rendido uma vitória, caso não batesse em Vettel no hairpin. A mudança de rumos definiram um desfecho que era bem pouco provável até minutos antes do incidente dos dois Toro Rosso.

Este GP chinês deu mais uma prova do que é feito Daniel Ricciardo. Das suas seis vitórias na categoria, ao menos quatro delas foram em situações onde a corrida parecia resolvida e onde entra num momento de "acomodamento" dos demais. Ele sabe explorar bem este momento, atacando de forma impiedosa os adversários ao extrair o máximo de seu equipamento. E olha que passou perto de quase largar do fundo do grid após a sua quebra de motor no terceiro treino livre. O trabalho hercúleo dos mecânicos em reaver o motor e entregar o australiano para o classificatório, foi recompensado com a vitória dele.
E sem dúvida, a sua ultrapassagem sobre Bottas já é um dos grandes momentos do ano.


domingo, 15 de abril de 2018

O que esperar - GP da China

Visto a ótima forma dos Ferraris em Xangai, fica difícil não apontá-los para uma vitória acompanhada de dobradinha, sempre com Vettel na frente de Raikkonen. Neste momento, é o melhor conjunto deste início de campeonato sobrepondo os seus rivais e até então dominantes Mercedes, que não se encontraram com os pneus ultramacios. Aliás, fica, ao menos para este escriba aqui, a impressão de que a Mercedes está segurando as rédeas após os problemas de motor e câmbio que o Hamilton teve nas duas primeiras etapas, e isso acaba capando - e muito - a sua performance. A política de três motores nesta temporada já incomoda a Mercedes neste início. A Rede Bull aparece bem e é deles que esperamos um salto melhor neste início de GP chinês, onde podem muito bem bagunçar - no bom sentido - a ordem das forças para esta corrida.
Para os demais, a batalha será bem interessante no pelotão intermediário, uma vez que do sétimo - Nico Hulkenberg - até o 14o - Stoffel Vandoorne - a diferença está no mesmo segundo. Um pelotão bem equilibrado e que pode ter ainda a visita de uma Toro Rosso, que foi muito bem com Pierre Gasly em Sakhir, mas em Xangai, até agora, não foi nem sombra.
Para que tenhamos uma análise mais precisa, é importante que nem chuva, quebras ou Safety Car, interfiram no andamento desta prova. Será importante para vermos algumas ações na dianteira da prova, coisa que não podemos ver na Austrália e no Bahrein, onde as variáveis - quebras, punições e SC - interferiram um pouco nos resultados.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Foto 689: Fazendo história


A história do 919 Hybrid não acabou após a bandeirada na derradeira etapa do WEC de 2017. As suas marcas ainda poderão ser vistas no decorrer deste 2018, como já era de se esperar após os boatos de um possível World Tour com o 919 Hybrid em alguns locais, com o simples intuito de quebrar algumas marcas. A princípio, pistas como a do velho Nurburgring e a subida de Pikes Peaks estavam em voga, mas fotos vindas do circuito de Spa-Francorchamps já a alguns dias indicava que algo de interessante poderia vir. A enorme asa traseira, acompanhada por uma barbatana igualmente grande e mais uma  pequena modificação na seção dianteira, fizeram os mais ávidos fãs deduzirem uma possível tentativa quebra de recorde.
Na manhã deste 9 de abril em Spa, Neel Jani ganhou a mistica pista belga com o 919 Hybrid EVO para fazer história: a sua volta foi cravada em 1'41"770 (apesar que na placa comemorativa aparecer o tempo de 1'41"8), sendo oito décimos mais veloz que a marca alcançada por Lewis Hamilton para fazer a pole para o GP da Bélgica de 2017. Na ocasião o inglês, em posse do Mercedes W07, fez o tempo de 1'42"553. Uma marca para lá de respeitável deste carro que já é uma das grandes obras da engenharia mecânica contemporânea - e da história, claro.
Independente que tenha sido feitas modificações que deixou o 919 livre de todas as amarras do regulamento técnico do WEC, marca alcançada hoje tem que ser comemorada e cantada em verso e prosa. O que foi feito na pista belga só nos deixa ainda mais convictos que, caso não fosse o tamanho cuidado com os regulamentos para que os carros não sejam tão velozes, a ponto de por em risco a vida de pilotos e de outras pessoas envolvidas no esporte, a briga "armamentista" entre as fábricas  elevaria a disputa a níveis estratosféricos. E isso só nos faz imaginar o quanto que isso seria bestial, não apenas no WEC como na Formula-1, WRC... E por aí vai.
Para os lados da Porsche, este 919 Tribute serve para ainda mais transformar a sua jóia numa verdadeira lenda das pistas. As vitórias e títulos e mais as conquistas na prova principal do Endurance, as 24 Horas de Le Mans, já lhe renderam um lugar no Olimpo das Porsches mais icônicas, mas, no entanto, ainda não tinha conquistado totalmente a simpatia do público. Ainda tem a chance de quebrar o lendário recorde de Stefan Bellof no Nordschleif, estabelecido em 1983 com o Porsche 956.
O caminho para a história já está sendo trilhado.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Foto 688: Interlagos, quinze anos atrás

