segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Le génie Nelson Piquet - Parte 2



Prost e Arnoux se revezam e Piquet cai na tabela

O GP do Canadá não apenas marcou o fim da aventura da F1 pela América naquela temporada, como também encerrou a primeira parte do campeonato. Duas novidades para a pista canadiana: além de ter mudado o nome do circuito para Gilles Villeneuve, Jacques Villeneuve, irmão de Gilles, tentaria se classificar para aquela corrida a bordo do March da equipe RAM. Infelizmente o irmão de Gilles não conseguira a classificação, repetindo o feito de 1982...
René Arnoux mais uma vez pôs a Ferrari na ponta do grid, mostrando o quanto que o carro italiano estava forte naquela ocasião. Prost saiu em segundo com Piquet, Tambay, Patrese e Cheever fechando os seis primeiros. A corrida foi de domínio amplo de René Arnoux que só perdeu a liderança do GP durante a parada de box. Nelson Piquet estava numa boa terceira colocação – estava logo a frente de Prost – e poderia pensar num pódio naquela corrida se não fosse o cabo do acelerador quebrado, forçando o seu abandono na volta 16. Patrese era outro que estava formidável na corrida: uma vez pulando de sexto para segundo na largada, o italiano ensaiou uma reação contra a liderança de Arnoux até que o câmbio do Brabham passou a ter problemas, forçando assim o seu abandono na volta 57. Alain Prost fez uma prova discreta, apesar de ter ficado na casa dos pontos por toda a corrida até que Keke Rosberg – em mais uma bela corrida – o passou na disputa pelo quarto lugar. René Arnoux acabou por vencer a prova, seguido por Cheever – que chegou 42 segundos depois – Tambay, Rosberg, Prost e Watson. Alain Prost aumentou em mais dois pontos a sua vantagem para Piquet (30x27) e o piloto brasileiro tinha naquele momento a compania de Tambay, que também somava 27 pontos; Keke Rosberg era p quarto com 25; René Arnoux subira para quinto com 17 pontos e Watson o sexto, com 16.

Silverstone recebeu a F1 após um mês de recesso da categoria, e algumas equipes levaram evoluções de seus modelos para a disputa do GP da Grã Bretanha: A Brabham – rebatizando o BT52 como versão B - apresentou melhorias na aerodinâmica, suspensão, um novo bocal para o reabastecimento e de “bônus” a BMW conseguiu mais alguns cavalos para o seu excepcional motor Turbo de 4 cilindros. Indo na mesma toada que a rival, a Ferrari também lançou a evolução do 126C2 que agora seria conhecido como 126C3, com uma aerodinâmica e suspensão mais aperfeiçoada e também a distribuição de peso que ficou mais uniforme. A Lotus contratou Gérard Ducarouge – que estava na Alfa Romeo – e este conseguiu construir um carro em tempo recorde para substituir o problemático 93T: o 94T, agora com motor Renault Turbo
A volta da Honda, com a equipe Spirit e Johansson ao volante
também para Nigel Mansell, passou a render bons frutos para De Angelis e Mansell. A Honda acabou por ser a grande novidade da corrida – e do ano: voltando após 15 anos de ausência, a fábrica do senhor Soichiro Honda colocava uma unidade V6 Turbo para empurrar o chassi 201 da Spirit, equipe oriunda da Fórmula 2. Stefan Johansson, assim como na estréia extra-oficial da equipe na Corrida dos Campeões, foi o piloto escolhido para conduzir o bólido.
A Ferrari continuou a dar as cartas nas classificações e René Arnoux fez a sua terceira pole consecutiva, agora tendo Tambay ao seu lado na primeira fila. Prost ficou em terceiro e De Angelis, mostrando a ótima evolução do novo Lotus 94T, fechou em quarto com Patrese e Piquet completando os seis primeiros. A corrida foi uma luta intensa pela liderança, em especial entre Prost, Tambay e Arnoux, mas Piquet conseguiu
quebrar essa trinca francesa após a sua parada de box na volta 42 quando conseguiu voltar a frente de Patrick. Arnoux sofreu com o desgaste dos pneus e um possível pódio acabou virando um quinto lugar. De se destacar a grande prova de Nigel Mansell que enfim tinha em mãos um bom carro. Saindo de 18º, subiu o pelotão aos poucos até conseguir um excelente quarto lugar. Niki Lauda também fez ótima corrida e voltou a pontuar com o sexto lugar, fato que não acontecia desde o GP de Long Beach quando terminou em segundo. Com mais uma vitória de Prost, o piloto francês chegou aos 39 pontos, seis a mais que Piquet e oito que Tambay; em quarto se manteve Rosberg com 25; Arnoux subiu para 19 na quinta posição e Watson continuou com os seus 16 pontos na sexta posição.
