domingo, 1 de novembro de 2026

Foto 1051 - Bravo, Antonelli!

(Foto: ESPN)

Por um longo período, sempre falei que o automobilismo italiano havia "gastado" toda sua reserva de grandes pilotos durante as décadas de 1920 e 1930 e que as conquistas de Giuseppe Farina e Alberto Ascari, ainda na juventude da Fórmula 1, era apenas um resquício de uma grande fase de um dos pilares históricos do automobilismo. 

A última vez que os italianos tiveram um piloto da casa na briga pelo título mundial, remonta ao distante ano de 1985 quando Michelle Alboreto sucumbiu junto da Ferrari na batalha contra Alain Prost que, assim, como o italiano, também buscava seu primeiro título. Após o naufrago de Alboreto e Ferrari, os italianos se contentariam - e muito bem - com as sequências de conquistas de Michael Schumacher com a Ferrari nos anos 2000. Mas isso não fecharia essa lacuna de um país que teve grandes nomes no passado: Tazio Nuvolari, Antonio e Alberto Ascari, Felice Nazzaro, Achille Varzi, Giuseppe Farina e tantos outros, ajudaram a elevar o nome do automobilismo italiano ao topo, mas infelizmente o cenário havia mudado quando o novo Campeonato de Pilotos surgiu. 

Passado tanto tempo, ainda era possível aparecer um piloto italiano para mudar esse cenário? Se pegarmos a Alemanha, é provável que alguém se agarrasse nessa esperança. O automobilismo alemão precisou esperar por 44 anos para que visse um piloto local ganhar o mundial de Fórmula-1. Assim como a Itália, a Alemanha foi uma importante potência no automobilismo europeu nos anos 1930 com nomes do calibre de Rudolf Caracciola. Bernd Rosemeyer, Hermann Lang, Rudolf Hasse, Manfred Von Brauschitsch, mas quando a Fórmula-1 apareceu no cenário alguns pilotos haviam morrido - como é o caso de Rosemeyer - e outros o peso da idade - e a ausência da Mercedes e Auto Union - não davam à eles a oportunidade de competir contra os italianos e ingleses. A Auto Union, que mais tarde tornaria-se a Audi, voltaria muitos anos depois especialmente nos rallies e a Mercedes voltara pelas corridas de Sportscar e chegaria à F1 de forma imponente levando os campeonatos de pilotos de 1954 e 55 com Juan Manuel Fangio no comando. Piloto alemão com alguma chance, apenas com Wolfgang Von Trips em 1961, mas este acabou morrendo num acidente logo no início do GP da Itália daquele ano. Ainda que tivessem uma expectativa ao redor de Stefan Bellof - que também morreu em Spa durante uma etapa do World Sportscar Championship em 1985 - acabou sendo Michael Schumacher quem rendeu de verdade. 

A esperança italiana de chegar ao topo do campeonato mundial de pilotos teve em Kimi Antonelli essa renovação. Não é fácil tomar partido de uma carreira à partir de uma equipe que vem dominando a categoria ao lado da Red Bull desde 2010, mesmo que ainda esteja debaixo do guarda chuva da Mercedes e Toto Wolf desde os 12 anos. A sua temporada de 2025 foi um verdadeiro aprendizado, onde precisou lidar com os altos e baixos que uma carreira de novato proporciona e claro, lidar com as criticas que vinham forte a cada erro. Ao final daquele mundial, Kimi chegou aos 150 pontos fechando em sétimo. 

Com um ano de experiência e entrando num regulamento novo, as chances de subir mais na Fórmula-1 é sempre existente. Mas dessa vez, as coisas foram bem diferentes: ainda que George Russell tenha iniciado o campeonato deste ano muito bem com a vitória em Melbourne, Antonelli estava à postos para, a partir da China, iniciar um sequência positiva face a queda de performance de Russell e construir a partir dali uma boa gordura no campeonato que foi sendo muito bem administrada com uma pilotagem
segura. A sua corrida nesta tarde no Hermanos Rodriguez foi o retrato de seu campeonato: quieto e atacando quando preciso. Ele precisava apenas de uma nona colocação para chegar ao seu título, mas passou a prova toda comboiando os três primeiros (Leclerc, Max e Hamilton) para depois, quando a corrida foi retomada após a bandeira vermelha, ele se aproveitou dos problemas de Charles Leclerc para assumir o terceiro lugar e ir ao pódio junto dos dois maiores campeões da atualidade. Numa das cenas mais legais dessa temporada, foi erguido por Max e Lewis no pódio para que o público que lotou a parte do estádio saudasse o novo campeão mundial.

Foi uma tarde especial para Kimi Antonelli, que pôde comemorar com a sua familia e com certeza inspirar uma nova geração que está chegando ao automobilismo, seja para competir, seja para apenas assistir a história sendo feita. 

E hoje tiveram uma amostra disso.

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