Ter trabalhado naquele GP do Brasil de 2003 foi das melhores experiencias da minha vida. Difícil imaginar naquela altura que todos os acontecimentos daquele GP seriam lembrados até os dias de hoje. Dormir na rua; a chuva torrencial; o rio na curva do sol; o alagamento dentro do Posto 4; o estacionamento que virou aquela curva, com todos que aquaplanaram e bateram na barreira de pneus; a torcida vibrando pelo abandono de Schumacher - que foi um dos que bateram ali na curva do Sol - e voltas depois calando-se após mais um azar de Barrichello que ficou sem combustível quando era líder; um Juan Pablo Montoya pilotando feito um doido na chuva - até bater; as fabulosas pancas de Webber e Alonso na curva do café; a vitória-não-vitória de Fisichella com a Jordan - que só viria a ser confirmada semanas depois em Ímola, com o italiano recebendo o troféu das mãos do "então vencedor' Kimi Raikkonen; a ameaça de cancelarem o GP no sábado por causa das propagandas de cigarro... Ufa! Muito coisa aconteceram naqueles dias. Mas a verdade mesmo é que saí de lá extremamente realizado.
Nunca havia visto um Fórmula-1 de perto e muito menos um GP. A chuva de domingo, o famoso aguaceiro, só veio para abrilhantar ainda mais aquele GP 700 da categoria. Foi um momento mágico, onde um rapaz de 20 anos pôde realizar seu sonho de infância e se divertir ao máximo, como se não tivesse amanhã. Aliás, fiz isso nas outras edições do GP, até 2008 onde foi a última vez que trabalhei e que fará 10 anos neste 2018.
Como sempre disse: tratei de aproveitar todas as edições em que trabalhei. Não sabia se estaria presente no ano seguinte para poder desfrutar daquele ambiente chato e grã-fino. Porém, quando os carros entravam na pista, toda aquela fleuma se dissipava e as máquinas voltavam para o seu lado mais primitivo. Por este ambiente na pista é que valia a pena estar todo ano no GP do Brasil. Era indiscritivel para mim e é assim até hoje. E aquele GP de 2003 tem um lugar guardado na memória como um dos meus grandes momentos.
Fotos? Infelizmente elas não existem... A pobre câmera acabou abrindo a tampa e velando todo filme. Restou apenas as lembranças daqueles dias de abril. E que dias! Onde pude voltar a ser o mesmo garoto que pulava cedo da cama para assistir as corridas. E todos os passos ainda estão intactos na memória.
Quando acabou a corrida, peguei as minhas coisas e fui embora, mas não sem antes olhar para o autódromo e pensar "o quanto que foi bom todos aqueles dias e agradecer a Deus por aquele momento mágico".
E até hoje sonho com aquele GP e com os outros em que trabalhei. E realizei meu sonho por seis vezes.
Saudades daqueles dias...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Foto 687: Pedro Rodriguez, Paul Ricard 1971