(Foto: Sutton-Images)
O GP da Alemanha, disputado no veloz Hockenheim, comprovou mais uma vez a ótima fase que a Ferrari passava naquele estágio da temporada: Patrick deu a quarta pole-position consecutiva para a “Rossa” e Arnoux fechou a dobradinha com a segunda posição. De Cesaris, apresentando uma boa pilotagem, repetiu a terceira posição conseguida em Spa e teve ao seu lado Nelson Piquet. Prost e Cheever fecharam a terceira fila para a Renault. Apesar de uma boa largada, a liderança de Tambay não passou da segunda volta quando este foi superado por René. Mas a corrida terminaria cedo para Patrick, já que o motor do seu Ferrari estourou na 9ª volta. Desse modo Piquet assumia a segunda colocação e mais tarde subiria para a ponta da corrida após a entrada de Arnoux para o seu pit-stop. Nelson liderou até a 31ª volta, quando também fez a sua parada voltando em segundo. A segunda posição parecia garantida quando o motor BMW estourou – com incêndio logo em seguida – forçando o seu abandono. Este resultado, caso acontecesse, deixaria o piloto brasileiro há um ponto de atraso para Prost que conseguia apenas o sexto lugar após enfrentar uma queda de rendimento do seu Renault. A sorte sorriu ao francês narigudo, porque além da quebra de Piquet, Cheever também enfrentou problemas vindo a abandonar e sendo assim ele subiu para quarto. Arnoux confirmou a vitória seguido por De Cesaris, Patrese – que conseguia, enfim, os seus primeiros pontos naquele ano – Prost, Watson e Laffite. Lauda seria o quinto, mas devido uma ajuda externa após uma rodada, o piloto austríaco foi desclassificado. Prost aumentou a vantagem para Piquet em nove pontos (42x33); Tambay seguiu em terceiro com 31; Arnoux passou Rosberg na pontuação somando três pontos mais que o atual campeão mundial (28x25) e Watson chegara aos 18 na sexta posição.
Dando sequência as pistas de alta velocidade a F1 se deslocou para o majestoso Zeltweg para a realização do GP da Áustria, 11ª etapa. Já estava ficando fácil saber que a pole ficaria com a Ferrari devido a sua ótima velocidade neste treino oficial e coube à Tambay a honra de dar à equipe de Enzo Ferrari a marca histórica de 100 pole-positions e para a festa ficar completa, Arnoux se colocou em segundo. Nigel Mansell conseguiu uma bela terceira posição e teve ao seu lado na segunda fila, Nelson Piquet. Prost e Patrese fecharam a terceira fila. Tambay conseguiu se manter na frente de Arnoux e ao contrário do que acontecera na Alemanha, Patrick soube segurar o ímpeto do seu companheiro. Mansell despencou para quinto e ainda perderia a posição para Patrese. Piquet e Prost apareciam em 3º e 4º respectivamente. Tambay, que já havia feito a sua parada de box na 22ª volta, acabou por abandonar na volta 30 quando a pressão do óleo caiu. Nelson Piquet é quem aparecia com grande chance de vitória, afinal ele havia herdado a liderança na 28ª volta e quando fez a sua parada, ele conseguira voltar ainda frente de Arnoux. Um belo trabalho de Piquet e Brabham que teria dado resultado caso o motor BMW não apresentasse mais uma vez problemas, o que fez o rendimento cair drasticamente e dessa forma ele virou presa fácil para Arnoux e pouco depois para Prost. A luta ficou restrita ao dois franceses e quem levou a melhor foi Prost, que conseguiu a ultrapassagem a 48ª volta e garantiu a sua quarta vitória no mundial. Arnoux, Piquet, Cheever, Mansell – que ainda salvou dois pontos após sofrer com o baixo rendimento dos pneus Pirelli – e Lauda fecharam os seis primeiros. Prost ampliava naquele momento a diferença para Nelson em 14 pontos (51x37); Arnoux continuava a sua escalada na tabela de pontos e agora era terceiro, com 34 pontos; Tambay o quarto com 31; Rosberg o quinto com 25 e Watson em sexto com 18.
