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| (Foto: Lucas Lacaz Ruiz/ Folha Press) |
É bem provável que a primeira vez que eu ouvi algo sobre o Claudio Carsughi tenha sido no inicio dos anos 1990. O meu saudoso pai ligava no antigo Jornal de Esportes, programa esportivo da Jovem Pan AM 620, que passava do meio dia até as 13:30. Além do tradicional noticiário do futebol, também havia os de Fórmula-1 que era falado ora pelo Reali Júnior, Nilson César, Flávio Gomes e ao final sempre tinha aquele arremate clássico de Claudio Carsughi com seus comentários pontuais.
O rádio sempre fez parte da minha vida, especialmente o AM - costumo dizer que fui um adolescente diferente dos demais: enquanto que os outros ouviam os últimos lançamentos das músicas na FM, eu ficava de ouvido atento na AM, acompanhando os noticiários de tudo que fosse abordado. A partir de 1994, especialmente após a morte de Ayrton Senna, a minha relação com o automobilismo se estreitou de forma ainda mais forte do que antes e a Rádio Jovem Pan passou a ser a minha rádio de cabeceira, me acompanhando noite e dia sem parar.
Dessa forma, ficava mais fácil acompanhar os comentários do Carsughi na programação esportiva da antiga Rádio Pan-Americana da qual ele ingressara em 1957 e viria a se tornar uma das principais vozes daquele local, ainda que tenha sido de forma não linear já que ele saíra e voltara para lá em algumas oportunidades. Mesmo que eu não comprasse as revistas, mas tivera contato com elas posteriormente, seus textos na Quatro Rodas foram lidos com muita atenção por este que vos escreve.
Neste período todo, acompanhei boa parte da carreira do Mestre na Jovem Pan. Foram 21 anos acompanhando de forma religiosa todo seu trabalho ali, absorvendo o máximo de um aprendizado que talvez pagasse caríssimo em alguma faculdade. A fala suave e ao mesmo tempo marcante, prendia a nossa atenção e fazia com que o ouvinte aprendesse muito sobre o mundo dos carros e automobilismo de forma simples. Não posso mentir que ele, junto de Reginaldo Leme e Francisco Santos, foram pilares importantes para que escrevesse algumas linhas sobre o motorsport, seja nos meus cadernos ali nos anos 1990, seja aqui no Volta Rápida ou em outros locais onde pude rabiscar um pouco da história desse esporte e também opinar sobre.
Com o passar dos anos, fui deixando de lado a escrita e cuidando de outra paixão que é a fotografia. Curiosamente, isso acabou me levando de encontro a família do Mestre ao conhecer a sua neta Gabriela e a sua mãe Claudia durante as 6 Horas de São Paulo de 2024. Nessas gratas coincidências da vida, pude colaborar naquela edição e na de 2025 com fotos para as matérias que foram assinadas pela Gabriela no Portal Carsughi. Não tive a oportunidade de conhecer o Mestre pessoalmente, mas aqui fica um enorme orgulho de ter colaborado brevemente para o site de um dos grandes ícones da nossa crônica esportiva. Como a vida ainda nos reserva grandes surpresas, pude empunhar o microfone da Jovem Pan durante a transmissão das 24 Horas de Le Mans deste ano na parte da madrugada junto dos meus amigos Matheus Furlan e Rodrigo Carelli, realizando um dos sonhos que foi ter ido à rádio e que tentei na metade dos anos 2000 onde, certamente, teria conhecido o Mestre e outros grandes nomes.
A Gabriela e sua mãe Claudia, familiares e amigos que conviveram com ele, minhas condolências. E hoje me despeço dessa legenda escrevendo um simples texto, mas carregado de ótimas lembranças e emocionado. Por outro lado, feliz que tenha me inspirado tanto a escrever - e falar - sobre o nosso esporte a motor que tanto amamos.
Ao nosso Grande Mestre, todo carinho e respeito sempre.