Pedro Rodriguez com a sua BRM no final de semana do GP da França de 1971, prova que marcou a estréia do circuito de Paul Ricard no calendário.
O piloto mexicano até vinha bem na prova ao abandoná-la na volta 27 por problemas de ingnição, quando era segundo. A prova foi vencida por Jackie Stewart, seguindo por François Cevert e Emerson Fittipaldi.
Para Rodriguez esta foi a sua última aparição na Fórmula-1: o piloto mexicano acabou por morrer semanas depois na etapa de Norisring válida pela Interserie, ao volante de uma Ferrari 512.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Foto 686: John Surtees, Oulton Park 1970

O terceiro elemento...
John Surtees e o seu Surtees TS7 Cosworth durante a Gold Cup de 1970, em Oulton Park. O piloto inglês marcou a pole e venceu a primeira bateria, seguido por Jackie Oliver (BRM) e Jochen Rindt (Lotus). A segunda bateria foi vencida pelo austríaco da Lotus, seguido por Surtees e Oliver. Na soma das duas baterias, Surtees saiu como vencedor, com Rindt em segundo e Oliver em terceiro. A Gold Cup contava também com a presença dos carros da F5000 e nesta quem levou a melhor foi Howden Ganley, com um McLaren M10B Chevrolet.
Apesar de ser um evento extra-oficial, podemos considerar Surtees como o terceiro piloto a vencer na Fórmula-1 com um carro que levava seu nome, fazendo o trio com Bruce McLaren e Jack Brabham.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Foto 685: Moreno, 59

Não podia deixar passar o aniversário de um dos grandes desenvolvedores de carros do motorsport no mundo: Roberto Pupo Moreno chega aos 59 anos e a foto da postagem é de um dos seus milagres na Fórmula-1, quando levou a AGS aos pontos no GP da Austrália de 1987 com o sexto lugar conquistado.
A desclassificação de Ayrton Senna, que terminou em segundo e teve a sua exclusão pós prova por irregularidades nos freios da Lotus, deu a Moreno e a pequena AGS um grande momento de alegria numa época onde equipes pequenas conseguissem chegar aos pontos, era uma grande vitória.

Foto 684: Há 45 anos

Muito sol e água. Após um ano da prova extra-oficial que apresentou a Fórmula-1 ao público brasileiro, a categoria retornava a Interlagos para o seu primeiro GP oficial. E naquele sol escaldante do já distante 11 de fevereiro de 1973, o jeito foi refrescar a galera com banho de mangueira.
O "sofrimento" naquele calor valeria - e muito - a pena ao final daquele domingo: Emerson Fittipaldi arrebatou a vitória na sua casa, abrindo a sequência de três vitórias brasileiras no GP do Brasil. Acompanharam o brasileiro no pódio, Jackie Stewart e Denny Hulme.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Foto 683: 11 milésimos

Umas das tentativas de Ronnie Peterson em defender a sua liderança no ultra disputado GP da Itália de 1971. Logo em seguida Peter Gethin, preparando o bote para fisgar a primeira colocação e vencer aquela que seria a sua primeira e única conquista na Fórmula-1.
Os 11 milésimos mais famosos da categoria, naquela que foi a chegada mais apertada da história da Fórmula 1.
Infelizmente foi a última vez que a pista de Monza foi usada no seu formato original - sem contar as bancadas altas. Em 1972 a pista já estava recortada pelas chicanes e a variante Ascari.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Foto 682: Phill Hill, Long Beach 1976

Antes que os carros da Fórmula-1 tomassem as ruas de Long Beach, na primeira aparição da categoria nas ruas da Califórnia, Phill Hill, então campeão do mundo de 1961 pela equipe italiana, tirou uma casquinha do Ferrari 312T reserva.
A prova foi dominada amplamente pela Ferrari, com direito a hat-trick de Clay Regazzoni e segunda colocação de Niki Lauda.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Foto 681: Alfa Romeo

O retorno...
O incidente entre Bruno Giacomelli (Alfa Romeo) e Elio De Angelis (Shadow), durante o GP da Bélgica de 1979, em Zolder. Ambos abandonaram na volta 21. A prova foi vencida por Jody Scheckter, seguido por Jacque Laffite e Didier Pironi.
A prova marcou o retorno da tradicional fábrica italiana à Fórmula-1, após 28 anos.
A Alfa Romeo retornará ao grid da categoria - pela terceira vez - a partir do GP da Austrália, após um hiato de 33 anos.