(Foto: Sutton-Images)
A Brabham, visando reverter o jogo contra o domínio de Renault e Ferrari naquele campeonato, levou para a Holanda melhorias que foram logo percebidas na classificação quando Piquet quebrou a sequência de cinco poles consecutivas da Ferrari. Mesmo na pole, o brasileiro ainda teve Tambay na primeira fila; Elio De Angelis marcou o terceiro tempo com Prost em quarto, Mansell em quinto – mostrando a crescente melhora da Lotus – e Patrese em sexto. Arnoux, que vinha sendo um dos mais velozes nas classificações, aparecia somente em décimo. A largada perfeita de Piquet lhe deu a chance de continuar na ponta após a Tarzan, ao contrário de Tambay que fez uma péssima largada e virou a primeira curva em 21º... um início desastroso para a Ferrari. Talvez o único consolo para o time italiano foi a largada de Arnoux que proporcionou a ele a chance de subir para sétimo. Prost ainda teve um trabalho com Cheever, que largara bem pulando de oitavo para segundo, mas que foi resolvido logo na segunda passagem.
O duelo entre Piquet e Prost, que mais parecia uma caça do gato ao rato, era o ponto alto da corrida, mas tinha outros dois atrativos naquele GP holandês que interessavam a todos também: as duas Ferraris vinham em franca recuperação, com René alcançando o terceiro posto e Tambay o oitavo lugar, mais uma vez mostrando o quanto que aquele 126C3 era bom. Os dois ponteiros ainda não haviam parado para os seus respectivos pit-stops, mas isso acabou nem acontecendo: Prost, na ânsia de tentar assumir a ponta, acabou arriscando uma ultrapassagem quando viu uma fresta se abrir quando Piquet começa a contornar a Tarzan. O problema é que Alain deixou para frear muito dentro da curva e as rodas bloquearam, fazendo com que o seu Renault deslizasse e acertasse o Brabham de Piquet que foi de encontro à barreira de pneus. Fim de prova para Nelson e Prost continuou, para abandonar depois de algumas voltas. René Arnoux ganhou a liderança de presente, que ele acabou conservando até o final. Tambay conquistou um brilhante segundo lugar após a sua desastrosa largada; Watson foi terceiro com a McLaren Cosworth, já que a equipe estreara naquele GP o TAG Porsche Turbo que foi utilizado apenas por Lauda que abandonou por causa da quebra deste. Derek Warwick foi o outro nome da prova, levando a Toleman a ganhar os primeiros pontos na temporada - e dele também – ao ficar em quarto; Mauro Baldi e Michele Alboreto fecharam o pódio. Alain Prost manteve a liderança com os seus 51 pontos, mas agora tinha René Arnoux em segundo com 43, Tambay alcançou Piquet e empatou com ele em 37 pontos; e Rosberg via agora a sua quinta posição ser ameaçada por Watson, que chegara aos 22 pontos contra 25 do finlandês.
Estas cinco corridas de domínio amplo de Prost e Arnoux, onde eles se revezaram nas vitórias, acabou por ser infrutífero para Piquet. Neste período Prost conquistou 23 pontos; Arnoux foi quem mais conseguiu pontos ao ganhar 35 e Tambay, que mesmo não ganhando nenhuma corrida, conseguiu somar 14 pontos. Piquet teve uma maré de azares que o fez conquistar apenas 10 pontos. Para os franceses, era só uma questão de tempo para festejar a primeira conquista de um piloto do seu país na F1, mas as três últimas corridas reservavam algo a mais para aquela reta final de campeonato.

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