sábado, 5 de setembro de 2009

Grandes atuações: Tazio Nuvolari, Nurburgring 1935

Quando falamos de grandes desempenhos no automobilismo você lembrará do grande triunfo de Senna em Donington 93, com ele domando o seu McLaren-Ford num circuito totalmente encharcado, enquanto alguns escorregavam como se estivessem no gelo. Ou talvez a corrida de despedida de Michael Schumacher em Interlagos, passando um por um até chegar em quarto, após ter ficado em último depois de um pneu furado. Temos Jim Clark em Monza 67, depois de ter tomado 1 volta e recuperado esta e abandonar a prova quando estava prestes a assumir a liderança, ou então Fangio em Nurburgring em 1957, fazendo uma prova de parar o coração, quebrando por 11 vezes o recorde da pista em perseguição as Ferraris de Hawthorn e Collins e vencendo de forma magistral. Todos estes desempenhos foram fantásticos, de forma que ficaram gravados como as melhores dos quase 60 anos de história da F1.
Mas vamos mais adentro da história, em 1935, sem nenhum tipo de eletrônica embarcada, onde o coração e a valentia dos pilotos falavam alto. O perigo também era uma constante, sem barreiras de feno, muro de concreto, guard-rails com camadas de pneus para absorver impactos, nada mesmo. Era a época de ouro dos Grandes Prêmios, com ases do naipe de Caracciola, Rosemeyer, Fagioli, Varzi, Von Stuck, Wimille, Louis Chiron e o melhor piloto da década, se não da história do automobilismo, Tazio Nuvolari.
Este ano de 1935 foi o primeiro do campeonato europeu de pilotos, vencido por Rudolf Caracciola com sua Mercedes W25B contabilizando 4 vitórias nas 7 etapas daquele campeonato. As outras 3 vitórias ficaram para Fagioli, Stuck e Nuvolari, está aliás, a grande vitória daquela temporada.
GP da Alemanha, Nurburgring, 28 de julho. Os alemães estavam eufóricos esperando por mais uma vitória dos conterrâneos e lotaram o velho circuito com mais de 300 mil pessoas. Caracciola vinha de uma vitória tranqüila em SPA e a tendência que venceria lá do mesmo modo, uma vez que conhecia aquele traçado como a palma de sua mão. Mercedes e Auto Union alinharam, juntas, 9 carros (5 Mercedes e 4 Auto Unions). Se durante o campeonato já estava complicado vencê-los, não seria agora que conseguiriam, mas Nuvolari, com toda sua coragem e velocidade desafiou a lógica e conseguiu algo inacreditável até aquele momento. Na corrida, Caracciola partiu na frente e ao final da primeira volta Nuvolari, à bordo de sua Alfa P3, estava no encalço do piloto alemão com apenas 12 segundos de desvantagem. Realmente, se tratando que tinha uma Mercedes a frente, a diferença deveria ser maior. Na 9ª volta, Nuvolari teve uma parada de box desastrosa relegando-o para a 5ª posição atrás de Rosemeyer, Varzi, Fagioli e Brauchitsch. Nuvolari recuperou suas posições após as paradas destes e na 15ª volta estava a 1m27s8 de Brauchitsch que liderava. O mantuano simplesmente baixou a bota e no início da 21ª volta, tinha apenas 35 segundos de desvantagem para o piloto alemão da Mercedes. Brauchitsch estava com sérios problemas de pneus, tanto que estes estavam a desintegrar pela pista, o que motivou ainda mais Nuvolari e desanimavam os alemães que ali estavam. Á 9 km da linha de chegada um dos pneus da Mercedes de Brauchitsch estourou e Nuvolari passou-o para anotar uma vitória histórica frente aos agora silenciosos alemães.
Foi a única vitória de Nuvolari com a Alfa Romeo naquele ano, conquistado com uma carro já antigo, a Alfa P3, que fora uns dos maiores carros de corrida da primeira parte da década de 30, mas que já naquela altura estava defasada frente aos poderosos carros alemães.
Acabou por ser considerada a maior vitória de sua carreira, afinal acabou derrotando a grande tecnologia alemã de alto nível, que como todos sabem, era o grande palanque de governo de Hitler.
Voltaríamos a ver outra exibição desta 22 anos depois, lá mesmo em Nurburgring, agora pelo campeonato mundial de pilotos, pelas mãos de Fangio. Mas esta é uma outra história para outro dia.

3 comentários:

  1. Paulão, muito bom o texto e as fotos. MAs acho que vocÊ esqueceu uma palavra quando quis dizer lotou o autódromo com 300 pessoas. Abraços

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  2. Ta resolvido Zé, valeu por lembrar e obrigado por prestigiar o Blog!

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  3. Essa de 22 depois eu postei no meu blog no centenário do Fangio, Mas Nuvolari é sem dúvida um dos meus preferidos, muitas vezes acaba esquecido por ter feito parte da pré-F1

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