segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Sebastião, O Venerável

 



Despedidas nunca são legais. A carga emocional em qualquer que seja a situação, sempre deixa as pessoas mais vulneráveis, ainda mais quando se tem um trabalho a ser feito. Mas estes super-esportitas tem um poder de concentração absurdo e acabam entregando o melhor quando vão para o "campo de batalha". Sebastian Vettel, ontem, por exemplo, foi um desses casos.

Desde o anúncio de sua aposentadoria das pistas em julho deste ano, imaginávamos que cada corrida seria uma despedida. Falando particularmente de Interlagos, sua passagem foi marcante: desde antes das atividades, foi um dos pilotos mais procurados. Fotos, vídeos, conversas com os fãs, conselhos... Seb recebeu um grande carinho de seus adoráveis fãs que o apoiam desde a sua primeira corrida na categoria e que se apaixonaram de vez quando ele conquistou a memorável vitória em Monza 2008. E toda essa veneração foi ampliada no desfile dos pilotos, com ele fazendo questão de ficar mais para o fim do pelotão saudando todos que gritavam seu nome. Um ato de reconhecimento e respeito de ambos os lados.

Sebastian Vettel passou a fazer parte da vida da maioria e quando olharem para o grid de largada do GP do Bahrein de 2023, a saudade baterá forte como se ele fosse alguém da família que resolveu ir embora e que vai aparecer uma vez e outra para um olá em algum GP da próxima temporada, para matar as saudades de uma casa que o acolheu desde 2007 e onde foi rei por 4 vezes.

Falando especificamente de sua brilhante carreira, o cartão de visitas em Monza 2008 é um dos grandes momentos da história moderna da Fórmula-1 onde ele soube domar um carro de meio de grid frente ao poder de fogo de uma Mclaren e Ferrari justamente dentro de um dos templos do automobilismo mundial. Se ele e a Toro Rosso se apresentaram ao mesmo tempo ao mundo dos vencedores, alguns meses depois ele levaria o restante do conglomerado da Red Bull ao topo dos vencedores em poucos meses e a partir dali, construir um período de glórias. Seja a fórceps (2010 e 2012), seja aniquilando os rivais sem piedade (2011 e 2013), Vettel cravou seu nome com propriedades. Foi uma era dourada.

A pena que fica nisso tudo foi a sua passagem pela Ferrari, um lugar que ele almejava há muito tempo que era fonte de sonhos pela mágica passagem de seu ídolo Michael Schumacher. A desorganização da equipe italiana o privou de conquistar, ao menos, um título das duas possibilidades que ele teve.

Seus dois últimos anos na Aston Martin, indo para lá ajudar na construção de equipe que retornava à categoria após 60 anos, poderia ser um indicativo de ressurgimento, principalmente por conta de sua boas atuações e dois belíssimos pódios conquistados em Baku e Hungaroring em 2021. Porém, uma temporada de altos e baixos em uma equipe que pareceu totalmente perdida neste 2022, foi a gota d'água para que Vettel repensasse tudo e decidisse sair para cuidar de sua vida fora das pistas.

Vettel também passou a olhar mais para fora da categoria, alertando para os problemas externos que todos tem sentido na pele, seja pelas condições da natureza/ climática, pelos direitos humanos... Vettel, ao lado de Lewis Hamilton, tem formado nos últimos anos um duo dinâmico que abraçou as causas sociais, aproveitando-se de sua imagem perante um público que os acompanham desde sempre e também junto daqueles que têm chegado para acompanhar a categoria nos últimos anos, para deixar as mensagens e alertas para que façamos a nossa parte e ajudemos a transformar um mundo mais amigável e sociável.

Agora Sebastian Vettel sairá para cuidar de sua família e guiar sua prole para um mundo melhor, ensinando-os os melhores valores. O seu vídeo de despedida no Instagram é um resumo de tudo que sempre vimos sobre ele e, com certeza, sua voz e atitudes estarão ecoando mundo afora.

Nos resta apenas agradecer por todos estes anos por aqui e desejar-lhe o melhor sempre.

Até mais, Sebastião!

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